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Resenha: Tormenta #2
Por Leonardo Santana
08/01/2008

Eu sempre achei e defendi que, para nossos Quadrinhos melhorarem, bastava que pudéssemos dar uma seqüência a esses trabalhos. A revista Tormenta #2 vem a reforçar ainda mais essa minha tese. Na história Tormenta vs. Saci-Pererê temos uma ótima história com ótimos desenhos trazidas por José Salles (Argumento), Renato Rei (Roteiro e desenhos) e Luiz Meira (Arte-final). A história conta como casais acampando na floresta são brutalmente assassinados por uma terrível criatura que se autodenomina de Saci-Pererê mas que difere, e muito, da folclórica personagem à qual estamos acostumados a imaginar. O problema é que o Tormenta é uma das pessoas que vieram acampar e o confronto entre os dois é questão de tempo.

Ao meu ver, a HQ tem diversos elementos muito bem trabalhados. A começar pelo desenrolar da história que é bastante cadenciado e não sofre atropelos. Temos um início, meio e fim muito bem desenvolvidos, o que resulta numa aventura “redondinha”, como costumamos dizer. A arte é um dos pontos mais altos da história com desenhos competentíssimos do Renato Rei garantindo bastante ação, emoção e terror em cada página. O fato da violência mostrada na história ser bastante brutal – com direito a esquartejamentos e muito sangue – acredito que isso tenha sido um fator positivo para dar uma característica própria ao super-herói Tormenta, distanciando-o de idealizações ou modelos pré-concebidos de outras escolas (como a americana, por exemplo). A pitada de humor referente a menção aos nomes de Ziraldo e Cedraz, poderia ter estragado o clima da aventura mas, como foi feita de forma muito sutil e em apenas um momento da história, realçou a sua verdadeira intenção que era a de homenagem aos autores, podendo ser facilmente perdoada pelos leitores. Por fim, temos a própria caracterização do Saci-Pererê que é uma das mais aterrorizantes e violentas que eu já vi. Eu simplesmente adorei a história e já estou à espera de novas aventuras do tormenta.
 
Em contrapartida, algumas observações precisam ser feitas para que a revista melhore ainda mais. Em primeiro lugar, a imagem da capa poderia ter sido melhor aproveitada aumentando-se seu tamanho. Tanto o Tormenta quanto o próprio Saci-Pererê ficaram muito pequenos e tímidos, perdidos no meio da capa com muita área desperdiçada ao redor dos mesmos. Em segundo lugar, faltou uma explicação de quem era ou o que realmente queria aquele Saci-Pererê. Se não fosse o seu implante mecânico, poderíamos imaginar que se tratava de mais um psicopata muito grande e violento mas esse mesmo implante sugere que existe algo mais (ou alguém?) por trás desse terrível monstro. São dois pequenos detalhes que não tiram, de forma alguma, a emoção e a diversão dessa leitura obrigatória para os fãs de aventura e terror.
 
Com certeza, voltaremos a falar do Saci-Pererê. E, o que é melhor ainda, temos a certeza de que os autores dessa história estão no caminho certo nesta belíssima arte que é a de apresentar boas histórias aos leitores. Só espero que, logo logo, tenhamos novas aventuras do Tormenta para ler e comentar.

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