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Homenagens a Eugênio Colonnese
Por Marcio Baraldi
08/08/2008

Caricatura de Colonnese,
por Bira Dantas

Leiam a seguir depoimentos de alguns amigos de Eugênio Colonnese (cujo falecimento foi noticiado aqui) e profissionais do ramo:

"Uma triste e lamentável notícia. O Colonnese foi um dos primeiros, se não o primeiro artista brasileiro que conheci durante minha infância. Vai deixar um verdadeiro vazio, que jamais será preenchido ou esquecido na HQ Brazuca."
Michelle Ramos (Zine Brasil)

"Que dizer quando perdemos um amigo? Não é fácil... Principalmente quando tudo o que gostaríamos de dizer jamais poderá ser expresso em palavras. Meu coração simplesmente chora. Tenho agora lembranças... muitas lembranças. E a convicção de que o mundo perdeu um pouco de seu brilho. Perdi um grande amigo. Perdemos um grande artista."
Adilson Lima (Coordenador Gibiteca de Santo André)

"Nós, da Opera Graphica, que atuamos com muita regularidade nestes últimos anos ao lado deste grande Mestre dos Quadrinhos brasileiros, recebemos com imenso pesar esta notícia. Adeus, Colonnese!"
Franco de Rosa e Carlos Mann (editora Opera Graphica)

"Mais um Mestre do Quadrinho brasileiro se vai. Colonnese tinha um traço marcante e teve a vida pautada pelo profissionalismo e pela dedicação à Nona Arte. Não foi apenas a Mirza e o Morto do Pântano que ficaram órfãos. Todos os leitores de Colonnese também se sentem assim."
Sidney Gusman (editor do site Universo HQ)

"Eugênio Colonnese: italiano... brasileiro... paulista! Ele foi também um grande homem, um honrado pai de família e, provavelmente, o maior desenhista de Quadrinhos de nosso país."
Roberto Guedes (escritor e roteirista, criador do super-herói Meteoro)

"Os Quadrinhos brasileiros têm uma dívida impagável com Colonnese, principalmente porque ele não viveu o suficiente para que isso fosse feito. Ele e Rodolfo Zalla, quando criaram o Estúdio D-Arte em 1967, trouxeram para o Brasil uma outra mentalidade de produção de Quadrinhos. Eles profissionalizaram o mercado, mostraram como fazer histórias em larga produção, em equipe e com a preocupação na construção dos cenários e do figurino, sempre amparados na pesquisa histórica. Chegaram a fazer 200 páginas por mês e as editoras passaram a recorrer a eles pela qualidade e pela confiança porque a maioria dos artistas da época não cumpria prazo e tinha a mentalidade da auto-suficiência, do desprezo ao valor do roteiro. Colonnese e Zalla foram odiados por isso e discriminados, uma vez que eram imigrantes. Esse é o tabu que ninguém quer falar porque temos a mania de idolatrar essa geração de artistas. Depois, os dois levaram os Quadrinhos para os livros escolares. Disparado, foi o maior desenhista de pinups dos Quadrinhos brasileiros e um dos maiores do mundo. Ninguém desenhava mulheres mais belas e sensuais que ele. Nem Serpieri, nem Manara. Infelizmente, nos últimos anos, insistiram para que ele fizesse algo parecido com Druuna. Topou porque precisava sobreviver. Um equívoco, pois o grande mestre é que deveria ser copiado por Serpieri."
Goncalo Junior (jornalista, autor de vários livros sobre HQ)

"Jayme Cortez, Adolfo Aizen e Castro Alves. Foi com essa tripla chancela que, em 1957, o italiano Eugênio Colonnese deixou a rica tradição dos Quadrinhos argentinos, onde desenhou um dos mais originais personagens das historietas, Ernie Pike, para iniciar sua carreira no Brasil. Ernie Pike 'assustou' a Nona Arte, por ser um correspondente de guerra que não era a favor nem do Eixo, nem dos Aliados, um 'insulto' para o senso comum da época. Graças a Deus, o tal senso comum nunca foi o fio condutor dos avanços da história dos Quadrinhos, em nenhum lugar. Em 1964, Colonnese acaba se mudando para o Brasil, onde encontrou outra 'imponderabilidade' da nossa nação sem fronteiras: o argentino Rodolfo Zalla. Através da editora D'Arte, Zalla deu saída às artes do italiano. O que se presenciou, depois, foram 41 anos da presença de um irmão-mais-velho de todos os quadrinhistas brasileiros. Colonnese, com certeza, vai esperar muitos de nós, em um lugar mais tranqüilo, enquanto nos batemos - ainda - nesse plano, para mostrar que a nossa arte tem dimensões e heróis para aquém da hora mágica do papel."
Marko Ajdarić (Neorama dos Quadrinhos)

"O que falar dele? Um senhor elegante, simpático e solícito. Um artista grandioso, dono de raro talento para desenhar rostos lindos. Eu estudei com livros de Geografia ilustrados por ele. Cresci lendo revistas da Ebal (Chamada Geral) e Bloch (Mestre Kim) desenhadas por ele. Há uns 8 anos fiz esta caricatura e o presenteei com ela. Colonnese disse pro Franco (Ed. Ópera Graphica) que foi a melhor carica que fizeram dele (ói a honra). Este ítalo-brasileiro foi um grande produtor de Quadrinhos na fase de Ouro (anos 50, Quadrinhos de terror e guerra, época do Comics Code nos EUA e caça às bruxas - McCarthismo). Tem belíssimos álbuns editados pela Opera Graphica e Escala. Criou o Morto do Pântano e Mirza, a vampira. Produziu revistas que ensinam a desenhar belas mulheres, personagens e a fazer HQ! O que falar para alguém que fez tanto por nós? Que esteja bem, Colonnese!"
Bira Dantas (cartunista)

"Eugênio Colonnese, este grande ítalo-brasileiro que absorveu com primazia a nossa cultura, chegou ao Brasil em 1964, vindo da Argentina, onde desenhou para renomada Editora Columba. A partir de 1964 passou a criar Quadrinhos do gênero Terror com Rodolfo Zalla para o Estúdio D’Arte, passando, neste período, a desenhar Super-heróis, que era modismo entre os artistas nacionais. Em 1967 cria a lânguida Mirza, Mulher-Vampiro e o sombrio Morto do Pântano, caindo nas graças dos leitores. Criou também, histórias tendo como cenário a 2ª guerra mundial, sendo estas, publicadas também na Inglaterra. Nos anos 70 executou diversos trabalhos para editoras didáticas, implantando Quadrinhos como instrumento didático, até então, um método desconhecido no Brasil. Foi novamente Rodolfo Zalla que o trouxe de volta aos Quadrinhos na década de 80. Seus personagens e histórias eram publicados nas revistas ‘Calafrio’ e ‘Mestres do Terror’ da ‘nova’ Editora D’Arte. Seu belo traço renovado trouxe-lhe reconhecimento. Entre outras, a Editora Vecchi publicou na revista ‘Spektro’ muitas de suas HQs. Na Editora Abri deu vida ao personagem Beto Carreiro. Trabalhou com várias editoras, onde idealizou cursos de desenhos e aprendizagem para iniciantes, entre elas, a Escala e a Opera Graphica. Foi nesta última, que lançou álbuns de Mirza e o do funesto Morto do Pântano. Nestes últimos anos, Colonnese participou, a convite, de várias exposições, reconhecimento por seu determinado e imponente trabalho à frente das HQs. Enfim, por tudo isso, um artista simplesmente ímpar e insubstituível! Vá em paz, Colonnese!"
Ulisses Azeredo (site Nostalgia do Terror)

"O mundo das Histórias em Quadrinhos sofreu uma irreparável perda. Eugênio Colonnese era um dos maiores Mestres do Quadrinho nacional e suas grandes criações, como Mirza e O Morto do Pântano, jamais serão esquecidas. Seus trabalhos sempre inspiraram e continuarão inspirando os quadrinhistas brasileiros.”
Humberto Yashima (portal Bigorna.net)

"Colonnese foi um dos autores que adotou o país e nosso modo de ver os Quadrinhos aqui no Brasil. Como tantos artistas aqui, batalhou pelo seu espaço, e atravessou este tempo todo fazendo o que sabia melhor. Foi um dos autores que chamou minha atenção à produção brasileira, quando pirralho, que eu só lia material de fora, e tive em mãos alguns raros exemplares de Mestres do Terror e Calafrio, com inúmeros trabalhos dele, Rodolfo Zalla, Mozart Couto, entre outros."
Daniel HDR (desenhista)

"Lamentável o falecimento de mestre Colonnese, seu desenho autoral era um dos que mais me emocionavam e inspiravam nos tempos de Mestres do Terror e Calafrio, duas revistas da D-Arte que me fizeram alimentar o sonho de ser quadrinhista! Para mim, ninguém desenha mulheres como ele, Mirza é e sempre será a mais sensual e voluptuosa vampira das HQs. Minha reverência e admiração ao grande mestre, que siga para o outro plano com a certeza de missão cumprida por aqui!"
Edgar Franco (quadrinhista, autor de BioCyberDrama e Artlectos e Pós-humanos)

"Eu faço parte de uma geração que não teve muito contato com o trabalho de Colonnese em sua formação de leitor de Quadrinhos. Mas fui descobrindo aos poucos seus personagens e histórias. Garimpar as revistas de terror que ele e seus colegas não menos talentosos criaram é redescobrir o quanto é rica a tradição dos Quadrinhos nacionais. Não faz muito tempo que juntei uma caixa com vários números 'Spectro', 'Calafrio' e 'Mestres do Terror' que atualmente está ao lado de minha prancheta. Ele foi um  pioneiro num tempo mais duro, mais difícil de realizar o que hoje estamos fazendo. Por isso, Colonnese faz parte de todo artista brasileiro em atividade hoje em dia. Obrigado Colonnese, por todos os sonhos e pesadelos que fez para nós."
José Aguiar (quadrinhista, autor de Folheteen e Quadrinhofilia)

"Pouco sei sobre Eugênio Colonnese, mas sempre via suas capas, sobre a importância dele e de nomes como Jayme Cortez ou Rodolfo Zalla para nossos Quadrinhos e a ilustração brasileira. Quando comecei a produzir a revista 'Brincadeiras do Jarbas' para a Editora Bentivegna, lá nos idos de 1996, foi que me disseram que o Colonnese havia feito durante muitos anos um sem número de capas, ilustrações de miolo e toda sorte de materiais desenhados para a casa. O nome dele sempre será e sempre estará. Eugênio Colonnese é, foi e será um dos maiores mestres de nossa Nona Arte, sem a menor sombra de dúvida."
Ruy Jobim Neto (cartunista, criador do cão Jarbas, e colunista do portal Bigorna.net)

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