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Resenha: Che – Uma biografia
Por Matheus Moura
31/01/2007

Hoje símbolo de uma rebeldia juvenil, Che Guevara não mais consegue impor a força realmente revolucionária que um dia seu nome invocou. Como mais um produto do sistema por ele combatido com fervor em meados de 1960, Che chegou a Coréia pelas mãos de Kim Yong-Hwe através de extensa pesquisa, como o próprio autor faz questão de frisar na introdução do álbum lançado a pouco mais de um mês pela Conrad Editora em formato 14 x 21 cm, 248 páginas ao preço de R$ 23,50.

O manhwa começa com um paralelo de Che com Neo do filme Matrix e como hoje o ideal de um homem pode ser subvertido. Após uma rápida passagem explicativa sobre o ícone Che, tem início propriamente dito da narrativa sobre a vida e morte deste homem que marcou profundamente a história de um país, um continente e do mundo, se pensarmos em quão importante foi a lição deixada por ele. A respeito da narrativa empregada pelo autor, ela é fluida e simples, com enquadramentos que não fogem do tradicional, conservam marcas latentes da cultura oriental “quadrínhica”, por exemplo: expressões de felicidade e tristeza bastante acentuadas. O autor vira-e-mexe faz paralelos com alguma coisa de seu próprio país, nos jogando na cara para quem foi feita a HQ.

Algo um tanto incomum é o resumo do capítulo ao final do mesmo. Desnecessário, ainda mais quando o resumo não corresponde fielmente ao que foi contato; é o caso do último capítulo que narra a queda do guerrilheiro na Bolívia. Na história é mostrado Che carregando um companheiro ferido e por conta deste é atrasado e recebe um tiro na coxa; no resumo é dito que Che recebe um tiro na coxa por conta de uma emboscada e é capturado juntamente com dois comparsas que o carregam. Um outro aspecto fraco do texto é o friso no que tange as motivações de Ernesto Guevara, é colocado como sendo a miséria, a subsistência do povo como sua motivação principal, não o bem estar em geral não limitado pelo sobreviver, a opressão do capital é mencionada, claro, mas como sendo uma das preocupações, não a preocupação.

Na parte gráfica, o encadernamento ficou de primeira; com esse lançamento a Conrad superou-se a respeito de mangás/manhwas. As imagens do lado de dentro da capa, contra-capa e nas páginas brancas que marcam o fim de cada capítulo foram uma boa idéia e enriquecem mais a obra. Diferente do filme de Walter Salles, Diários de Motocicleta (2004) - que narra a trajetória de Che, pela América do Sul, antes de se tornar guerrilheiro -, o manhwa se limita a um capítulo da viagem, dando mais ênfase à transformação do médico argentino em combatente do socialismo. A obra escrita, assim como sua prima em película, não podem ser tomadas como fonte única para uma pesquisa a respeito da vida do personagem, mas concedem um vislumbre, que seja, do caráter e aventuras deste que é um dos maiores heróis do século XX. Agora falta lançarem a obra de 1968 do artista Enrique Breccia (Lovecraft), com roteiro de Héctor Oesterheld (El Eternauta). Fica a dica.

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