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Entrevista: Marcio Baraldi
Por Eloyr Pacheco e Celso Freixo
01/07/2005

Combinar a entrevista com o Marcio foi assim: "Qual é o número dele, Celso?" "Deixa que eu ligo, Eloyr..." (...) "Baraldi?! É o Celso? Legal?! Vou passar o telefone para o Eloyr." "Qual é o número dele, Celso." "(Hein?!) É o seguinte (e diz o número)." "Belê, Celso! Até." "Ele vai te ligar, Eloyr. (Trrrimmm. Trrrimmm.) Pode atender que é ele." "Alô, Baraldi? É, é o Eloyr. Eu tô querendo te entrevistar." "Pode fazer as perguntas..."

Marcio Baraldi, como ele mesmo afirma nesta entrevista, é agitação pura, tal qual os personagens que criou. Divirta-se!

Eloyr Pacheco - São nove anos publicando na revista Rock Brigade. Ao que você atribui essa longevidade?

Bom, eu acho que sou o cara certo, fazendo o personagem certo pro público certo! No Brasil sempre teve muito roqueiro, o país tem um dos maiores públicos consumidores de rock do mundo, e aqui não existia um personagem roqueiro com o qual a galera rocker pudesse se identificar. Aí, como sou roqueiro também, foi tranqüilo bolar o Roko-Loko. Sou um cara bem-informado sobre o mundo Rock'N'Roll e assim posso fazer do Roko um personagem autêntico, legítimo e sempre atualizado. É isso que dá credibilidade ao Roko-Loko e, conseqüentemente, sua longevidade!

Celso Freixo - Como surgiram os personagens Adrina-Lina e Roko-Loko? São pura imaginação ou pessoas que você conhece?

Surgiram por obra do destino mesmo. Eu bolei apenas uma história com eles e ofereci para a Brigade, nem imaginava que virariam uma série, mas o pessoal da revista curtiu tanto que me obrigou a fazer uma HQ com eles todo mês (risos). E em pouco tempo o público os consagrou, a roqueirada me parava na rua pra cumprimentar pelas histórias!

Eu não me inspirei diretamente em ninguém, mas com o tempo fui percebendo que muito da personalidade que eu colocava no personagem era a minha mesmo, o Roko tem muita coisa do Marcio Baraldi, aquele idealismo, a boa-vontade para com as pessoas, o otimismo (beirando a ingenuidade), isso tudo veio da minha personalidade! Já a Adrina lembra um tipo de mulher que sempre aparece na vida de todos nós, aquela mulher mandona, folgada, ciumenta e passional, mas que pela personalidade forte acaba marcando a vida da gente. Todo mundo já teve uma Adrina-Lina em seu caminho (gargalhadas)!!

Eloyr - Como surgiu a parceria entre a Rock Brigade e a Editora Opera Graphica para a publicação de seus álbuns?

Bom, eu já publico o personagem na Brigade há anos e também presto serviço pra Opera Graphica há anos, sou muito amigo do pessoal de ambas as editoras. Então achei que a melhor coisa seria juntar o know-how específico de cada uma delas pra fazer o livro. A Brigade sabe tudo de rock e a Opera manja tudo de fazer álbuns de quadrinhos caprichados, então juntei a competência de cada uma delas e fiz uma parceria histórica pra lançar esses livros, que pra mim, são lançamentos históricos também!

Eloyr - Modesto você, hein?! (risos) O fato do material estar pronto (os álbuns são coletâneas do que você publica na Rock Brigade) facilitou a produção das coletâneas? Houve alguma interferência dos editores, ou o projeto é todo seu?

O projeto é todo meu! Eu seleciono as histórias, as coloco em ordem cronológica, faço o projeto gráfico, os agradecimentos, bolo todos os detalhes do livro, da primeira à última página. As editoras me dão o apoio e estrutura pra realizar essa empreitada toda: redatores, diagramadores e outros profissionais maravilhosos, os quais, sem eles, o livro não sairia.

O fato do material já estar pronto, de ser uma coletânea, ajuda um pouco, mas mesmo assim, editar um bom livro sempre dá um trabalho do cão!

Celso - Como colecionador de quadrinhos de super-heróis, você nunca pensou em criar algum, ou você já criou e nunca publicou?

Boa pergunta! Quando eu era adolescente meu sonho era desenhar super-heróis pra Marvel, mas naquela época (começo dos anos 1980) isso era inviável no Brasil; ainda não existia o "Art e Comics" e o mercado americano de quadrinhos provavelmente nem conhecia desenhistas brasileiros. Então eu desencanei dessa idéia e arrumei emprego como chargista na imprensa sindical e acabei construindo um carreira sólida como desenhista de humor. Mas eu tenho zilhões de super-heróis engavetados em casa dessa época de adolescente, além da minha coleção de gibis do tempo de moleque que eu guardo e, volta e meia, releio com o maior carinho!

O Brasil teve muitos super-heróis bacanas nos anos 1960 e 1970, os meus preferidos eram o Fikom e o Golden Guitar, eu os considero extremamente originais e absolutamente GENIAIS! Só pela história da origem do Fikom, Fernando Ikoma (o criador do personagem) já entrou pra história da HQ mundial como um gênio!

Outro super-herói dos anos 1970, desta vez de humor, que eu adorava era o Big Músculus, do ilustrador Edu, outro gênio também!! Mas aquela época revelou muitos artistas maravilhosos como Rodolfo Zalla, Collonese, Osvaldo Talo, Getulio Delphin, Luiz Saidemberg, Nico Rosso, entre outros, além do mestre dos mestres, Jayme Cortez! Foi um período de ouro para o quadrinho nacional, uma espécie de "Golden Age" brasileira!

Eloyr - Acontece de às vezes faltar inspiração para produzir e o prazo de entrega está estourado. Isso ocorre com você? Como você se vira nessa hora?

É pra isso que eu já sou devoto de Santo Expedito, o santo da última hora (risos)!! Faço aniversário pertinho do dia dele! Brincadeira, eu tenho que ser extremamente disciplinado pra não furar com nenhum editor, não dá pra faltar inspiração, depois de tantos anos de prática a gente já tem uma fluência de idéias e agilidade pra produzir. Mas em último caso todo desenhista tem uma gaveta com cartuns de emergência, os famosos "Planos B" (risos)!

Celso - Você mencionou ser roqueiro, mas só pelo fato de publicar na Rock Brigade e pelo "conteúdo" dos seus personagens, nem precisava. Quando você está produzindo quais músicas você ouve?

Quando eu estou criando a piada, ou o roteiro da HQ eu não ouço absolutamente nada, só minha mente. Se eu botar uma música nessa hora me desconcentra, mas na hora de finalizar o desenho, passar a tinta, aí sim, eu posso ouvir música à vontade que não me atrapalha.

O que toca sempre na casa do Baraldão é New Model Army, Clash, Queen, Kiss, Motorhead, Doors, Stray Cats, pós-punk, hard-rock, metal e muuuuuuito punk 77! Enfim, música agitada para um cartunista agitado! (risos)

O Bigorna agradece a Marcio Baraldi pela entrevista (concedida em 5 de novembro de 2004).

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