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Audrey Hepburn eleita a mais bonita da história do Cinema
Por Ruy Jobim Neto
13/02/2009

A agência Efe, de Paris, informou o mundo todo na última quarta-feira (dia 11), sobre a eleição de 2000 cinéfilos leitores da revista Vogue. A atriz belga Audrey Hepburn, que nasceu em 1930, foi eleita a atriz mais bela do Cinema de Hollywood (vejam os links com ela, na biografia abaixo). Atrás dela, estão beldades como Angelina Jolie (em segundo), e Grace Kelly (em terceiro) e uma leva de mulheres lindas que inclui desde Catherine Zeta-Jones a Sophia Loren (Loren, embora italiana, fez filmes em Hollywood), além de Keira Knightley (britânica), Cameron Diaz, Julia Roberts, Brigitte Bardot (francesa), Jennifer Aniston, Elisabeth Taylor, Scarlett Johansson, Michelle Pfeiffer, Liv Tyler, Nicole Kidman, Halle Berry (o curioso é que faltaram nomes como o de Winona Ryder). Marilyn Monroe, por sua vez, foi eleita pela sensualidade e Sophia Loren pela elegância. Na realidade, os leitores que mais lembraram Angelina Jolie e votaram nela são os mais jovens. A razão de Audrey vencer, o que seria muito previsível, eram os belos olhos amendoados e seu corpo, além de sua mágica movimentação diante das câmeras, e não somente em fotos still. Daí a beleza atemporal de Audrey.
 
Um pouquinho de Audrey
Ela nasceu em Ixelles, na Bélgica e cresceu na Holanda durante os duros anos da II Guerra Mundial. Dizem que talvez a magreza (diríamos elegância) de Audrey teria vindo dos períodos de fome na época da invasão nazista. Audrey muitas vezes foi, sozinha e de bicicleta (costumeiro veículo de transporte na Holanda, diga-se de passagem) levar mensagens secretas aos aliados, o que era perigosíssimo para uma garotinha, o que incluía ter de passar por tropas nazistas no meio do caminho. Indo com a família para a Inglaterra, Audrey foi estudar balé logo se tornou modelo profissional. Das passarelas para o Cinema britânico foi um pulo. Com a beleza luminosa de seu rosto e sua elegância, Audrey foi fazendo papéis em pequenos filmes ingleses até que um olheiro de Hollywood, em Londres, atentou para a moça, pois precisavam de um rosto novo para uma produção de William Wyler.
 

Audrey em A Princesa e o Plebleu

Na época do Plano Marshall para a Europa, a reconstrução do pós-guerra, e o dinheiro americano entrando a rodo, via cinema (inclusive) na Itália, Audrey passou no teste (feito nos Estados Unidos, ela atravessou o Atlântico) e voltou ao continente europeu para rodar em Roma o belíssimo e delicioso Roman Holiday (mais conhecido como A Princesa e o Plebeu), contracenando com Gregory Peck, ambos sob a direção de William Wyler, o mesmo que rodou Ben-Hur, com Charlton Heston (em Cinecittá). Foi o Oscar de Audrey Hepburn, em 1953, com ela aos 23 anos de idade. Daí em diante foram os grandes sucessos: a pequena obra-prima Sabrina (dirigido por Billy Wilder, a primeira colaboração dos dois, em 1954, contracenando com Humphrey Bogart e William Holden), o grandiloquente e magnífico Guerra e Paz (direção de King Vidor, em 1956, com Henry Fonda e grande elenco), o insosso porém divertido Funny Face (musical de Stanley Donen, recheado por canções dos irmãos George & Ira Gershwin, e pelas coreografias de Fred Astaire, em 1957), o belo Amor na Tarde (a outra colaboração com Billy Wilder, rodado em Paris em 1957, com Gary Cooper no elenco) e o dramático e contido Uma Cruz à Beira do Abismo (Nun's Story), com firme direção de Fred Zinnemann, rodado no Congo e na Holanda em 1959, em que ela interpreta uma freira colocada em dúvida.
 
Na década de 60, Audrey, que já vinha fazendo grandes filmes, explode em sucesso. Se em 1960, foi dirigida por John Huston no estranho The Unforgiven, com Burt Lancaster e Lilian Gish (um dos maiores ícones do cinema mudo) no elenco, foi em 1961, que a bela Audrey chega ao topo. Blake Edwards filma a adaptação de Breakfast at Tiffany's, novela (pequeno romance) de Truman Capote, e a música de Henry Mancini, Moon River, ganha o Oscar de Melhor Canção. Capote estava no auge, Edwards ainda era um diretor em busca de um grande filme e todos se encontraram. Audrey era a alma desta película, sem dúvida, ela deu vida a uma versão mais light da personagem Holly Golightly, mais do que a que tinha sido criada originalmente por Capote, que parece ter detestado o filme, mas acompanhou as filmagens em Nova York. No elenco, Mickey Rooney, Buddy Ebsen, Martin Balsam e George Peppard. Pode-se dizer que todos apareceram ali, alguns como Rooney reapareceram, Mancini explode em sucesso (mesmo depois de Peter Gunn e Mr. Lucky, na TV americana) e Audrey simplesmente vira ícone. Blake Edwards já tinha feito muita coisa até Bonequinha de Luxo (como o filme se chamou no Brasil), mas foi aqui que ele se mostrou um cineasta de peso. Audrey canta Moon River, ao violão, numa das mais belas cenas do filme, com sua própria voz e, em virtude disso, ela pediu para que Henry Mancini não colocasse a faixa no LP da trilha sonora. O compositor, ainda que tentasse convencê-la do contrário, atendeu graciosamente ao pedido da estrela. Mancini tinha ouvido a voz da atriz em Funny Face e compôs Moon River para a extensão vocal dela, e sempre teve para si, em depoimentos que concedeu, que Audrey sempre foi, de todas, a mais bela das gravações de seu hit musical. Audrey está com 31 anos, nessa altura.
 
A sequência de filmes ainda traria The Children's Hour, outro filme com o mestre Wyler, com texto de Lilian Hellmann, em 1961, ao lado de Shirley McLaine e James Garner. Audrey fez uma dupla de filmes com Stanley Donen (o mesmo diretor de Cantando na Chuva e Funny Face), sendo o primeiro o maravilhoso Charade (Charada), em 1963, novamente com música deliciosa de Henry Mancini, diálogos mirabolantes, um roteiro engraçado e cheio de reviravoltas, além de um elenco estelar composto por Cary Grant, Walter Matthau, James Coburn e George Kennedy, algumas locações em Cortina D'Ampezzo, nos Alpes italianos e a grande maioria das cenas rodadas em Paris. Depois rodou outro o bobinho Paris Quando Alucina (sob direção de Richard Quine), tendo no elenco William Holden, tentando repetir o êxito de Sabrina. Nem de longe. Mesmo assim, o nome de Audrey estava associado a Paris e a Hubert De Givenchy, cujos figurinos ela vestiria na maior parte de sua carreira no Cinema.
 
Mas em 1964, Audrey novamente explode. É o ano de My Fair Lady, um dos maiores musicais de todos os tempos, libreto e músicas maravilhosas de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe (a partir de Pygmalion, de George Bernard Shaw e das lendas gregas), sob a direção magistral do sofisticadíssimo mestre George Cukor. O musical de sucesso estrondoso na Broadway e no West End londrino com Julie Andrews no papel da florista "cockney" Eliza Doolitle e Rex Harrison imbatível como o professor Henry Higgins foi para as telas, rodado nos estúdios da Warner, sob supervisão direta do chefão Jack L. Warner (que finalmente mostrava suas garras de "homem de Cinema"). Audrey foi a escolhida para brilhar como estrela do musical. Sua voz foi dublada por Marnie Nixon, que não está creditada no filme. A moça, apesar da beleza do filme, do seu papel carismático, perdeu o Oscar para a preterida Julie Andrews, que no ano seguinte fez Mary Poppins, da Disney, em que acabou levando a estatueta que não ganhou por A Noviça Rebelde.
 
Os anos seguintes, já com Audrey na faixa dos 30 anos, trouxe comédias como a deliciosa Como Roubar Um Milhão de Dólares, de 1966, uma fábula bem contada por William Wyler, ele, de novo. No elenco, Peter O'Toole, que tinha acabado de vir do megasucesso Lawrence da Arábia, de David Lean. E, claro, Paris era o cenário. Realmente é uma comédia bem sucedida, muito divertida. Em seguida, Stanley Donen (uma vez mais) contrata a moça, desta vez para Uma Estrada Para Dois. O filme tem Audrey contracenando com Albert Fiiney, um drama lírico e romântico, música de Henry Mancini, mas por algum motivo, não pegou. Terence Young, que tinha feito alguns filmes de James Bond, a escalou para Wait Until Dark, um drama de suspense em que ela fazia uma cega, baseado em peça de teatro escrita por Frederick Knott (o mesmo autor da peça e do roteiro para o filme de Hitchcock Disque M para Matar). A música mais uma vez foi de Henry Mancini, um belo tema, aliás. Aqui no Brasil, no teatro, foi a atriz Mayara Magri que interpretou o papel da cega dentro de um apartamento, em perigo.
 
A década de 70 trouxe dois filmes, um tanto lamentáveis. Robin e Marian, de 1976, dirigido pelo inglês Richard Lester, com Sean Connery no elenco, ambos nos papéis-título, a história medieval dos aventureiros de Nottingham. Sean Connery, curiosamente, faria anos mais tarde, o papel do Rei Ricardo I Coração de Leão, contemporâneo de Robert de Locksley, dito Robin Hood. Audrey faria uma história de Sidney Sheldon, em 1979, aos 49 anos, A Herdeira, sob direção novamente de Terence Young. Sua última, linda e luminosa aparição no Cinema foi mesmo em Always - Além da Eternidade, de 1989, o belo filme de Steven Spielberg em que ela, chamada "Hap", contracena com Richard Dreyfuss. No elenco também estavam Holly Hunter e John Goodman.
 
Audrey Hepburn, nascida Audrey Kathleen Ruston, era filha de um banqueiro inglês bem sucedido, de sangue azul. A mãe era uma duquesa da Holanda. Audrey se casou com o ator Mel Ferrer, em 1954, de quem se divorciou em 1968 e com quem tem um filho. Depois se casou novamente, com Andrea Dotti, um médico. Era fluente em Inglês, Espanhol, Francês, Flamengo-Holandês e também em Italiano. A ela foram oferecidos papéis como em Cleópatra (ficou com Elisabeth Taylor), Nicholas & Alexandra (que foi dirigido por Franklin J. Scahffner), e recusou papéis em filmes como O Diário de Anne Frank, baseado na peça de Frances Goodrich e Albert Hackett, com certeza devido ao que passou na Holanda, durante a ocupação nazista, em que dançava balé para juntar dinheiro em prol dos esforços de guerra. Audrey Hepburn, nos últimos anos de vida foi embaixatriz da UNICEF nos países mais atrasados do mundo. Ela veio a falecer na Suíça, em 1993, de câncer do cólon.

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