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Entrevista: Eddy Barrows
Por Eloyr Pacheco
11/01/2008

Eduardo Barros assina seus trabalhos nos Estados Unidos como Eddy Barrows. Ao ser convidado para conceder esta entrevista para o Bigorna.net aceitou prontamente e a respondeu em um único dia, um dos poucos dias que não estava atolado na produção de HQs. Prolífico, mantém o ritmo de uma página por dia, mas confessa que gosta de desenhar capas. Humilde, gosta de ler as críticas sobre seu trabalho para buscar aperfeiçoá-lo. Nesta entrevista conheça um pouco mais sobre o ilustrador brasileiro que está despontando nos EUA e que, no momento, é o desenhista regular de Os Novos Titãs (Teen Titans). 

Como foi que surgiu seu interesse por Quadrinhos? Qual foi a primeira HQ que você leu?

Comecei a ler quadrinhos muito novo, eu tinha uns 4 ou 5 anos, não lembro direito, minha mãe gostava muito das histórias do Pato Donald, Turma da Mônica. Foi assim que eu tive meu contato com Quadrinhos. Minha primeira revista de super-herói, eu tinha 8 anos, foi no meu aniversário que um coleguinha na época me trouxe um exemplar da Tropa Alfa desenhada pelo John Byrne. Fiquei espantando com aquilo e desde então comecei a pedir para a minha mãe que comprasse revistas de super-heróis para mim.

Profissionalmente você começou fazendo ilustrações, não foi? Como foi sua transição para os Quadrinhos? Era um desejo seu?

Em 1997 eu e mais dois amigos criamos um estúdio especializado em ilustrações gráficas. Fazíamos trabalhos para várias editoras e agências de publicidade. Eu tinha o estúdio como um suporte financeiro para que eu pudesse me desenvolver e estudar um pouco mais a fundo como funcionava o mercado de Quadrinhos. Em 1999 fiz alguns testes para o Art & Comics e seis meses depois eu estava fazendo o meu primeiro trabalho para as editoras americanas.

Seria legal falar um pouco da sua formação: você é autodidata?

Apesar de ter estudado animação durante quase três anos, posso dizer que sou autodidata, aprendi a desenhar sozinho.

Quais são seus desenhistas preferidos e suas principais influências?

Meus desenhistas preferidos também são os que mais me influenciaram. No topo da lista estão John Buscema, Alfredo Alcala, Claudio Villa e John Byrne e, mais recentemente meus amigos, Joe Bennett e Ivan Reis.

Você mantém contato com o Joe e o Ivan constantemente? Vocês discutem a produção, os roteiros recebidos?

Não. Aliás, faz bastante tempo que não converso com os dois. Com o Ivan eu falei quando estive nos Estados Unidos na convenção de San Diego deste ano; já o Bennett tem uns dois anos que não trocamos idéias. Com quem mais eu converso são os meus editores (Dan Didio e Adam Schlagman), o Sean McKeever (roteirista) e o Rob Hunter (arte-finalista) e, lógico, o meu amigo e agente Joe Prado. São essas as pessoas que mantenho contato diário.

Como foi sua participação na San Diego Comic Con? Quem você viu lá que era um sonho seu conhecer pessoalmente?

Foi maravilhoso! Uma experiência incrível! Conheci vários artistas tanto no evento quanto no jantar de confraternização da DC Comics. Conversei com a Gail Simone, o Geoff Johns. Na convenção vi e conversei com vários artistas que admiro como Ernie Shan, desenhista do Conan dos anos 70 e 80; Ethan Van Sciver, Adam Hughes e Travis Charest. Numa sexta-feira o pessoal da DC me pôs para autografar ao lado do Jesus Merino e do Carlos Pacheco. Foi espetacular! Em abril vou estar na convenção de Nova Iorque.

Qual foi seu primeiro trabalho para os EUA?

Stone Cold para a extinta Chaos Comics.

Seu primeiro título regular foi G.I. Joe? Quanto tempo trabalhou nele?

Sim, fui desenhista regular da série G.I. Joe. Comecei a trabalhar na revista G.I. Joe Front Line e depois na G.I. Joe Reborn e na Cobra Reborn, onde desenhei a origem do Cobra. Trabalhei um ano e dois meses na série.

Qual foi o seu primeiro trabalho para a DC Comics? O que você fez até chegar aos Titãs?

Meu primeiro trabalho para a DC foi Bloodhound, depois trabalhei no Batman Secret Files 2005, Birds of Prey, Firestorm, 52, The All New Atom (meu primeiro trabalho regular na DC), Checkmate, Countdown to Adventure (fiz as capas a partir da edição 3) e finalmente os Novos Titãs, da qual também sou capista e desenhista regular.

Como está sendo a produção de Novos Titãs?

Minha produção é de uma página diária, mas sempre que necessário faço duas também. Hoje eu tenho que incluir as capas e mais alguns comissionados na minha lista de trabalho mensal. Para você ter uma idéia, já fiz mais de dez capas nos últimos cinco meses. Geralmente elas dão um pouco mais de trabalho que uma página interna, mas adoro desenhá-las.

Por que essa preferência pela produção de capas?

A capa é uma forma mais rápida e eficiente de divulgação, afinal ela vende a revista, então requer uma atenção especial, sinceramente eu me divirto muito quando trabalho nelas.

Como é a sua rotina diária?

Acordo às sete horas da manhã, tomo um café reforçado e às oito e meia já estou na prancheta desenhando. Tiro um intervalo de duas horas pro almoço e trabalho até às cinco e meia. Mas minha rotina muda caso eu tenha que desenhar alguma capa. Nesse caso tenho que fazer vários layouts, aguardar aprovação e só  então trabalhar nelas; aí meu tempo se prolonga bem mais que o normal, mas já estou me acostumando a essa nova rotina. No começo do mês de dezembro adiantei três capas dos Teen Titans, Countdown to Adventure #8 e mais uma do Green Lantern.

Dos trabalhos que você já fez, qual o seu preferido?

Teen Titans certamente é o meu melhor trabalho. Mudei um pouco meu estilo de narrativa e estou acrescentando coisas novas à minha arte, tenho uma liberdade maior do que tive em trabalhos anteriores, isso tudo tem influenciado no resultado final da obra.

Eu sou grande fã da “molecadinha”! Pena que o grupo tenha tido muitos altos e baixos. Sou mais fã das fases antigas, como O Contrato de Judas, desenhada pelo George Perez. Conhece?

Não, já ouvi falar, mas infelizmente ainda não li.

O que você lê de Quadrinhos atualmente?

Pouca coisa. De super-herói apenas o Superman, do Grant Morrison e Frank Quitely, e umas revistas informativas como Mundo dos Super-heróis e a Wizmania.

Você acompanha a publicação da sua produção nos EUA?

Com certeza. Acompanho não somente a publicação, mas também as críticas. Elas são fundamentais no crescimento de um artista, só assim percebo se estou no caminho correto.

Muito obrigado, Eddy, pela entrevista. Desejo que você continue firme sua carreira e que faça muito sucesso!

Muito obrigado, Eloyr. Agradeço de coração a oportunidade e desejo um feliz 2008 pra todos, fiquem com DEUS.

O Bigorna.net agradece a Eddy Barrows pela entrevista realizada por e-mail e finalizada em 21/12/2007.

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