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Woody Allen em filmes e tiras, pra todos os gostos
Por Ruy Jobim Neto
03/04/2007

A foto acima é do último Woody Allen que aterrissou em nossas salas de exibição: Scoop – O grande Furo. A beldade que acompanha o roteirista/ator/diretor na cena em questão é ninguém menos que ela, a belíssima novaiorquina Scarlett Johannson, de apenas 21 aninhos, e que já havia feito Match Point com o cineasta (sim, ela é a mesma atriz de Moça com o Brinco de Pérolas e Encontros e Desencontros).
 
O filme é uma pequena jóia, a platéia ri às expensas, é divertido, tem ótimas tiradas. O cenário, como em Match Point, novamente é Londres, ao invés da tão amada Nova Iorque, presente em praticamente toda a obra de Allen (raríssimas exceções, como a Los Angeles de Annie Hall ou a Paris de Todos Dizem Eu Te Amo). O diretor/roteirista/ator não perde a piada – ele brinca com a pista trocada no trânsito inglês. E leva literalmente às últimas conseqüências. Scarlett é linda, linda, linda, mas tem aquela voz anasalada e uma inexpressão cômica que são de lascar. Sorte que foi dirigida por quem a dirigiu. Ah, e no filme também tem Hugh Jackman (o Wolverine de X-Men), fazendo quase o papel de... Hugh Jackman, nem precisando interpretar praticamente nada, bem natural.
 
A história é simples, maluca, e lembra situações já usadas por Allen em dois filmes anteriores, Édipo Arrasado (o terceiro episódio de Contos de Nova York) e O Escorpião de Jade (aquele, em que ele faz par com Helen Hunt, impagáveis os dois). Há uma estudante de jornalismo (Johannson) em suas férias londrinas na casa de uma amiga cujo pai é um dos editores do jornal britânico The Observer. Há um mágico de palco (Allen), que vai levar a moça em questão para dentro de uma daquelas caixas chinesas que fazem sumir gente e depois reaparecer. O diálogo entre eles, neste instante, é hilário, e Allen, claro, faz o que sabe de melhor: dá textos geniais para todos os personagens em cena, principalmente para os que ele mesmo interpreta. Scarlett, em alguns momentos, parece mais uma Woody Allen de saias, tal o histrionismo neurótico dela, no filme.
 
Dentro da tal caixa no palco, é que o mote do filme vai se desenrolar, pois a futura jornalista vai "receber" a visita de um super-repórter londrino (Ian McShane), que já bateu as botas. E ele vem a ela, de lá do outro lado, de um barco da morte (outra sacada hilária de Allen) dando dicas sobre um furo jornalístico – o tal scoop do título original – envolvendo um serial killer no melhor estilo Jack, o Estripador. Claro, as suspeitas vão cair no filho de um lorde britânico, e o rapaz nada mais é do que interpretado pelo bonitão Jackman. Aí é que a porca torce o rabo. O resto não dá pra contar, é hilário, delicioso demais, é muita comédia de erros, usando todos os tipos de situações para brincar com os ingleses (coisa que Allen não teve como fazer em Match Point) e aqui ele está super à vontade, é o terreno dele, a sátira bem humorada. A platéia se deleita.
 
Scarlett está em sua melhor forma (física), e ela prova porque foi considerada a mulher mais sexy do mundo. Tem feito coisas interessantes no cinema, ela tem formação na televisão americana desde a mais tenra idade. Passou a adolescência em seriadinhos cômicos e alguns filmes. Fez muita coisa pra quem tem a pouca idade que ela tem. Agora, vamos combinar, ela é esforçada. Dá a cara a tapa, ela se embrenha num veículo (a comédia) que ela ainda não domina, não é onde ela se sente mesmo segura, mas tem no diretor e roteirista (e coadjuvante de luxo) um super apoio. Eles se dão muito bem em cena, é uma grande química (paternal – é verdade), muito diferente do que ele já apresentou com Diane Keaton (em Annie Hall) e com Helen Hunt (em O Escorpião de Jade). Mas tudo bem, Woody Allen é como o vinho – quanto mais envelhece o barril, melhor fica.
 
A filmografia de Allen desfia uma obra em aberto das mais curiosas do Cinema Americano, a começar por dois fatos – nem os americanos são os que mais curtem a comédia psicológica dele, pois os europeus são muito mais fãs dele do que os próprios conterrâneos e seus filmes são lançados em apenas duas cidades americanas, a saber: Nova Iorque e Los Angeles. O restante dos Estados Unidos curte Spielberg, Schwarzenegger, Van Damme, Star Wars, mas não Allen. O cinema dele, como o de Hal Hartley, não é pra todo mundo. E aqui no Brasil, o público sempre recebeu com grande carinho os filmes do cineasta, sendo que na década de 1980 nós recebíamos em nossas telas os títulos com menos atraso do que hoje em dia. Afinal, são ao todo quarenta e três longas dirigidos por Allen, o que não é pouco.
 
Outros fatos da filmografia de Allen são o próximo projeto dele, que será todo rodado na Espanha (ele está morando agora em Barcelona), e terá no elenco ninguém menos que Penélope Cruz e Javier Bardem, dois super astros internacionais em língua hispânica. Recém terminou O Sonho de Cassandra, com Ewan McGregor, Tom Wilkinson e Collin Farell no elenco. Woody Allen também tem lances exóticos. Quando venceu os Oscars de Melhor Roteiro e Direção por Annie Hall, em 1977, foi Diane Keaton quem subiu ao palco do Dorothy Chandler Pavillion, em Los Angeles, numa segunda-feira, mas não o cineasta: ele estava em Nova Iorque tocando clarinete em sua Woody Allen and his New Orleans Jazz Band. Dia sagrado para ele, dia de jazz.

Stuart Hample e a tira Inside Woody Allen

 
E para que o leitor amigo não diga que me esqueci, aqui vai: a tira Inside Woody Allen, que foi escrita e desenhada pelo cartunista Stuart Hample, que trabalhou no material entre 1976 e 1983, sucedendo ao cartunista Joe Marthen. Hample, que foi autor de inúmeros livros infantis, como Children's Letters to God, também escreveu várias outras tiras, tais como Robin Malone, para o cartunista Bob Lubbers. Woody Allen, como ela foi rebatizada no Brasil, era uma tira praticamente focada nas neuroses, na angústia, e nas freqüentes sessões de psicanálise do astro – afinal foram quase 30 anos deitado em divã, freqüentemente três vezes por semana -, ou seja, tendo a vida real do cineasta como fonte de inspiração. Entre os autores da tira esteve o cartunista David Weinberger (quem melhor do que um judeu para entender o humor judaico de Allen, com todo aquele complexo de Édipo, toda aquela coisa freudiana dele?). A tira, por sua vez, era distribuída mundialmente pela King Features Syndicate. 
 

A formiga Z, de Formiguinhaz

Afinal, para quem disse que terminou finalmente suas sessões de psicanálise por ter começado seu relacionamento com a enteada, Soon-Yi, - com quem tem um filho -, dizendo que ainda continua claustrofóbico e agorafóbico (o que só pode ser piada, claro), lembremos que em sua dublagem original da formiguinha Z em Formiguinhaz (a animação da Dreamworks para rebater Vida de Inseto, da Disney), também contém piadas sobre analistas. Mostras de que, seja em livros baseados em sua vida e obra, em filmes dele próprio, em tiras cômicas ou mesmo com ele dublando filmes de animação 3D, a personalidade de Woody Allen está fincada para sempre em nossos corações e mentes. Como bandeirolas na lua.

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