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Os Dez Melhores Gibis de Alexandre Nagado
Por Marcio Baraldi
09/08/2010

Quem abriu seu santuário oriental e revelou seus dez gibis milenares esta semana e o especialista em cultura pop japonesa Alexandre Nagado. O quadrinhista e professor obviamente prestigiou os mangás, mas também reconheceu algumas pérolas da HQ Nacional oitentista, como Piratas do Tietê e Níquel Náusea. Mas a surpresa maior mesmo foi vê-lo lembrar da maravilhosa saga do Mestre do Kung Fu dos anos 70, da dupla Moench/Gulacy, uma das coisas mais estupendas que a Marvel produziu em seus áureos tempos! Enfim, biscoito (chinês) finíssimo mesmo! Parabéns ao sensei Nagado pelo feeling e bom gosto! Ganbatte a todos!


Os 10 Melhores Quadrinhos de Todos os Tempos
Por Alexandre Nagado

1 - Maison Ikkoku - Rumiko Takahashi
Um jovem que não é exatamente um vencedor na vida vai morar em uma pensão cheia de tipos estranhos e etílicos. Em meio a isso, ele se apaixona pela gerente do lugar, uma bela mulher, um pouco mais velha que ele e que é viúva. Ele se apaixona e passa a tentar conquistá-la, mas logo descobre que tem um rival bonito, rico e bem-sucedido. Comédia romântica com toques dramáticos emocionantes, Maison Ikkoku não é apenas o trabalho que mais gosto de Rumiko Takahashi (de Ranma 1/2 e Inu-Yasha), é também a história em quadrinhos que mais me divertiu até hoje. Situações engenhosas e hilárias, personagens humanos e uma sensibilidade que nunca descamba para o piegas ou o dramalhão, Maison Ikkoku é uma série que merecia sair no Brasil!

2 - Os Melhores do Mundo - Liga da Justiça (LJA) - Grant Morrison
Superman, Batman, Mulher Maravilha, Aquaman, Flash, Lanterna Verde
e Caçador de Marte - Os "Sete Grandes" da DC Comics em aventuras épicas e espetaculares. O traço da fase Grant Morrison geralmente era da dupla Howard Porter (lápis) e John Dell (arte-final), que conferiam dramaticidade extra ao material, mesmo que não fossem artistas de ponta. Mas não importa quem estivesse desenhando. Se era roteiro do escocês Grant Morrison, era garantia de uma aventura insana, em uma escala megalomaníaca e divertida. Batman nunca foi tão sinistro, ardiloso e impôs tanto respeito, mesmo entre semideuses. Não poderia ser diferente vindo do mesmo roteirista do perturbador álbum Asilo Arkham.

3 - Liga da Justiça Internacional - Keith Giffen e J.M. DeMatteis
Antítese completa da liga de Morrison, a equipe concebida pela dupla Giffen e DeMatteis lançou os heróis em aventuras constrangedoras e os fez pagar micos hilariantes. Apoiada em diálogos certeiros (e muito bem traduzidos aqui) e quase sempre com a arte de Kevin Maguire, a Liga dos anos 1980 "contaminou" os quadrinhos da época com seu humor. Depois mudaram os tempos e aquilo ficou para trás, dando origem a tempos mais sombrios e violentos para os heróis da DC. Mas até hoje, é o melhor exemplo de como super-heróis podem render aventuras engraçadas e sem pretensões intelectuais ou filosóficas para justificar uma boa pancadaria.

4 - Mortadelo e Salaminho - Francisco Ibañez
O humor alucinado de Ibanez me fazia rolar de rir quando era criança e até hoje aquelas histórias me empolgam! Mortadelo e seus disfarces estapafúrdios, os modos nada sutis do Superintendente para conseguir seus objetivos e os inventos perigosos do Prof. Bactério eram a receita de humor do começo ao fim. E sempre havia figurantes em cenas engraçadas pelas páginas, numa dinâmica visual incontrolável. Nas aulas de desenho do mestre Ismael dos Santos, do Núcleo de Arte, gibis e álbuns de Mortadelo e Salaminho eram referência obrigatória para entender sobre movimento articulado de figuras. Ibañez é gênio!

5 - Piratas do Tietê - Laerte
Não propriamente a série dos Piratas, mas a revista inteira que levava esse nome, foi uma das melhores leituras da década de 1990. Tinha Os Gatinhos, O Condomínio e aquelas maravilhosas histórias avulsas que só o Laerte sabe contar. Os editoriais e seções de cartas também eram leituras deliciosas. Nunca houve um gibi mensal de autor como esse - e desconfio que nunca mais haverá!

6 - Sanctuary - Sho Fumimura e Ryoichi Ikegami
Ainda não li a série toda, mas a premissa é maravilhosa! Dois jovens sobreviventes dos cruéis campos de refugiados do Camboja crescem no Japão e, vendo a futilidade da sociedade, decidem moldar os rumos do país e forjar um povo mais forte. Um segue os caminhos do crime organizado e o outro, o não menos sombrio mundo dos bastidores da política. A arte de Ikegami, apesar de repetitiva, é maravilhosa e com o roteiro forte de Fumimura, chega a seu auge. Há passagens perturbadoras e um clima instigante. Não há heróis no sentido mais puro da palavra, mas indivíduos seguindo seus próprios códigos de conduta e, cada um a seu modo, tentando fazer a vida ter sentido.

7 - Desvendando os Quadrinhos - Scott McCloud
Uma história em quadrinhos sobre as histórias em quadrinhos! McCloud conseguiu impressionar toda a indústria ao destrinchar com precisão os segredos da linguagem visual. Me ajudou a compreender melhor o meu trabalho e a condução dos assuntos é fabulosa. Não me canso de recomendar isso a qualquer pessoa que queira um dia fazer quadrinhos.

8 - Batman - O Cavaleiro das Trevas - Frank Miller, Lynn Varley e Klaus Janson
A HQ que revitalizou os super heróis nos anos 1980 também teve um impacto importante em mim. A narrativa tensa, a diagramação arrojada, o cinismo dos políticos e da mídia, as cores, tudo se combinava de maneira única. Aguardava cada edição ansiosamente, lia compulsivamente e depois ficava folheando e observando detalhes. Watchmen é superior tecnicamente como roteiro, mas a emoção contida na aventura suprema de Batman é, para mim, quase impossível de ser superada!

9 - Níquel Náusea (revista) - Fernando Gonsalez e convidados
A barata Fliti, o picareta Vostradeis, a Ratinha e o inimitável Níquel Náusea formavam uma das melhores revistas nacionais da época em que eu mais li quadrinhos na vida, lá pelo final da minha adolescência. Isso porque, além dos trabalhos do excelente Gonsalez, ainda tinha colaboradores como Negreiros, Newton Foot e Spacca, que conferiam uma qualidade incrível à publicação!

10 - Mestre do Kung Fu - Doug Moench e Paul Gulacy
Uma arte maravilhosa e histórias cativantes, cheias de suspense e intrigas conspiratórias, com clima de filme de espionagem. O personagem era uma caricatura ambulante: um chinês mestre de kung fu usando um quimono de karatê (que é uma luta japonesa), mas que ao invés de branco era vermelho e amarelo, mais berrante e cafona impossível. E ainda usava uma faixa na cabeça e andava descalço pelas ruas de Londres. Nada disso importava, até porque, com 12 anos de idade, eu não tinha a menor noção do quanto aquilo era descabido. Mas se não conheciam muito de cultura oriental além de filosofia de biscoitos da sorte, os caras sabiam contar uma aventura poderosa como poucos. Me lembro das sagas contra os diabólicos Mordillo e Velcro, com arcos de história em que cada capítulo terminava com uma imagem bombástica, antevendo um combate sangrento a seguir. Eu vibrava com as histórias de Shang Chi tanto ou mais até do que com as batalhas dos Vingadores ou dos Novos Titãs!

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