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Os Dez Melhores Quadrinhos para Leonardo Santana
Por Marcio Baraldi
29/09/2010

Esta semana quem deu uma aula de bons quadrinhos foi o roteirista pernambucano Leonardo Santana. Criador do personagem F.D.P. e mais um porrilhão de gibis bacanas, além de manter a Bodega do Leo, a maior comic-shop virtual de HQ nacional, Léo mostrou porque escreve bem. É que bebeu na fonte de roteiristas consagrados, mestres em histórias adultas e complexas. Sua lista inclui os principais escritores da HQ moderna e contemporânea, mas surpreendeu positivamente ao reconhecer a inteligência do mineiro Edgard Guimarães e sua obra máxima Mundo Feliz. Edgard é o fanzineiro mais importante e querido do Brasil e sua obra deveria ser menos subestimada pela Exma. Senhora Dona Crítica. Mas Leonardo, que além de escrever sobre Quadrinhos, também FAZ Quadrinhos, sabe muito bem o que é bom! Ladies and Gentlemen, direto da Bodega do Leo, seus dez gibis mais importantes!

Os Dez Gibis Mais Importantes de Todos os Tempos
Por Leonardo Santana

1 - Ken Parker - Berardi e Milazzo
Para mim, o maior, mais bem escrito, construído e melhor personagem de todos os tempos é Ken Parker. Se eu tivesse que me livrar de todas as minhas revistas, as únicas que guardaria com carinho especial seriam as de Ken Parker. Suas histórias, passadas no velho oeste mostram de tudo um pouco, sempre com um olhar humano para todos os problemas que, ainda hoje, afligem a sociedade atual como, por exemplo: racismo, homofobia, globalização (Leia-se dominação cultural) e muitos outros. Ken Parker trazia sempre o que havia de melhor no homem para um mundo que insistia em mostrar o seu pior. Sinto saudades de histórias como as que eu lia em Ken Parker.

2 - V de Vingança - Alan Moore e David Lloyd
Primeira obra-prima de Allan Moore. Com todos os capítulos começando com a letra V (verdade, veredicto, violência, vaudevile, etc), Alan Moore levou as histórias em quadrinhos a um nível superior dando, principalmente ao roteiro, um status de elaboração de altíssimo padrão. Não se escrevia mais uma história pura e simplesmente. Construía-se uma complexa estrutura onde a história era diluída de forma harmônica e cadenciada. Não bastasse tudo isso, V de Vingança ainda criticava de forma ferrenha a dominação do governo sobre os cidadãos e da hipocrisia da sociedade dominante.

3 - Watchmen - Alan Moore e Dave Gibbons
Se com V de Vingança Alan Moore levou o roteiro a um patamar superior, com Watchmen ele atingiu o seu ápice. E isso com uma história de super-heróis. Watchmen redefiniu toda a abordagem dos super-heróis que vem sendo feita depois dos anos 80. Aqui, a trama, uma vez mais, construída de forma altamente complexa, com extensões em histórias paralelas como a do cargueiro negro e em reportagens e outros textos jogados como se fossem apenas textos complementares, foi elaborada e lapidada de tal forma, que apenas mostra como a mente de Alan Moore é altamente detalhista e preocupada em não simplesmente escrever uma história legal mas a de propiciar ao leitor uma experiência única.

4 – Nausicaa - Hayao Miyazaki
Confesso que meu contato meu contato com Nausicaa é pequeno. Tive a oportunidade de ler apenas dois álbuns dela. Mas a experiência que essa leitura me proporcionou já garantiu a personagem entre o meu hall de gibis preferidos de todos os tempos. Com uma história simples, mas muito bem elaborada, Hayao Miyazaki nos apresenta uma menina-mulher com um grande coração e muita bondade preocupada com a paz entre os homens e com a natureza. Nausicaa é libelo à paz num mundo destruído.

5 – Maus - Art Spiegelman
Maus é uma forte, crua, detalhadíssima, sincera e triste narrativa sobre a luta pela sobrevivência dos judeus durante a segunda guerra mundial. A história é baseada nas memórias do pai do próprio autor, Art Spiegelman, e foi construída de uma forma tão honesta que até mesmo a difícil relação que Art tinha com seu pai é mostrado sem retoques. Pela sua força e pela qualidade como conduziu o roteiro e pela genialidade encontrada por Art para adequar seu traço a um tema tão complexo, Maus é item obrigatório na minha lista.

6 - Planetary - Warren Ellis e John Cassady
Planetary, de Warren Ellins e John Cassady, foi um dos quadrinhos mais instigantes dos últimos anos. Waaren Ellins conseguiu criar uma verdadeira obra-prima Cult e pop que oferecia uma homenagem a todo um século de aventuras mostrando sempre com extrema qualidade referências aos pulps do início do século 20, aos quadrinhos antigos, da Marvel, DC, e de outras editoras à grandes escritores de quadrinhos e a grandes filmes. Isso somado a arte também genial de John Cassady transformava cada edição de Planetary em puro deleite.

7 - Lobo Solitário - Kazuo Koike e Goseki Kojima
A força dos quadrinhos de Lobo Solitário estão na magistral combinação de roteiro muito bem desenvolvido por Kazuo Koike e pelos desenhos impressionantes de Goseki Kojima. Devido a competência desses dois artistas, é impossível não sentir simpatia por um homem e seu filho numa luta impossível por vingança.

8 – Superman - Grant Morrison e Frank Quitely
Grant Morrisson é um dos roteiristas mais loucos que já foram exportados pela Inglaterra (Junto com Allan Moore) e sua vinda para o mundo dos super-heróis tem gerado excelentes e sempre pensantes histórias desde quando foi contratado pra revitalizar um obscuro herói de quinto escalão chamado Homem-Animal. Essa mini-série do Superman (Na minha época era Super-Homem), desenhada espetacularmente por Frank Quitely traçou um perfil do homem-deus de forma completa e genial.

9 - Ás de Espadas - Juan Gimenez e Ricardo Barreiro
Ás de Espadas é um álbum de guerra produzido por artistas argentinos que mostra aventuras de pilotos americanos de uma forma poética, realista, humana, eletrizante e com uma qualidade tanto no roteiro quanto nos desenhos que são impressionantes.

10 - Mundo Feliz - Edgard Guimarães
Mundo Feliz é uma obra-prima genial do artista mineiro Edgard Guimarães que foi produzida e publicada em capítulos de apenas 4 páginas no QI durante cerca de dois anos. Embora restrita a capítulos pequenos, Edgard soube criar uma história adulta, que fizesse os leitores participarem tentando adivinhar os acontecimentos e que soube explorar o perfil dos leitores fazendo com que eles tomassem partido e emitissem juízos mesmo sem ter todas as informações necessárias para isso. Ou seja, Edgard conseguiu com Mundo Feliz construir um intricado quebra-cabeça psicológico em que, além de contar uma excelente história, de forma sólida, precisa e lapidada genialmente, brincar com o leitor fazendo-o se expor e expor a forma como a nossa sociedade se comporta nos dias de hoje. Totalmente imperdível!

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