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Resenha: Debret em Viagem Histórica e Quadrinhesca ao Brasil
Por Matheus Moura
12/07/2007

Poucos títulos traduzem tão bem o conteúdo de uma obra como o do álbum do quadrinhista Spacca, Debret em Viagem Histórica e Quadrinhesca ao Brasil (48 páginas, formato 21 x 28 cm, R$ 30,50), lançado pela Cia das Letras em 2006. O primor gráfico salta aos olhos desde a capa, a qual mostra a chegada de Debret (pronuncia-se Debrê) ao Brasil. A historiadora Drª Elaine Dias introduz o leitor no contexto da época e faz um panorama a respeito da importância do personagem para a história das Belas Artes no Brasil.
 
Não é por menos. Pelas poucas páginas da viagem histórica nos proporcionada por Spacca, ficamos por dentro (mesmo que superficialmente) da criação da Academia de Belas Artes no Rio de Janeiro, um marco para o “desenvolvimento” cultural do país. Também tomamos conhecimento dos conflitos de interesses por parte da elite artística do país. Mas voltemos ao início. O livro narra a decisão e vinda de Debret – um dos grandes pintores históricos de sua época - ao Brasil, um pouco de seu trabalho e de sua participação em solo nacional até o dia em que resolveu voltar a França.
 
Os traços aparentemente simples, os quais chegam a ser cartunescos, podem espantar os mais puritanos neste quesito. Entretanto, torcer o nariz a este material por conta de seu aspecto despojado é não saber dar valor a trabalhos de consistência. Isso é muito bem percebido nos estudos de personagens ao fim do livro, material extra que enriquece e muito o conjunto da obra, a qual ainda conta com referência bibliográfica, notas da galeria de imagens - esta por sua vez é bastante interessante, mostrando algumas imagens que serviram de base a Spacca para a construção da história. Para fechar os extras há a Cronologia contanto os fatos mais marcantes nas vidas que o livro cita diretamente – não que os extras sejam nesta exata ordem. Um adendo quanto à arte: todas as cores - fora a capa, na qual (pelo que parece) há o uso de giz de cera - foram feitas com aquarela e demonstram bem a familiaridade do autor em usar deste recurso.
 
Com relação ao roteiro, um ponto bastante interessante foi a forma que Spacca fez uso do texto. Por este ser um livro, digamos assim, histórico, a linguagem não didática é perfeita, o que faz com que a informação seja melhor absolvida sem os entraves de um texto truncado e cheio de detalhes técnicos. Algo que merece destaque é a apresentação de Manuel de Araújo Porto-Alegre, um gaúcho discípulo de Debret, que fez a primeira caricatura brasileira em 1837. Eu ainda não li Santô e os pais da aviação, de Spacca, mas se ele seguiu a mesma linha de Debret em Viagem Histórica e Quadrinhesca ao Brasil, certamente merece ser conhecido. Tanto pelo trabalho físico/gráfico quanto por seu conteúdo teórico/histórico. Uma boa amostra da potencialidade das HQs em passar conhecimento adiante.

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