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Resenha: Coração de Tinta
Por Cadorno Teles
02/06/2009

Meggie é filha de um restaurador de livros antigos, Mortimer Folchart, um apaixonado pela leitura que, contudo, nunca lê nada em voz alta. Mo, como é conhecido pelos amigos e parentes, vive o drama de ser um Língua Encantada, uma pessoa com o incrível dom de tornar real qualquer objeto ou os personagens de um livro bastando ler o trecho em voz alta, com o preço de algo do mundo real desaparecer em troca daquilo que foi trazido do livro. Algo que descobriu tarde demais, ao ler o livro Coração de Tinta para Meggie, os vilões do livro ganharam vida e, em troca, a esposa de Mo foi parar dentro da ficção. Desde este dia nunca mais leu nada em voz alta e procura há anos uma edição do livro, de sebo em sebo atrás de recuperar sua mulher daquela prisão e se escondendo do terrível Capricórnio, o maléfico personagem que deseja tirar proveito do poder de Mo.

O enredo descrito é do livro Coração de Tinta (Inkheart, tradução de Sonali Bertuol, Companhia das Letras, 456 paginas, R$ 42,00), escrito pela alemã Cornelia Funke, considerada uma das cem pessoas mais influentes do mundo pela revista Time, uma homenagem à literatura, a fantasia, a história dentro de uma história. Claramente vemos a influência A Hstória sem Fim (1984), do diretor alemão Wolfgang Petersen para o universo de Mundo de tinta, uma ambiciosa e intrincada trilogia que se inicia com esse volume. Coração de Tinta é um livro sobre livros, que coloca em cada capítulo uma citação de um clássico, como O Mágico de Oz, Peter Pan, O Hobbit, Big Friendly Giant de Roald Dahl entre outros. Cornelia usa as citações levando em conta os livros que estão por trás de seu Coração de Tinta, relacionando com que acontece no capítulo, dando aos personagens e às situações do seu texto uma homenagem a quem fora mencionado.

A narrativa possui muitas reviravoltas, em meio a perseguições inesperadas. O suspense e a tensão estão em cada página, o vilão Capricórnio e seus comparsas sempre a frente de tudo. Os personagens estão descritos tanto em seu aspecto como em sua personalidade. A protagonista, Meggie, não é uma dessas mocinhas de outros tantos romances, não é tão perfeita, sendo capaz de desejar a morte de outras pessoas e não se arrepender. Entre os demais personagens chamam a atenção Fenoglio, o autor do livro na história, no inicio fascinado e depois horrorizado pelo que criou, e, sobretudo, o Dedo empoeirado, covarde, atormentado, egoísta, tão interessado em regressar a seu lugar que não se importa com o que faz para conseguir seu intento. Os vilões: Capricórnio, Sombra, Basta ou Mortola, arquétipos comportamentais, estão descritos com uma destreza que inquieta. Outro destaque é o tratamento da realidade, da vida e da morte, sem dissimular a ambigüidade do comportamento humano, capaz do pior e do melhor. Uma trama por vezes ingênua, sensível, inclusive previsível, mas que se compensa pela ação, pela aventura e pelas emoções que seus protagonistas enfrentam.

Ilustrado pela própria Funke, uma amostra de como é sua visão de mundo, que, curiosamente, não desenha nenhum personagem humano, somente paisagens e demais personagens não humanos. Uma viagem pelo mundo da literatura infanto-juvenil, uma jornada que se inicia, pelas aventuras de Meggie e Mo, mas também pelo grande número de informações que cada página. Recomendo todo mundo a ler. E aguardemos os dois outros títulos, Sangue de Tinta e Morte de Tinta.


A Autora

Nasceu em Dorsten, na Alemanha, em 1958, e é hoje um fenômeno da literatura infanto-juvenil no mundo todo. Em 2005, foi eleita uma das cem pessoas mais influentes do mundo pela revista Time. Formada em pedagogia, trabalhou como ilustradora de livros infanto-juvenis, até começar a escrever suas próprias histórias. É ganhadora de prêmios dentro e fora de seu país. Autora de O Senhor dos Ladrões e O Cavaleiro do Dragão.

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