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Resenha: Espírito errante
Por Cadorno Teles
18/10/2007

Uma doença ameaça os clãs da floresta... Uma nova jornada para encontrar a cura... Uma descoberta surpreendente

As aventuras de Torak pela pré-história seguem no segundo volume da série Crônicas das Trevas Antigas, Espiríto errante (Spirit Walker, tradução de Domingos Demasi, Rocco, 288 páginas, R$ 34,50), escrita pela britânica Michelle Paver: uma saga passada há seis mil anos, na Idade da Pedra, logo após a idade do Gelo e a era dos Dinossauros, mas antes do cultivo da terra e do surgimento da agricultura. O principal personagem, não tem poderes, não tem nem um anel, nem uma varinha, mas conta com a ajuda de um jovem lobo e sua habilidade como caçador para sobreviver aos perigos da floresta e derrotar os inimigos de seu pai. No primeiro volume, Irmão lobo, perde seu pai após um ataque de urso gigante demonizado que assolava a floresta ameaçando os clãs e todos os animais, descobre o seu dom de conversar com os lobos e vive uma aventura que nem imaginava para encontrar a Montanha do Espírito do Mundo e conseguir derrotar o urso.

Agora, passados alguns meses, uma nova ameaça, mais devastadora e difícil de enfrentar do que o urso assassino: uma misteriosa enfermidade começa a se propagar pela floresta e o pânico se espalha entre os clãs. A tranqüilidade que Torak vivia no Clã do Corvo, junto com sua amiga Renn acaba e, desesperado, Torak opta em empreender uma perigosa viagem para buscar a cura daquele mal que floresce tanto na floresta como no mar, que o conduzirá às misteriosas ilhas do Clã da Foca, onde parece que se conhece um remédio secreto para a terrível epidemia. Após superar alguns perigos ao longo da nova jornada, Torak irá reencontrar Lobo, agora mais crescido, confrontará um dos Devoradores de Almas e fará uma surpreendente descoberta sobre si mesmo. Torak precisará ao longo da saga derrotar os Devoradores de Alma, sete feiticeiros de clãs diferentes que almejam controlar o mundo conhecido. Neste segundo volume, enfrenta um deles, e em dois momentos cruciais para a trama, descobrirá a traição humana e uma revelação sobre o passado do pai, algo que mostrará ao jovem os motivos dos seus dons especiais e mudará sua vida para sempre.

Paver, na série, rompe drasticamente com a tradição de considerar o homem primitivo como um selvagem, que endeusa as forças da natureza porque não é capaz de entender o que está ao seu redor. O complexo sistema de crenças dos clãs do passado é coerente com sua percepção do mundo e se fundamenta no respeito. A saga procura então resgatar valores como o respeito do homem pelas forças da natureza e sua interação com cada ser vivo da floresta: é sublime o que os homens fazem quando tomam a vida de outros seres, agradecendo o seu espírito e a caça só servia para a subsistência, devendo aproveitar tudo o que está neste mundo. E o melhor atrativo de Crônicas das Trevas Antigas é a relação entre Torak e o Lobo, que o chama de Alto sem rabo, contendo todo o mistério e o atrativo destas crônicas que mobilizam emoções, temores e alegrias genuínas no leitor. Apesar da ficção, os dois títulos já lançados mostram uma fundamentação incrível. Uma das melhores sagas já escritas nos últimos anos, narrada em meio a uma minuciosa recriação da vida em clãs pré-históricos e a luta pela sobrevivência, resultado da ampla pesquisa que Paver fez ao redor do mundo, para sentir na pele. Espiríto errante possui um clima mais sombrio que Irmão Lobo, mas fala de amizade e coragem em uma época em que a sobrevivência é a única luta humana, nesta fascinante aventura pré-histórica.

Curiosidade
A Fox avança com os planos de levar às telas de cinema a primeira parte dos seis livros que completarão a saga.


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