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Entrevista: Cortizo
Por Eloyr Pacheco
20/03/2009

José Cortizo Junior, ou simplesmente Cortizo, é um dos destaques nos fotologs dos Quadrinhistas Independentes. Sua arte chama sempre a atenção. Ele também está trabalhando na criação de um grupo de personagens que promete movimentar o mercado editorial alternativo. Nesta entrevista concedida por e-mail, Cortizo comenta sobre seus Quadrinhos preferidos, suas influências, como vê o mercado nacional de HQs e seus planos para A Tribo.

Essa eu faço pra todo mundo: como surgiu seu interesse por Histórias em Quadrinhos?

Bom, antes de ler Quadrinhos de super-heróis, o que me chamava atenção era Conan. A arte do John Buscema era espetacular e as capas do Norem eram impressionantes naquele formato revista. E o engraçado é que como tinha uma leve nudez, eu acabava por não deixar as revistas muito a mostra em casa. Então organizava minha coleção que mais tarde troquei por outras. Nesse meio tempo eu já adorava desenhar e só mais tarde tive contato com as HQs de heróis. E foi por causa de Guerra nas Estrelas que saía no Hulk. Aí veio Rom, o próprio Hulk, Homem Aranha, Demolidor e então, o que me fez mesmo cultuar Quadrinhos: X-Men e Dias de um futuro esquecido!! Essa me fisgou mesmo!!

Dias de um futuro esquecido é um clássico!!

Pois é, e foi por volta dessa edição de Superaventuras Marvel, se não me engano, que li uma do Demolidor que só veio ajudar a curtir a Marvel.

Quais seus quadrinhistas preferidos?

Como já faz muito tempo de contato com HQs minha lista é imensa mas aqueles que me influenciaram foram sem dúvida John Buscema e John Byrne. Depois conheci David Mazzuccheli e seu traço realista. Aí coloco na lista John Romita Jr, Adam Hughes, Jim Lee, Frank Frazzeta, Frank Miller, Rick Leonardi, Juanjo Guarnido (de Blacksad), Pietro Dall’Agnol e mais alguns artistas de Dylan Dog, Deodato, Enrico Marini de Rapina, Bruce Timm, Shirow Masamune e um artista que considero dos mais bacanas é o Marc Silvestri. Foi um cara que ficou um pouco à sombra do Jim Lee, mas sempre o considerei muito, mas muito melhor. Na verdade essa é um tipo de lista que sempre muda e aumenta. Muita gente fica de fora mas acredito tê-los assimilado no meu traço mesmo que minimamente. Ah e tem um artista em especial, que não foi quadrinhista, mas eu o considero um dos melhores e mais prolíferos artistas brasileiros senão do mundo: J. Carlos. Esse era danado...

O grande ilustrador J. Carlos!! As capas dele nas revistas O Cruzeiro e Careta são sensacionais!

Quem não conhece deveria “ganhar” um tempinho e estudar o cara.

Qual a sua formação?

Bom, pra variar foi tudo na raça, ou melhor, tem sido. A maioria dos artistas brasileiros de Quadrinhos são autodidatas. Isso ajuda muito, mas sinto falta de um guia, um direcionador pra tornar o aprendizado mais rápido, com menos curvas. Talvez encontrasse isso se tivesse feito faculdade. Mas ainda sim tive sorte de conhecer muita gente boa que me ajudou um bocado no meio onde trabalho, como ilustrador publicitário.

O Mestre Sebastião Seabra comenta sobre isso na entrevista que concedeu ao Bigorna.net: “demorei muito para descobrir a roda”. Essa metáfora é genial! Concorda?!

Ele tem toda a razão. O cara que acha que aprende sozinho pode até chegar num bom resultado mas com certeza a curva de aprendizado é maior. E é sempre bom conhecer mais do mundo ao seu redor. O cara só vai ganhar com isso.

Como foi que surgiu sua parceria com Gil Mendes em Lorde Kramus?

Olha, fiz uma arte só pro Gil e embora gostaria de ajudar mais, mas acabo sempre me enrolando com meus próprios projetos e o trabalho. Conheci o Gil através do fotolog do Terra, que é um lugar sensacional pra ter contato com artistas do Brasil. Tem alguns xaropes, mas a maioria é gente finíssima!

Sim, tenho conhecido gente fantástica e de muito talento nos fotologs. Quais quadrinhistas o surpreenderam nos fotologs?

Tem caras sensacionais e mesmo citando alguns eu com certeza estaria sendo injusto com vários outros mas vamos lá: O Edvanio Pontes é um daqueles caras espetaculares, um cara que mesmo sem conhece-lo pessoalmente chamo de amigo. O cara tem uma produção incrível. Tem o Bêrt, que é meu irmão e parceiro mas esse eu já conhecia antes e posso afirmar que é fera. O Samuel Bono é outro cara fantástico. O Bucha é bacana demais e ele tem um traço realmente pessoal e marcante. O Tony é outro desenhista bom pra caramba e é um cara pra quem torço muito. Agora um cara que eu fico sempre embasbacado quando vejo seu trabalho é o Hélcio Rogério. Esse cara tem a manha!! Aprendo muito com ele. E ainda tem muita gente boa por lá, o Adriano Sapão, Lorde Lobo, Marcos Gratão, Will,  e uma porrada deles.

Vi no fotolog do Lorde Lobo uma fanarte do Penitente (veja aqui). Há alguma produção sua com o personagem em andamento?

Fiz essa arte pra homenagear mesmo o Penitente. Acho que o personagem tem grande potencial e está em boas mãos. Fora isso não tenho envolvimento embora me interessaria por fazer uma capa, quem sabe.

Você tem postado no seu fotolog imagens do grupo A Tribo que tem chamado muito a atenção dos produtores independentes e dos fãs de Quadrinhos Nacionais. Pode comentar um pouco mais sobre este projeto?

Rapaz, esse é aquele projeto xodó. Tenho outros, mas esse eu boto fé. E se tiver algum produtor interessado eu o recomendaria. Sério. De verdade. Criei o grupo junto com amigos que não posso deixar de citar. São os irmãos Dimas e Paulo Moreira e o Bërt, que tem um fotolog. A Tribo é uma equipe de humanos com poderes extraordinários que são perseguidos por um vilão que os culpa por uma tragédia que aconteceu em sua vida. Além disso, as histórias tem outros elementos como terror e suspense. Humor e ação desenfreada. Alienígenas que estão aqui há mais tempo que nós, robôs assassinos, demônios do mundo antigo, ninjas zumbis, velhinhas que viram dragões, lendas urbanas, matadores da época da ditadura militar, vendedores de enciclopédia malucos e o pior de tudo: gente normal. Pessoas que são ruins pela própria natureza. Não há nada mais assustador que saber do que a mente humana é capaz. E a gente vem desenvolvendo faz tempo, mas como todo mundo sabe as coisas são complicadas. Eu tenho uma HQ inteira pronta, toda colorida e tal, mas ela tem umas 72 páginas. Difícil de se publicar. Pensando nisso resolvi encurtar as coisas e preparar HQs mais curtas, umas 8 páginas mais ou menos. Aí dá pra terminar tudo num prazo mais decente. Mas mesmo assim, produzir tudo sozinho é demorado.

Você já entrou em contato com alguma editora ou pensa em auto-editar A Tribo?

Eu levei essa HQ de 72 páginas mas era um projeto complicado mesmo, era dividido em duas edições e não dava pra editora ter esse compromisso. Aí comecei uma outra prevendo umas 28 páginas. Acabou que o resultado ficaria maior e meio que deixei de lado um pouco. Agora o que acho o ideal são histórias mais curtas, umas 8 páginas cada, mas é um desafio e tanto. E Com isso eu quero fechar o suficiente pra ter umas duas revistas prontas, de 32 páginas no total pra poder recomeçar a procura ou mesmo lançar do próprio bolso. Acho essa atitude muito corajosa por parte de quem o faz, mas realmente o que complica é a distribuição.

Como você vê o mercado de Quadrinhos no Brasil?

Tento sempre ter uma visão otimista, o país é muito grande e se 0,5% da população consumisse Quadrinhos (e eu acho que é mais que isso) teria espaço pra todo mundo. Mas acho que editoras no Brasil precisam ter uma segurança com seus lançamentos, uma certa garantia de lucro a curto prazo e isso inviabilliza o lançamento de mais material nacional. Claro que o quadrinhistas brasileiros tem de fazer a sua parte e oferecerem material de qualidade mesmo. Algo que faça um editor olhar e falar “Opa. Isso era o que a gente tava procurando!” . É o primeiro leitor que você tem de conquistar.

E o movimento de Quadrinhos Independentes?

Volto a insistir na qualidade tanto de roteiro quanto de desenho. Caso contrário ou você agrada quem gosta de texto ou quem gosta de desenho. Quadrinhos é a soma dos dois. Tem muita coisa legal por aí, o que complica é que geralmente não se acha em banca. Tem de comprar pelo correio e nem todo mundo tem esse hábito. Às vezes o cara quer a revista, mas não se esforça pra comprar se não tiver na frente dele. Acho que é aí que a HQ online tem êxito. E estou falando isso morando em São Paulo, que teoricamente tem mais acesso a esse material. Agora tem o pessoal do 4º Mundo que vem trabalhando de maneira excepcional nesse âmbito.

Valeu, Cortizo. Espero que a Tribo seja publicada logo. Sucesso e boa sorte!

Valeu pela experiência, achei mesmo um negócio legal poder expor um pouco algumas idéias com os leitores do Bigorna.

O Bigorna.net agradece a Cortizo pela entrevista realizada por e-mail e finalizada no dia 18 de março de 2009

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