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Entrevista: Mark Novoselic
Por Francinildo Sena
18/04/2008

O produtor independente Francinildo Sena realizou esta entrevista com o desenhista Mark Novoselic para seu blog. Por se tratar do principal desenhista do Crânio, que está para completar 20 anos de criação, o Bigorna.net decidiu republicar esta entrevista aqui. Nela o leitor conhecerá um pouco mais sobre este ilustrador: autodidata, cuidadoso com os prazos, flamenguista e “bem-família”.

Quem é Mark Novoselic?

Curto Quadrinhos há bastante tempo. Quando li O Cavaleiro das Trevas, do genial Frank Miller, em 1987, decidi que queria ser desenhista de HQ. Como só desenhava por hobby e não tinha noção de como era esse complicado e competitivo mundo dos Quadrinhos, achei melhor dar um tempo nessa idéia... pra falar a verdade, meus desenhos na época, eram horríveis e não dariam em nada mesmo... rsrsrsrs. Em 2002, surgiu uma oportunidade para trabalhar com desenho. Uma agência, aqui no Rio, estava querendo alguém para desenhar capas infantis para cadernos escolares e mesmo não sendo a minha especialidade, eu passei nos testes e acabei me profissionalizando. Hoje, além de trabalhar nesta agência, desenho algumas capas para a revista infantil Picolé, da editora Ediouro e crio as atividades e faço os desenhos de outra revista infantil Brincando e Aprendendo, da mesma editora. Na minha vida pessoal, sou casado, tenho dois filhos, que amo muito (Giovanna e Guilherme), gosto de ouvir Rock pesado, principalmente quando estou desenhando, gosto de cinema, de ir à praia, gosto de acompanhar o meu time (Flamengo) quando está jogando, gosto de viajar com minha família... enfim... pena que não tenho tempo pra tudo isso.

A qualidade de sua arte é incontestável. Já fez algum curso de Quadrinhos?

Não. Já nasci com o dom que Deus me deu, mas precisei “apanhar” muito para melhorar o meu traço... Foi tudo meio que na raça... procuro desenhar horas a fio, leio revistas e sites especializados e tento estar nos lugares certos, nas horas certas. Alguns anos atrás, fui numa convenção de Quadrinhos, aqui no Rio, e lá estavam Luke Ross, Roger Cruz e Marcelo Campos. Ele (o Marcelo) me deu dicas super valiosas, que me ajudaram bastante... o cara é muito gente boa... a minha fé em Deus e a minha experiência na agência convivendo com profissionais capacitados, também me ajudaram muito.

Além do Cachorro de Rua e da Angelina, você tem alguma outra criação?

Quando tinha 12 anos, fiz a minha primeira HQ. Era sobre um cara que havia recebido poderes de um alienígena e passou a combater todas as forças do mal... Um de seus poderes era um cinto que ao apertar a fivela, surgia um cara grandão (tipo o Hulk) que o ajudava na luta contra os inimigos mais fortes... Tudo muito tosco, mas tenho essa revista guardada até hoje... rsrsrsrs

Quando e onde publicou a sua primeira história?

Essa é fácil de responder... Foi na revista Heróis Brazucas #12, na estréia do meu personagem Cachorro de Rua e a história se chamava Caos in Rio

Curte todos os gêneros de Quadrinhos ou há algum que não gosta?

Cara, eu não curto muito Mangá, mas reconheço sua importância e qualidade para o mercado dos Quadrinhos.

O que acha sobre o que dizem que super-herói brasileiro não cola e que isso é coisa só pra americano?

Isso é um assunto para ficarmos por horas discutindo... Acho que podemos ter bons personagens por aqui, devido aos bons profissionais que temos, mas para que isso aconteça, as editoras precisam acreditar nesses profissionais e para que as editoras acreditem na gente, precisamos sair da “mesmice”, ou seja, precisamos de novas idéias, de boas histórias, bons roteiros, sair um pouco dos “clichês”... Sei que não é fácil, mas sei também que é possível... Como disse antes, esse assunto renderia muita discussão...

Já publicou algum fanzine?

Infelizmente não... Gostaria muito, mas não tenho tempo.

O que acha do movimento fanzineiro no Brasil?

Acho que o pessoal tá mandando bem... Você (Francinildo) já teve matéria na revista Mundo dos Super-Heróis, tem também o Edgar Guimarães com o seu QI (que já está há muito tempo na estrada), isso sem falar no Areia Hostil (gosto muito desse nome) e no Prismarte, que mais parecem revista... Só acho que as revistas especializadas em Quadrinhos, deveriam dar mais espaço para divulgar o trabalho dessa rapaziada.

Como você vê os Quadrinhos Nacionais hoje?

Acho que o movimento está melhor que antigamente... Não estou falando da parte criativa e sim da facilidade que o artista tem de divulgar seus trabalhos... Com a Internet, as coisas ficaram mais “fáceis”... É só entrar nos sites especializados (tipo o Bodega) e você encontra muita coisa boa... Tem para todo tipo de gosto. O pessoal tem se superado mesmo... Agora com relação à vendagem, não saberia te responder.

Na sua opinião como deveria ser o perfil do quadrinhista brasileiro?

Um cara que acredita sempre. Pode parecer meio “clichê”, mas é a pura verdade

Você acabou ficando muito conhecido no meio independente como desenhista do Crânio. Como vê isso?

Pra mim, tá sendo ótimo... Além de divulgar o meu trabalho e meus personagens, acaba sendo um laboratório para que eu treine o meu traço... Sem falar que já me identifiquei com o personagem e gosto muito de desenhá-lo... Engraçado é que a minha primeira HQ do Crânio (Nada é por Acaso) de 2002, o meu Crânio não era muito legal, eu não desenhava ele de capuz, nem sabia direito o que era aquilo... rsrsrsrs, como não conhecia o personagem e as referências que tinha não me ajudaram muito, eu desenhava um “rascunho” de capuz... Com o tempo eu “descobri” que aquilo deveria ser um capuz, aí eu fiz um de verdade... rsrsrsrs

Como analisa a sua participação na revista Brado Retumbante?

Foi bem legal... Foi minha primeira experiência com uma revista de verdade, que tinha diversos pontos de vendas espalhados pelo Brasil... A única coisa que não gostei, foram de alguns dos meus desenhos, eu poderia tê-los feitos melhor. Quando fui convidado para participar da revista, isso em 2003, não sabia direito como ela seria e para não perder os prazos e atrapalhar o lançamento da mesma, acabei fazendo toda a minha parte (5 HQs) em apenas 6 meses... Se não me engano, a revista só foi lançada em 2005... Nesse ano, além de estar mais familiarizado com o personagem, acho que meu traço estava melhor, mas mesmo assim valeu a pena.

Vamos ao jogo rápido. Um personagem de Quadrinhos?

É difícil escolher um só... Gosto do Batman, do Justiceiro (me inspirei nele para criar o Cachorro de Rua), gosto do Wolverine e do Homem-Aranha... Inclusive, não deveria escrever isso, mas vamos lá, futuramente pretendo fazer um encontro “surreal” do Crânio com o Homem-Aranha... A história se passará aqui no Rio, onde Peter vem cobrir para o Clarim uma convenção, onde os chefes de estado estão discutindo uma solução para acabar com o desmatamento da Amazônia... Só que chegando aqui, ele se depara com o Crânio e com um de seus inimigos (Fanático), que foi contratado para não deixar que esta convenção se realize... Bem, seria surpresa, mas acabei contando... Só espero que não me traga problemas por usar o Aranha nessa aventura... Afinal, o Crânio já se encontrou com os X-Men...

Um artista dos Quadrinhos?

Um? Tá bom... Bryan Hitch, David Finch, Frank Quitelly, John Cassaday e Carlos Pacheco... rsrsrsrsrs

Um filme?

Hmmm, são tantos... Recentemente vi Ultimato Bourne com Matt Damon... É muito bom... e não posso deixar de citar Tropa de Elite, que foi uma das melhores coisas que vi em 2007 e toda a série 24 Horas...

Uma revista em Quadrinhos?

Os dois volumes dos Supremos, O Cavaleiro da Trevas e Batman- Ano Um.

Uma frase?

Mil cairão ao teu lado e dez mil a tua direita, mas tu não serás atingido” Salmo 91:7

Valeu pela força e não percam a última parte do arco “Primogênito”, tenho certeza que o final vai dar o que falar... abraços para todos!!!

Entrevista publicada originalmente em 10/03/2008 no blog de Francinildo Sena

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