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Rapunzel: um novo Disney pelas mãos de Glen Keane
Por Ruy Jobim Neto
20/09/2006

 Glen Keane

Considerado uma lenda, um dos maiores magos da animação da atualidade - praticamente um sucessor em linha direta dos Nine Old Men dos Estúdios Disney -, Glen Keane está dirigindo o seu primeiro longa-metragem, Rapunzel Unbraided, previsto para estrear no início do verão americano de 2009. A história é uma releitura do famoso conto infantil Rapunzel, mas com pitadas satíricas. Já o diretor, por sua vez, tem em sua ficha a animação de alguns dos mais memoráveis personagens Disney dos anos em que o estúdio esteve sob a égide de Michael Eisner e Jeffrey Katzenberg. Basta lembrar que Glen Keane (que é filho do cartunista Bill Keane, autor do cartum seriado The Family Circus) foi o diretor de animação do urso grizzly na cena de luta de O Cão e a Raposa (1981), onde ele começou a chamar a atenção dos veteranos da casa, para a qual trabalhava desde 1974. Ele também foi o responsável, a partir do final dos anos 1980, por personagens-título de diversos filmes, como a Fera (de A Bela e a Fera), Ariel (de A Pequena Sereia), Aladdin (em Aladdin), a índia Pocahontas (de Pocahontas) e o Tarzan adulto (em Tarzan), além do Long John Silver (do recente O Planeta do Tesouro). 
 

Rapunzel na nova animação

Keane cursou a CalArts, a "fábrica" de animadores Disney, onde ele conheceu John Lasseter, aquele que viria a ser o mago dos filmes da Pixar. Juntos chegaram a ter um projeto que misturasse as duas animações, 2D e 3D, mas que jamais passou de apenas alguns testes. Quando o destino os separou, Keane mergulhou nos Estúdios Disney para acompanhar o final da famosa geração dos Nine Old Men (os maiores animadores que trabalharam para Walt desde Branca de Neve) e graças ao seu talento vir a se tornar um dos mais promissores artistas da casa. Lasseter viria a ganhar seus Oscars em animação 3D (Luxo Jr.; Tin Toy) e faria a parceria da Pixar com a Disney no memorável Toy Story. Rapunzel Unbraided está em pleno desenvolvimento e se trata, portanto, de um ambicioso projeto em CGI (Computer Graphics Imagery) que pretende assinalar ao mundo que a Disney, após o fiasco de O Galinho Chicken Little, retornará com brio à velha e boa forma. Sem perder tempo, o estúdio começou a anunciar a produção, aproveitando a palestra de apresentação do filme feita pelo próprio diretor Glen Keane na SIGGRAPH 2005, o que poderia ajudar muito a convencer a nata dos animadores atuais a virem trabalhar na Mouse House – como é apelidada a Disney. E o barulho, ao menos, parece ter começado a fazer efeito. No entanto, houve poucos sussurros sobre o roteiro do filme, e alguns supuseram que seria uma abordagem completamente distante da fábula tradicional, já outros teriam dito que pode ser um clone de Shrek, por ser um filme que remonta uma fábula em 3D.
 
No tocante especificamente à animação, Tarzan, de 1999, foi uma das produções que teve Glen Keane como o principal supervisor de personagem, e que recebeu tratamento gráfico onde se misturavam efetivamente movimentos em 2D e o 3D. Desta vez, é o próprio Keane que está encabeçando sozinho uma produção da Walt Disney Feature Animation. Tarimba e experiência não lhe faltam. A fábula da princesa Rapunzel foi a contemplada, mas o filme, embora conte com nomes que trabalharam lá atrás, em A Bela e a Fera, como a diretora de arte Lisa Keene, entre muitos outros artistas, já nasceu com uma série de problemas. E foi exatamente o caso envolvendo a atriz Reese Whiterspoon (de Johnny & June e Legalmente Loira) que chamou mais a atenção da mídia. A Disney ofereceu à atriz, além da participação dela como a voz da personagem central, Rapunzel, o posto de co-produtora executiva da película. Isso seria o mesmo que dizer que Reese teria considerável poder de dizer como a personagem dela seria apresentada. Foi relatado inclusive que Reese teria sugerido pilhas de idéias para Rapunzel Unbraided, mas poucas (ou praticamente nenhuma delas) seriam realmente funcionais num filme animado. 
 

Kristin Chenoweth, a voz
de Rapunzel

A assessoria de Reese, no entanto, informou que a atriz acabou por se desinteressar pela produção, alegando que Rapunzel Unbraided não seria o tipo de filme que ela assinaria embaixo. Assim, a passagem da estrela de Johnny & June pelo filme disneyano encerrou-se de forma rápida, deixando o projeto provisoriamente sem uma voz encabeçando o elenco. Isso ameaçaria o roteiro, que poderia perder um tom mais consistente, um arco emocional mais forte. Dessa forma, gente de dentro da própria Disney chegou a colocar em discussão se Glen Keane, na sua primeira direção de um longa de animação - mesmo sem colocar dúvida alguma sobre sua inegável categoria de mestre -, estaria controlando a produção, ou se ele seria forçado a mudar o roteiro devido à saída de Whiterspoon. A preocupação se estendeu aos executivos do estúdio, no momento em que também estão sendo produzidos outros dois longas, Meet the Robinsons (com direção de Stephen J. Anderson) e American Dog (com direção de Chris Sanders). Assim, Reese, que faria a talking voice (voz em diálogos) de Rapunzel, enquanto a atriz Kristin Chenoweth seria a responsável pela singing voice (voz nas canções) na mesma personagem, foi inteiramente substituída por Kristin, que há pouco tempo atrás foi vista em The West Wing, na Warner, e já participou de produções infantis de Teatro, onde pôde inclusive apresentar seus dotes de canto.
 
E embora esteja sendo inteiramente produzido em CGI, Rapunzel deve apresentar cenários (sob direção de arte de Lisa Keene) com inspiração rococó de pinturas em óleo sobre tela de Jean Honoré Fragonard. Outro clássico de que Glen Keane participou como diretor de animação, A Bela e a Fera, também teve concepção visual a partir do mesmo pintor francês. Mas uma das ambições principais que os criadores de Rapunzel querem é proporcionar movimentos que sejam tão suaves e fluentes quanto os clássicos animados Disney em 2D. Para isso, a equipe de 50 animadores, incluindo o próprio Glen Keane, todos foram submetidos a seminários onde estudaram minuciosamente efeitos que mesclam movimentos 2D e 3D, indo mais além até do que aconteceu em Tarzan. Um dos seminários chamou-se exatamente O Melhor dos Dois Mundos, onde os artistas puderam estudar o que poderia ser feito para combinar a força de ambos os tipos de animação. Daí, os animadores de ambas as técnicas estarem trabalhando juntos, utilizando equipamentos como graphic tablets (que torna mais fácil manipular movimentos de personagens e objetos). Para criar a impressão de desenho, a renderização não-realística será utilizada no filme, fazendo as superfícies dos objetos e personagens parecerem como se fossem pintadas, mas ainda assim contendo profundidade e dimensões.

O roteiro de Rapunzel Unbraided, escrito por Sara Parriott, Melanie Wilson, Josann McGibbon, Adam Wilson, Mark Kennedy e o próprio diretor, Glen Keane (que encabeça a equipe de roteiristas), foi necessariamente revisto, passando pela mesma etapa que aconteceu com filmes anteriores, a exemplo de O Rei Leão e Aladdin. Essa revisão de roteiro faz com que o filme ganhe mais força, e tem sido costumeiramente usada na Disney. Falando nisso, o mais novo executivo de criação do estúdio, John Lasseter, tem-se dito plenamente satisfeito com tudo o que já viu sendo produzido para Rapunzel. Bem, não podemos dizer que Lasseter não tenha bom gosto. Os filmes da Pixar que o digam. E o toque imbatível do lápis de Glen Keane também.
 
Ficha do filme (anunciada até o presente instante):
Rapunzel/Rapunzel Unbraided
Direção: Glen Keane
Elenco(vozes): Kristin Chenoweth (Rapunzel) e Dan Fogler (o Príncipe)
Roteiro: Glen Keane, Mark Kennedy, Josann McGibbon, Sara Parriott, Adam Wilson e Melanie Wilson.
Direção de arte: Lisa Keene
Desenho de Produção: Doug Rogers
Canções Originais: Jeanine Tesori e Clay Aiken
Casting (de vozes): Jen Rudin
Supervisor de CG: Kevin Geiger
Storyboard: Stephan Frank
Visual 3D: Tony Hudson
Direção de Produção (história): Virginia Perry Smith
Desenvolvimento Visual: Tina Price
Direção Técnica de Personagens (cabelos): Jae Cheol Hong
Animação: Jason Ryan

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