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Resenha: Derrotista
Por Matheus Moura
23/03/2007

Os Quadrinhos, como muitos já sabem, é um excelente veículo para a propagação de idéias, as quais, muitas vezes, são de cunho político. Tema esse abordado com maestria por Moacy Cirne no ótimo livro Uma Introdução Política aos Quadrinhos, de 1982. Entretanto, não só de "incucação" ideológica vivem as HQs. Já é notório o quão viáveis elas são para contar histórias reais e biografias, como em Maus, de Art Spiegelman, e Persepólis, de Marjane Satrapi.

Dentre essas formas de se fazer HQs há um sujeito que se destaca por ter criado um estilo próprio que hoje já é bastante difundido no meio, o chamado New New Jornalism, ou melhor, o Novo Novo Jornalismo - a reportagem em Quadrinhos -, e esse autor é Joe Sacco. Nascido na ilha de Malta em 1960, foi para os EUA nos anos de 1980 e se formou em jornalismo. Logo após esse período de tempo editou sua primeira revista, Portland Permanet Press; entretanto, somente algum tempo depois que foi receber qualquer tipo de atenção quando criou a revista Yahoo, publicada pela editora Fantagraphics.
 
Muito desse material foi reunido pela Conrad Editora no álbum Derrotista, lançado em 2006, com 224 páginas, no formato 18 x 27 cm, e ao preço de R$ 38,00. A publicação segue as características da editora quando esta quer dar um acabamento de luxo a um livro. Verniz na capa, orelhas com informações úteis, sumário e uma introdução escrita pelo autor, na qual é comentado este lançamento. Interessante o que Sacco diz sobre o título desta. Para aqueles que já tenham tido contato com alguma coisa do autor, não irão se impressionar com os traços aqui apresentados. É tudo muito familiar, mostra que a técnica de desenho dele - usada hoje – já vem desde quando começou, além de justificar a veia caricatural do autor. Tudo muito bem detalhado, abusando de hachuras e sombras. Os cenários são muito bem construídos e sempre há perspectivas inusitadas nos quadros.
 
Nesta coletânea são apresentado, como já mencionado, vários trabalhos de Sacco na sua época de tirista, porém há muitas histórias autobiográficas que contam sua vida após o término na faculdade de jornalismo, suas viagens em turnê pela Europa com uma banda de rock, a passagem dele como bibliotecário e outras. Uma das histórias mais interessantes, e que se destoa da maioria, é o relato da mãe de Sacco sobre o bombardeio à Malta feito pelo exército de Mussoline. Dentre os contos de guerra que consagraram o autor com os álbuns Palestina e Gorazde (ambos lançados pela Conrad) há também sua experiência sobre a Guerra do Golfo, apesar de ele não ter ido ao front presenciá-la, acompanhou-a pelos meios de comunicação e foi influenciado por estes, como demostrado na história Como amei a guerra. Tudo com seu humor peculiar, ácido e sarcástico.
 
Este álbum, como uma forma de apresentação de um autor já firmado no cenário mundial e ganhador de vários prêmios: America Book Award (1996), Tournesol no Festival de Angoulêne (1999), HQ Mix (2000, 2002), Eisner Awards (2001) e VPRO Grand Prix Award do Stripdagen Haarlem Festival (2002), é uma ótima pedida. Só não é melhor que Palestina e Gorazde, mas vale a pena conferir.

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