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Mestres do Quadrinho Nacional: Nair de Teffé
12/09/2005

Nair de Teffé

O Brasil tem uma tradição muito importante nas artes gráficas. Afinal, nosso primeiro quadrinhista, Angelo Agostini, produziu sua primeira HQ com personagem fixo e episódios seqüenciados já em 30 de janeiro de 1869. Mas, muito antes, em 14 de dezembro de 1837, era publicada a primeira caricatura, no Jornal do Comércio, criada por Manoel de Araújo Porto Alegre. Mas quem seria nossa primeira artista gráfica? Ela foi Nair de Teffé ou a popular Rian.

Nair de Teffé nasceu em 10 de junho de 1886 no Rio de Janeiro, filha do almirante Antonio Luiz Hoonholtz, o barão de Teffé. Partiu para o sul da França, Nomidi, com um ano de idade. Cresceu e estudou na Riviera e aos nove anos fez sua primeira caricatura. Em Paris estudou no curso de pintura de Madame Lavrut e modelo vivo no Cour Julien.

De volta ao Brasil, fixa-se em Petrópolis, e por volta de 1906-07, inicia sua carreira fazendo caricaturas das personalidades da alta sociedade carioca, que expunha semanalmente, ora no cavalete da Casa Davi, ora na vitrine da Chapelaria Watson, na Rua do Ouvidor.

Em 11 de julho de 1909 publica sua primeira caricatura, A Artista Rejane, na revista Fon-Fon. Um ano depois, a partir de 13 de agosto de 1910, publicou na mesma Fon-Fon, A Galeria de Elegâncias, com todos os grandes nomes do "set" feminino do momento. Em 08 de outubro de 1910 fez a série Galeria das Damas Aristocráticas, iniciadas em cores na revista Careta, e entre setembro e dezembro do mesmo ano publica, na Gazeta de Notícias, A Galeria dos Smarts, com as personalidades masculinas da época.

Também em 1910 as revistas francesas Fantasie, Femina, Excelsior e Le Rire publicam seus trabalhos. Realiza uma exposição individual em junho de 1912 no salão do Jornal do Comércio, onde reuniu duzentas caricaturas. Essa exposição foi inaugurada pelo próprio Presidente da República e futuro marido da artista, marechal Hermes da Fonseca.

Seu casamento com o marechal se daria alguns meses depois, em 06 de janeiro de 1913. Depois, suas aparições na imprensa se tornaram mais esporádicas, como na Revista da Semana em 09 de março de 1912 e 14 de fevereiro de 1914, onde foram publicados retratos e inclusive uma capa. Como primeira-dama da Nação, fez uma grande travessura: na ocasião de uma reunião do Ministério, desenhou na roda de seu vestido de gala as caricaturas de todos os Ministros da República.

Count de Affonso Celso, por Rian

Em 1914 Hermes da Fonseca deixa o governo e, anos depois, o casal viaja para a Europa, onde Rian realizou algumas exposições. Publicou ainda charges, em 1922, no livro de crônicas de Otto Prazeres: Petrópolis, a Encantadora. Depois fez uma capa em cores para a Fon-Fon em 22 de janeiro de 1922. Também publicou na Revista da Semana trinta "cabeças" de personalidades, como a do próprio Hermes da Fonseca, Nilo Peçanha, Epitácio Pessoa e outros, e em 11 de abril de 1925, na mesma revista, publicou um croqui da bailarina Naruna Corder.

Após a morte de Hermes da Fonseca, em 1923, Nair de Teffé se confinou em um pequeno sítio nos arredores de Niterói, tendo adotado três crianças, vivendo de uma modesta pensão militar. Só a partir de 1955 é redescoberta pela imprensa e, em 1959, Herman Lima consegue um inesperado renascimento de sua arte. Rian redesenha seis de suas caricaturas, inclusive A Artista Rejane, que foram incluídas na coleção História da Caricatura no Brasil.

Faleceu em 1981, aos 95 anos, no mesmo dia de seu nascimento, e foi enterrado ao lado de Hermes da Fonseca. Hermes Lima a considera (e não temos razão nenhuma de questionar essa afirmação) a primeira caricaturista do mundo.

Centro Artístico Rian

Em homenagem a Nair de Teffé foi inaugurado, em junho de 1982, o Centro Artístico Rian. A partir da iniciativa de Jal e Gualberto, entre outros, o objetivo do Centro era "dar apoio legal, jurídico e operacional na luta pela valorização do artista gráfico". Mas não só as artes gráficas foram valorizadas durante sua existência. Suas atividades incluíram também as artes plásticas e cênicas. E, é claro, História em Quadrinhos.

Foram realizados vários cursos naquele espaço cultural: pintura, desenho, literatura, modelagem, gravura, HQ, teatro e desenho animado foram ensinados lá por profissionais e estudiosos de cada área. Houve também exposições e palestras sobre as várias formas de expressão artística. Porém, como tudo no Brasil carece de investimento, o Centro Artístico Rian foi se mantendo apenas com recursos próprios até que, em junho de 1983, foi fechado. Mas com a certeza de ter cumprido seu papel de colaborar na divulgação da arte e deixar viva na nossa memória o trabalho da caricaturista Nair de Teffé.   

Clique aqui e conheça a galeria de Nair de Teffé no site do Museu Histórico Nacional.

Por Worney Almeida de Souza
Artigo publicado originalmente na revista Pau Brasil #3 (1993) e transcrito com autorização do autor.

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