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Mestres do Quadrinho Nacional: Flávio Colin
22/05/2006

Flávio Colin na época da Grafipar

Flávio Barbosa Mavignier Colin
nasceu em 22 de junho de 1930, no Rio de janeiro. Em 1945-46, ainda nos tempos de colégio de frades Franciscanos na cidade de Porto União, em Santa Catarina, Flávio Colin já desenhava Histórias em Quadrinhos para seus amigos de classe, onde cobrava a módica quantia de um mil réis por cada história. Profissionalmente, Flávio Colin começou a desenhar Histórias em Quadrinhos aos 26 anos, na Rio Gráfica e Editora (RGE), no Rio de janeiro, entre o período de 1956 a 1959. Seus primeiros trabalhos foram para as revistas X-9 e Enciclopédia, mas, na RGE, ele desenhou várias revistas como O Cavaleiro Negro e Águia Negra (ambas de copyright americano) e As aventuras do Anjo, transposição para os quadrinhos de uma novela radiofônica que fazia muito sucesso na época.

Entre 1962 e 1964, ele colaborou com a Editora Outubro, de São Paulo, produzindo histórias de terror, e para a CEPTA - Cooperativa Editora e de Trabalho de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Na editora Outubro, Colin ficou encarregado de desenhar outra adaptação, dessa vez da série de TV O Vigilante Rodoviário. A CEPTA foi um movimento que tentou criar uma produção nacional forte de Histórias em Quadrinhos mas, infelizmente, não obteve sucesso. Foi nesse período, no entanto, onde ele criou Sepé Tiarajú, um índio que lutou no tempo das missões contra os conquistadores espanhóis, e Vizunga, publicada através da Mauricio de Sousa Produções, em tiras diárias no jornal Folha de São Paulo que duraram dois anos. O personagem era um caçador que contava suas aventuras; quando a cena se passava no presente, o estilo era clássico; quando fazia parte da narração, o traço era caricatural. A série Vizunga foi republicada por Ota Barros no gibi Eureka. Infelizmente, o que era pago pelo trabalho era muito pouco. Um valor praticamente simbólico, o que obrigou o mestre a ingressar na publicidade (agência McCann Erickson) para poder "ganhar dinheiro de verdade", como o próprio Colin se referiu certa vez. Segundo Colin, um único quadrinho de storyboard que fazia na agência equivalia a um mês inteiro de tiras do Vizunga.

Detalhe da arte de Colin na HQ O Vestido de MiLady,
publicada na revista Calafrio #26

No final da década de 1970, Flávio Colin voltou aos quadrinhos pela Grafipar, editora curitibana que foi responsável pelo segundo “boom” dos quadrinhos nacionais. Na Grafipar, Colin desenvolveu histórias de terror e eróticas que ilustraram várias revistas, como Próton, Sertão e pampas, Quadrinhos Eróticos e muitas outras. Foi nesse período, também, que Colin colaborou em revistas de terror para a editora Vecchi (Spektro; Pesadelo; Sobrenatural), do Rio de Janeiro, e a Editora D-Arte (Calafrio e Mestres do Terror), de São Paulo. Em 1985, Flávio Colin desenhou para a Companhia de Petróleo Ipiranga A Guerra dos Farrapos, álbum extraído do livro Os Barões assinalados de Tabajara Ruas e publicado pelo LP&M. Algum tempo depois, para o mesmo patrocinador, desenhou O continente do Rio Grande, com textos de Barbosa Lessa (Editado em pequeno formato pela LP&M para distribuição gratuita em postos de gasolina).

Em 1983, desenhou Hotel do terror para a OtaComix, do Rio de Janeiro, e, em 1994, ilustrou o álbum Mulher-Diabo no rastro de Lampião para a Nova Sampa, em parceria com o roteirista Ataíde Braz, e O Boi das Aspas de Ouro. Flávio Colin ganhou o Prêmio Angelo Agostini em 2001 por Fawcett, produzido no ano anterior em parceria com André Diniz. Também desenhou os álbuns Estórias Gerais e Fantasmagoriana de Wellington Srbek. Além desse prêmio, podemos citar três HQ Mix, um em 1990 (Grande Mestre dos Quadrinhos), e outros em 1994 (Desenhista Nacional) e 1997 (como homenageado) e mais outro Angelo Agostini. Flávio Colin também ganhou um troféu do XII Salão Carioca de Humor, como homenageado, e um prêmio da Gibiteca de Curitiba, além do Salão Internacional de Piracicaba; Press 1986, pelo conjunto da obra; e do Museu da Imagem e do Som e ainda houve uma homenagem da Casa de Cultura Laura Alvim.

Entre os artistas que mais influenciaram Colin estão Milton Caniff (Terry e os piratas), Chester Gould (Dick Tracy), Alex Raymond (Flash Gordon), Burne Hogart (Tarzan) e Harold Foster (O Príncipe Valente), entre outros. O grande mestre Flávio Colin faleceu no dia 13 de agosto de 2002, aos 72 anos, às 5 horas da manhã. Ele havia sido internado alguns dias antes por causa de um enfizema pulmonar, mas, infelizmente, não conseguiu resistir. Sem dúvida uma perda irreparável para a Nona Arte brasileira, que perdeu seu mais talentoso, aguerrido e confiante artista que já teve.

Clique aqui para ver uma galeria de ilustrações de Flávio Colin.

* Pesquisa e texto de Leonardo Santana.

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Pixel lançará O Curupira, de Flávio Colin

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