NewsLetter:
 
Pesquisa:

Entrevista: Henrique Magalhães
Por Marcio Baraldi
11/04/2008

A Marca do Fantasiador!
                                                 
Dois Henriques marcaram profundamente o Cartum brasileiro. O primeiro foi Henrique Filho, mais conhecido como o lendário Henfil, o cartunista que mais cutucou a ditadura militar com vara curta. E o outro é Henrique Magalhães (foto), o cartunista mais importante da Paraíba e um dos maiores do Brasil. Sua personagem mais conhecida, a contestadora Maria, completou recentemente 30 anos de existência e ganhou merecidas coletâneas de comemoração. De quebra, o cartunista lançou ainda o livro Macambira e sua gente, mais uma de suas séries com seu humor típico: personagens alegres, fofoqueiros, com muito carnaval e muita cultura paraibana/nordestina presente em cada tira ou cartum. Outro diferencial do autor é a constante abordagem da homossexualidade em seu trabalho. Assunto que Henrique, gay assumido e feliz, faz questão de retratar com muito bom-humor desde o começo de sua carreira. Mas o patrimônio cultural de Henrique não pára por aí, ele ainda é o dono da Marca de Fantasia, a mais longeva e bem-sucedida editora de Quadrinhos independentes do país, com 13 anos de vida e mais de 120 títulos lançados. Entre eles, nomes seminais e históricos do Quadrinho brasileiro como Julio Shimamoto, Nilson, Edgar Guimarães, Cedraz, Edgar Franco, entre outros. Para conferir tantos causos e histórias de vida, Bigorna.net, o site mais destemido do mundo dos Quadrinhos, foi ao encontro do homem que já deixou sua marca inconfundível na HQ nacional... a marca do FANTASIADOR!

Como surgiu seu interesse por Quadrinhos? Você foi daqueles garotos alfabetizados por gibis?

Não fugi à regra da minha geração, que tinha poucos recursos eletrônicos e audiovisuais. Fui apaixonado por Quadrinhos desde a infância e acredito que eles ajudaram em minha alfabetização. Eu gostava de copiar as figuras, destacar algumas e ampliar. Fazia verdadeiros pôsteres e até painéis, juntando folhas de papel ofício. Foi um ótimo exercício de percepção e aprendizagem dos elementos básicos de desenho.

Quando você decidiu que podia fazer Quadrinhos também? Teve algum autor que você leu e te fez tomar essa decisão? Quem são seus mestres nas HQs?

Eu lia de tudo, sem discriminação. Até fotonovelas às vezes eu lia, quando me caíam nas mãos. Mas também tinha minhas preferências. Adorava as publicações da Editora O Cruzeiro, em particular Bolinha e Luluzinha. Gostava das grandes aventuras de Tio Patinhas e de Zé Carioca. Fantasma e Mandrake também me fascinavam, além de Homem Aranha. Com este eu tinha muita identidade, menos pela aventura que pelos dramas pessoais e pela construção das personagens. Na adolescência conheci as tiras publicadas nas revistas Patota e Eureka, e no Jornal do Brasil. Foi um diferencial pra mim porque tinham conteúdo crítico, que eu não encontrava nas outras revistas em Quadrinhos. Foi aí que percebi nos Quadrinhos um forte canal de expressão e que senti necessidade de fazer algo do gênero.

Eu particularmente sinto influência do Henfil no seu trabalho. Estou certo? Nos anos 70, quando você começou, ele era um autor muito influente, não? Você acha que o trabalho dele continua com a mesma força até hoje?

Henfil me influenciou muito mesmo! Acho o traço de Henfil inigualável e até hoje muito atual. Ele marcou toda uma geração de cartunistas com a revista Fradim e com as tiras de jornal. O Fradim me serviu de base para trabalhar minha personagem Maria sem muitas amarras, com a liberdade de abordar todos os temas que me interessavam, da sexualidade à política econômica, da solidão à ditadura militar. O trabalho de Henfil foi uma escola pra mim e, sem dúvida, foi ele quem mais me influenciou. Outro a quem devo reverência é o Quino, com a Mafalda.

Você criou a Maria aos 18 anos de idade. Lembro que quando eu era criança eu tentei lê-la, mas não consegui entender. Qual é o lance da Maria, afinal? Ela é lésbica, é uma tiazinha, o que ela é exatamente? Em quem você se baseou para concebê-la?

No início eu pensei a personagem como uma solteirona em busca de um marido. Não havia nada do tipo na época. Eu queria fazer uma personagem diferente e procurei fugir das que eu já conhecia. Colocar a mulher como personagem central não era comum, em geral elas eram coadjuvantes dos heróis ou heroínas, atuando no mesmo universo masculino. Havia já as personagens eróticas européias, mas a elas a gente não tinha muito acesso. Depois conheci Marly, de Milson Henriques, que abordava o mesmo tema da solteirona. Com o tempo a Maria foi se transformando, se politizando juntamente comigo, ao entrar na universidade. Foi aí que senti a influência da obra de Henfil. Eu sempre digo que Maria é meu alter ego. Ela foi amadurecendo junto com meu processo evolutivo e passou a ser minha porta-voz. Eu não considero Maria uma personagem lésbica, mesmo que ela tenha uma relação afetiva estreita com Pombinha. Ela é livre para tratar de qualquer assunto, até do amor entre mulheres.

Seu trabalho tem uma forte carga da cultura paraibana, não? No seu novo livro Macambira e sua gente, os personagens são todos tipos típicos aí da terrinha, com gírias e expressões e tal. Isso é proposital ou foi natural?  Você tem um amor pela Paraíba e essa seria uma maneira de expressá-lo e eternizá-lo?

É verdade, sempre procurei conscientemente dar esse tom local ao meu trabalho. É uma espécie de afirmação, de marcar terreno frente à padronização da cultura a partir do Sudeste. Esse regionalismo, no entanto, serve apenas como um charme autoral, não como um entrave para a compreensão das personagens por outros públicos. O problema se dá bem mais com o público externo, de outra língua e cultura. Minhas tiras têm muitos jogos de palavras que perdem o sentido se forem traduzidos, o que dificulta uma difusão internacional do trabalho. Mas não há que se preocupar com isso, quando se tem um país imenso pra conquistar, como o nosso.

Seus personagens são sempre alegres e de bem com a vida. Você não tem um trabalho dark, existencialista e deprimido. Isso ocorre porque você  tem uma natureza alegre ou também é um reflexo da cultura animada e ensolarada da Paraíba?

Procuro ser alegre e feliz, sempre que posso. Pra que estar remoendo aflições? Só o faria se fosse para propor uma reação ao tédio e à depressão. Talvez essa atitude se explique pelo ambiente descontraído e ensolarado onde vivo, isso ajuda, claro, mas atribuo mais a um traço de caráter. Pautei minha vida pela luta contínua, pela conquista, pela mudança. Cresci dentro de uma ditadura e isso era motivo suficiente para se lutar contra. Não tive tempo pra lamentar, só pra lutar por um lugar livre e feliz. A homossexualidade assumida também me leva ao enfrentamento diário com a sociedade, é uma questão de sobrevivência, de garantir o próprio bem-estar.

Já reparei que você não fala de política nos seus Quadrinhos, preferindo sempre  falar de relacionamentos do dia-a-dia, como amigos, paqueras, namoros, etc. Por que isso acontece? Você não gosta de política ou não tem vocação para o assunto?

Já falei de política de forma muito direta, nas décadas de 1970 e 1980. Naquele momento era necessário gritar contra a ditadura. Agora continuamos com assuntos à beça pra meter o pau, como a corrupção, as idiossincrasias dos políticos. Mas, como é chato falar de tudo isso! O noticiário já diz tudo. Fazer Quadrinhos sobre política me cheira a empobrecimento da arte. Prefiro tratar de outra política, a política do quotidiano, a política cultural, os choques entre conceitos e posturas sociais, além da política das minorias e da reflexão pessoal. O problema de se fazer tiras políticas, em cima dos fatos políticos, é que elas se transformam numa charge e logo perdem o valor. Servem para o momento, mas envelhecem e morrem. A obra se perde no tempo, fica muito datada. Mudei o eixo de meu trabalho quando tentei fazer algumas coletâneas de tiras e tive que descartar inúmeras, porque falavam do fracasso das “Diretas já!”, “Plano Cruzado”, “Plano Verão”, essa tralha toda. Que relevância tem isso hoje?!

Desde o começo da sua carreira você abordou abertamente e sem frescuras a homossexualidade nos seus Quadrinhos. Você tomou essa decisão só pelo fato de ser gay e querer expressar suas vivências ou para ajudar a popularizar e discutir esse assunto na sociedade?

As duas coisas, como afirmação e como militância. Fui um dos fundadores do primeiro grupo gay da Paraíba, o Nós Também, em 1980, quando ainda havia poucos no Brasil, e nós optamos por trabalhar a questão por intermédio das artes. Fizemos filmes com abordagem gay, postais, murais, camisetas, festas, poesias e Quadrinhos. Numa sociedade conservadora, periférica e machista como a nossa, a paraibana em particular, tratar a homossexualidade pelo viés da arte nos pareceu mais palatável. Foi uma forma política de amenizar as resistências, de evitar o confronto.

Você acha que ainda existem poucos Quadrinhos sobre esse tema no mundo? Acha que a maioria dos leitores ainda tem vergonha ou constrangimento de ler um Quadrinho sobre o assunto?

Quadrinhos com esse caráter questionador tem muito pouco, já eróticos tem muito. Há tabu, sim, em se produzir e ler Quadrinhos com temática homossexual. Os quadrinistas são majoritariamente masculinos e heterossexuais, ou pelo menos é o que aparentam ser. São raros os que se afirmam gays e trabalham sua obra para essa questão.

Não é esquisito que as pessoas leiam histórias de terror, violência e atrocidades diversas numa boa e fiquem constrangidas ao ler sobre relacionamentos homossexuais? Por que isso ocorre?

Isso é um reflexo da sociedade, do poder controlador da mídia. Se até um beijo entre dois homens foi censurado na novela América, da TV Globo, como expor relações eróticas com pessoas do mesmo sexo? Ao se falar de homossexualidade, não estamos falando apenas de modo de vida, de estilo ou de afeto. Antes, é preciso que a sociedade, os meios de comunicação, a igreja, etc, deixem de ser hipócritas e vejam como natural qualquer forma de amor, de prazer, de sexo, quando há consentimento entre as partes.

Você foi um dos pioneiros no mundo a falar de homossexualidade em tiras de humor. Você acha que o Brasil sempre teve obras e autores de vanguarda mundial nos Quadrinhos? Cite alguns autores que você, com sua experiência, considera vanguarda (vivos ou já falecidos).

Sinto-me lisonjeado em ser considerado um dos pioneiros a tratar da homossexualidade nas tiras humorísticas. Nunca tinha pensado sobre isso e nem me tinha dado conta. Mas acho que você tem razão. Antes de minhas tiras nunca tinha visto nenhuma a tratar do assunto, por mais inacreditável que isso possa parecer. Eu diria que a vanguarda do Brasil está na própria origem dos Quadrinhos, com a obra de Angelo Agostini. A revista O Tico-Tico, criada bem no início do século 20, também merece crédito. No campo da homossexualidade, ao abordar as questões das minorias, Henfil me impressionou ao colocar seu Fradim no papel da mulher, do homossexual e do negro. Ele foi um cara realmente de vanguarda. Adão, Angeli e Laerte também trabalham a questão com muita sensibilidade. E, sem dúvida, o trabalho da Anita Costa Prado, com personagens lésbicas, merece toda a reverência. É preciso citar também a obra magnífica de Edgar Franco e Gazy Andraus no campo dos Quadrinhos poéticos e filosóficos. Edgar envereda pelas HQ eletrônicas, ou HQtrônicas, como ele as denomina, que tem todo um universo a ser descoberto e explorado.

Você poderia ser apenas mais um cartunista  e ficar reclamando da falta de espaço para publicar como tantos "amarelões" fazem, mas resolveu ir muito além. Arregaçou as mangas e fundou sua própria editora, a Marca de Fantasia. Como e quando você tomou essa louvável e corajosa decisão?

Desde quando editei minha primeira revista Maria, em 1976. Naquele momento eu já percebia que não dava pra contar com as editoras do mercado. Minha situação de paraibano, longe dos centros produtores, me obrigava a pôr os pés no chão e as mãos na massa. Nunca me iludi com a inacessibilidade do mercado editorial. Se nem para os mestres há espaço, imagine para os novatos! Passei a editar minhas próprias revistas e fanzines mais por prazer que por ambições mercadológicas. Com o tempo e a experiência acumulada, vi que podia ir além e criei a editora Marca de Fantasia em 1995 para publicar meus Quadrinhos, e, principalmente, publicar os trabalhos dos amigos quadrinistas, que eu admirava. A repercussão da editora foi tão boa que mais autores foram se chegando à proposta e hoje formamos um elenco formidável. Não dá pra ficar esperando por leis protecionistas para os Quadrinhos brasileiros nem ficar lamentando o desprezo do mercado editorial. Como diz o ditado, quem quer faz, quem não quer, manda.

A Marca de Fantasia em pouco tempo se tornou a editora de Quadrinhos independentes mais produtiva e respeitada do Brasil. Você esperava crescer tanto? Qual o segredo para uma administração tão bem-sucedida? A editora lhe dá lucro ou você mais gasta do que ganha com ela?

Quando criei a editora o fiz a partir de um projeto editorial com três eixos: um fanzine (Top! Top!), uma revista de Quadrinhos poéticos (Tyli-Tyli-Mandala) e uma coleção de livros de tiras (Das tiras Coração). Logo esse projeto ficou pequeno para tantas propostas que surgiram e ainda surgem. Vieram os álbuns, os livros teóricos e outras coleções temáticas (Série Veredas, Coleção Corisco, Coleção Biografix, Coleção Quiosque, etc). Não esperava que a editora crescesse tanto, mas isso é natural, pois é fruto de um trabalho perseverante e da colaboração apaixonada dos autores. A editora não visa o lucro, mas também não pode se dar ao luxo de ter prejuízo. Ela se mantém em equilíbrio entre despesa e receita. A administração bem-sucedida deve-se à estratégia de produção que criei, de trabalhar com pequenas tiragens progressivas, de acordo com a demanda. Das capas em off-set são feitos 200 exemplares por vez, que serão refeitos, quando necessário.Desse modo eu evito um grande investimento para cada título e possíveis encalhes. Isso me dá a possibilidade de investir em outros títulos.

Quantos títulos a Marca já possui e quais os campeões de vendas?

Rapaz, nunca contei. Estou produzindo quase dois títulos por mês e o trabalho é tanto que não me sobra tempo pra olhar pra trás. Só de livros e álbuns, com registro de ISBN na Biblioteca Nacional, temos 80 títulos, fora as publicações seriadas, que são registradas com ISSN, como o fanzine Top! Top!, com 24 edições, a revista Mandala, com 13, a revista Quiosque, a Maria Magazine, enfim, preciso fazer essa conta. Os campeões de venda são A guerra das idéias, álbum de Flávio Calazans, e Katita, de Anita Costa Prado e Ronaldo Mendes.

Você podia ter usado a sua editora para publicar apenas seus próprios Quadrinhos, mas teve nobreza de espírito para publicar o trabalho de inúmeros outros autores. Como e por que tomou essa decisão?

Pela paixão pelos Quadrinhos e porque criei um círculo de amizade generoso. Cada autor que publico é ou se torna meu amigo do peito. Publicando-os, contribuo para a difusão dos bons trabalhos que talvez nunca viessem a público e enriqueço meu próprio universo pessoal. Acho que é isso que move os grandes empreendimentos, ou, ao menos, os mais antigos.

De todos os livros que você já publicou pela Marca, cite o que lhe deu mais satisfação. Aquele pelo qual você tem um carinho especial, sua “menina dos olhos”. E por quê?

Tenho um prazer enorme em ver tudo o que já publiquei. Não saberia escolher o que me dá mais satisfação. Sinto um orgulho danado de ter tantos jovens autores com trabalhos excepcionais no catálogo da editora. E tenho um carinho especial pelos mestres que estou editando, a exemplo de Shimamoto, Nilson, Edson Rontani. Ter o privilégio de tê-los na editora é uma prova do quanto eles são generosos.

Você, não contente em ser cartunista e editor/empresário bem-sucedido, ainda fez doutorado e virou professor universitário. Por quê? O ambiente acadêmico é outra paixão sua? Você dá aulas do que e onde?

Foi tudo tão natural que não me pergunto porque virei professor. Ao terminar a graduação em Comunicação Social na UFPB parti logo para fazer Mestrado em São Paulo, na ECA-USP. Isso me deu uma visão ampla de mundo, muito além de meu sublime torrão. No Mestrado estudei a história dos fanzines, algo inédito no país. Ao mesmo tempo fiz concurso para ensinar na UFPB. Fiquei lá e cá até 1990. Meu lado fanzineiro/editor contribuiu para a academia e a academia abriu as portas para meu lado editor. Depois do Doutorado em Paris, decidi criar a editora Marca de Fantasia, pondo em prática tudo o que vi e estudei. Na faculdade ensino a disciplina Laboratório de Pequenos Meios, que trata das publicações dirigidas, donde os fanzines são uma das vertentes. Enfim, está tudo ligado.

Você foi um dos primeiros a abrir espaço para os Quadrinhos no meio universitário e no acadêmico também. Foi mais uma atitude pioneira sua. Você acha que os Quadrinhos serão cada vez mais objeto de estudos nas escolas e universidades?

Eventualmente sou consultado via Internet por estudantes de todo o país a respeito de seus estudos sobre Quadrinhos e fanzines. Esses dois campos de pesquisa geram cada vez mais interesse nos estudantes, que os elegem como trabalho de conclusão de curso de graduação de Comunicação Social e de Artes. Por outro lado, professores universitários e alunos se reúnem em grupos de estudos e pesquisa sobre o tema. Ou seja, há cada vez mais interesse e reconhecimento da academia de que os Quadrinhos, como linguagem artística, são um campo ilimitado de investigação.

Quais são seus planos e projetos futuros? Você já fez tanta coisa, falta algum desafio pra você ainda?

Meu projeto é aperfeiçoar meu trabalho editorial alcançando o maior público possível. Junto com outros editores independentes, criar um circuito paralelo de difusão. Estreitar os laços com os quadrinistas latino-americanos e promover o intercâmbio.

Resuma em poucas palavras: quem é Henrique Magalhães?

Não sei. Tudo isso e um pouco mais!

O Bigorna.net agradece a Henrique Magalhães pela entrevista, concedida em 25/03/2008

Quem Somos | Publicidade | Fale Conosco
Copyright © 2005-2019 - Bigorna.net - Todos os direitos reservados
CMS por Projetos Web