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Resenha: Tarja Preta #5
Por Marcio Baraldi
31/07/2007

“Bagulhinho bom”

Pra quem não sabe, eu ODEIO maconha!!! Fumei um único baseado minha vida inteira e foi o suficiente pra perceber que era um péssimo negócio. Dar meu suado dim-dim para um traficante escroto em troca de um bagulho fedido pra me deixar lerdo e abestalhado feito um caracol mal-dormido? Tô fora,maluco! Mas como vovó já dizia: "Quem não tem colírio usa óculos escuro e Deus deu a vida para cada um cuidar da sua!".

Pois então, mesmo com toda minha antipatia pela marofa, não posso negar que o bagulho rende piadas ótimas. Que o diga os enfumaçados Quadrinhos da Tarja Preta (saiba mais sobre a publicação aqui), uma das revistas udigrudis com mais presença (Opa!) no mercado! A revista carioca (só podia ser), foi fundada pelo cartunista Matias Maxx e reúne uma poderosa “esquadrilha da fumaça” formada por Juca, Arnaldo Branco, Allan Sieber, Daniel Paiva, MZK, Leonardo, Johandson e mais um bocado de artistas. Em comum todos têm o talento, o humor escrachado e politicamente incorreto e, claro, a simpatia pelo cigarro do capeta (pelo menos nos Quadrinhos)! Neste quinto número da revista, um surpreendente calhamaço de 120 páginas p/b em papel jornal e capa a cores em couchê, há maconha para todos os lados! Desde a hilária capa, ilustrada pelo gaúcho Jaca, parodiando as pentelhíssimas Meninas Super-Poderosas, até a última capa, com um viajante anúncio de uma tabacaria.

No miolo, um verdadeiro festival de tiras, HQs e cartuns desencanados, debochados e inconseqüentes. Besteirol puro e não malhado (Opa de novo!). Enfim, aquele humor típico carioca, que começou lááá atrás no Barão de Itararé (será que ele fumava?!?), passou pelo Pasquim e veio sair na Casseta e Planeta. Pois a rapaziada do Tarja é digna e fiel descendente dessa linhagem histórica! Por mais que você não goste de maconha não tem como não rir do chapadaço Capitão Presença, de Arnaldo Branco, personagem principal da revista, que, acredite se quiser, tem cada uma de suas várias histórias desenhada por um autor diferente. Uma boa sacada da revista, sem dúvida! Tem ainda muitas outras viagens e surpresas ao longo do gibi: uma HQ do Johandson que é puro nonsense na linha do saudoso Xalberto, uma entrevista com o ex-Planet Hemp Marcelo D2 (Lógico! Quem mais podia ser?) e zilhões de outras doideiras, muitas com cara explícita de underground americano dos anos 60, outras com estéticas mais variadas. O que é bom, pois não torna a leitura cansativa e repetitiva, o que seria fácil de ocorrer num gibi de 120 páginas.

Pra encerrar, o destaque máximo da edição vai para a tosquíssima e genial HQ O segredo de Patópolis, do megadefumado Daniel Paiva. Verdadeira pérola, tosca porém brilhante! Vai uma preza aí?

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