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Os Dez Melhores Gibis de Henrique Magalhães
Por Marcio Baraldi
06/07/2010

Quem abriu seu baú de recuerdos hoje foi um dos nomes mais importantes e ousados do Quadrinho Brasileiro, o paraibano Henrique Magalhães. Henricão foi simplesmente o pioneiro em tudo que fez e faz! Um dos pioneiros a fazer cartuns e quadrinhos na Paraíba, o pioneiro a fazer um humor libertário e crítico com temática homossexual, um dos pioneiros a peitar a ditadura militar dos anos 70 com seus quadrinhos politizados (sobretudo com a personagem Maria), pioneiro a montar sua própria editora independente, a Marca de Fantasia, pioneiro em lançar livros e revistas de vanguarda como "Tyli-Tyli", "Artlectos e Pós-Humanos", entre outras, pioneiro ainda em fazer a lista de seus 10 melhores gibis contendo 11 exemplos (risos). E, como se não bastasse, um dos pioneiros na conquista de um Doutorado e na construção de uma carreira acadêmica (ele e o santista Flávio Calazans, são provavelmente, os primeiros quadrinhistas do Brasil a conquistar tal título)! Enfim, uma pedra fundamental no Edifício do Quadrinho Nacional! E, é claro, que um caboclo tão culto e inteligente só podia ter uma lista de gibis do mais alto nível. Confiram a seguir as jóias raras que Henrique guarda em seu Baú de Fantasia!

Os Dez Melhores Gibis de Todos os Tempos

por Henrique Magalhães

1 – Mafalda - Quino
A irresistível personagem de Quino marcou minha passagem da adolescência para o mundo adulto, com toda sua crítica política e social! A genialidade de Quino com Mafalda está em seu refinado senso de humor, que mesmo tendo passado algumas décadas desde sua criação, continua com uma atualidade surpreendente.

2 – Fradim - Henfil
A irreverência demolidora do Fradim foi um choque no humor brasileiro, atingindo ao mesmo tempo as forças reacionárias e as verdades absolutas das vanguardas políticas. O trabalho iconoclasta e originalíssimo de Henfil foi um divisor de águas, tendo influenciado diretamente a geração que começou a tomar consciência de si própria a partir da década de 1970.

3 - Ken Parker - Berardi e Milazzo
Rompendo os clichês dos quadrinhos de faroeste, Ken Parker, de Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo, renovou o gênero com excepcional sensibilidade! Suas histórias foram totalmente inovadores e surpreendentes, pois tratavam mais dos conflitos humanos que das lutas de poder no ambiente de conquista do oeste estadunidense.

4 - Hugo Pratt, conjunto da obra
Um quadrinista aventureiro ou um aventureiro quadrinista?!? O italiano Hugo Pratt viveu suas próprias histórias em andanças por várias partes do mundo, Brasil inclusive. Com toda cultura e vivencia que acumulou ao conhecer o mundo todo, adquiriu uma visão universal e privilegiada, a qual soube retratar seus magníficos quadrinhos, com traço tão belo quanto personalizado. Corto Maltese é seu personagem mítico!

5 – Marcatti, conjunto da obra
A obra de Marcatti é uma porrada!!! O mais underground de nossos quadrinistas undergrounds, tem uma obra tão particular e extravagante que só poderia ser produzida pelo próprio autor! Durante anos editou suas próprias revistas, com a mini-gráfica que montou em sua casa para este fim. De forma surpreendente, seus quadrinhos sujos e vulgares, nauseabundos e escatológicos, acabaram chegando às bancas de todo o país, numa investida ousada e breve da editora Escala.

6 - Chiclete com Banana - Angeli
Angeli é um poeta dos quadrinhos! Seus tipos inconfundíveis são um retrato da diversidade humana em nossos grandes centros urbanos. Influenciado diretamente por Robert Crumb, criou um estilo próprio, que por sua vez influenciou uma legião de jovens quadrinistas brasileiros. Exímio ilustrador, excepcional chargista, foi com as tiras que ganhou projeção, com as quais criou uma obra marcante e fundamental para o Quadrinho Nacional.

7 – Pererê - Ziraldo
O lirismo das histórias de Pererê, de Ziraldo, conquistou os leitores brasileiros à primeira vista. Lançado em revista no início dos anos 1960, pela editora Cruzeiro, e depois retomado pela editora Abril, na década de 1970, Pererê é um exemplo de história em quadrinhos genuinamente brasileira: trabalha com os mitos, a fauna, a flora nacionais, além da representação humana do homem simples do campo.

8 - Homem Aranha - Stan Lee e Steve Ditko
Este foi o herói da minha adolescência, com suas fraquezas, dúvidas, ansiedades e fantasias! O Homem Aranha, de Stan Lee e Steve Ditko, foi extremamente importante no início da década de 1960, por trazer um herói diferente, vigoroso e fraco ao mesmo tempo, como qualquer jovem de qualquer geração. O belo traço realista e dramático de Ditko contribuiu para o encanto do personagem, além de um elenco fenomenal de vilões!

9- Maus - Art Spiegelman
Este foi um trabalho marcante de Art Spiegelman, que trouxe um novo enfoque para os quadrinhos. Aplaudido em todo o mundo, a narrativa dos horrores nazistas numa espécie de fábula fez o público e os autores despertarem para a incrível potencialidade dos quadrinhos de contar histórias, muito além da fantasia e da evasão do universo popular dos super-heróis. Um clássico humanista!!!

10 - Claire Bretécher, conjunto da obra
Autora célebre na França, oriunda da auto-edição da década de 1970, quando criou com mais dois companheiro a famosa revista L’écho des Savanes, ela notabilizou-se com seu humor sutil e ferino em álbuns das séries Les Frustrés e Agripine. Apesar de ter uma edição de Les Frustrés (Os Frustrados) publicada pela Marca de Fantasia, Claire infelizmente ainda é praticamente desconhecida no Brasil.

11 - Half König, conjunto da obra
Este alemão chegou ao grande público europeu na década de 1990. Seus quadrinhos de conteúdo homossexual abordavam um universo considerado tabu no meio das HQs. Com muito humor e domínio na linguagem, König criou histórias que extrapolaram o contexto do público gay e geraram algumas adaptações cinematográficas. No Brasil, Konig teve editado o álbum "O homem ideal", entre outros de sua autoria.

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