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Resenha: Quando as panteras não eram negras
Por Cadorno Teles
06/10/2008

Trazer uma história, nos moldes de uma fábula, para um público acostumado com Harry Potter, Desventuras em série ou Gossip Girl, é uma tarefa difícil. E o escritor ítalo-mexicano Fábio Morábito consegue em Quando as panteras não eram negras (Cuando las panteras no eran negras, tradução de Sérgio Molina e Rubia Prates Goldoni, 112 páginas, R$ 29,00, Editora 34): transporta o leitor para as savanas africanas, em meio a gnus, búfalos, guepardos e leões numa aventura que envolve uma jovem pantera.

Em meio à luz da savana, dominada pelas partidas de caça dos felinos, à escuridão da selva, com sua sombriedade, o autor cria uma jóia literária, uma história inesquecível, que poderia ter trilhado o caminho descritivo-documentário de outros que se aventuraram pela África, mas ficaram deslumbrados com a paisagem do local e esqueceram do fio condutor de sua narrativa. Pelo contrário, Morábito faz do cenário uma moldura fantástica, como um artista, só que pincela humor, esperança, liberdade e desafio, para narrar uma história que se necessita vencer as verdades impostas para se transparecer numa nova forma de ser. Uma fábula moderna sobre a busca de identidade, com enredo forte, lirismo e musicalidade.

Numa narrativa simples, Morábito usa sua prosa premiada para se servir da riqueza das imagens que cercam a savana africana para contar a história de uma jovem pantera órfã, que vivia com um bando que não tinha identidade, tentavam imitar os leões que moravam próximos. Diferente das demais, a órfã gostava de subir nas árvores e dá uma boas risadas, o que gerava um desdém e reprovação da parte da considerada líder do bando, que todos a chamavam de "a colérica" e os mais jovens de "a quadrada". A órfã, que perdeu a mãe após a luta com um búfalo, segue então seu próprio instinto e, guiada por outro bando de panteras, que por sinal, são muito mais silenciosas, se aventura por uma longa viagem que a levará para longe das savanas, numa jornada cheia de mistérios e revelações.

Uma bela edição, bem caprichada, com uma ótima tradução e que possui ilustrações de Ulysses Bôscolo, que dão ao livro uma atmosfera única, Recomendável para todos os gostos.

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