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Os Dez Melhores Gibis para Fábio Sales
Por Marcio Baraldi
10/05/2010

Quem abriu o baú para mostrar seus dez gibis preferidos esta semana foi Fábio Sales. Ex-dono de Comic-Shop e apresentador do programa HQ Além dos Balões, o mais antigo e longevo programa sobre Quadrinhos do Brasil, Fabão provou que realmente manja muito do assunto! E também que tem uma queda tanto pelos quadrinhos de Humor quanto pelos que possuem uma pegada mais inovadora e vanguardista. Confiram a seguir o feeling e bom gosto de Fábio Sales, um apresentador muito além dos balões!

Os Dez Melhores Gibis de Todos os Tempos

Por Fábio Sales

1 - Turma da Mônica e Disney - Maurício de Souza e Walt Disney
Essas duas turmas maravilhosas vem em primeiro lugar, pois foi com eles que aprendi a ler quadrinhos e me ajudaram muito na alfabetização durante minha infância. Dentro do universo da Turma da Mônica, sempre gostei mais do Chico Bento, talvez pela sua simplicidade e vida no campo (para onde sempre quero fugir desta loucura que é São Paulo) e do Louco, pelas viagens e alternativas de roteiro e quadrinização que ele proporciona. No caso da Disney, sempre fui atraído pelas grandes aventuras e sagas do Carl Barks, e também pela espontaneidade e non-sense do Peninha e do Pateta. Todos esses personagens me ajudaram a ver que o universo dos Quadrinhos é bem vasto!

2 - Mortadelo e Salaminho”- Francisco Ibanez
Ainda não entendi porque até hoje nenhuma editora se interessou em reeditar esses personagens hilários no Brasil!?! Essa série me acompanhou em minha adolescência (junto com a outra que está logo abaixo) e me deixa saudades até hoje! Os roteiros de Ibanez são bem elaborados, reúnem tramas de detetives, mistérios e crimes para contar histórias de humor e viradas de jogo maravilhosas. Além disso, as histórias são recheadas de gags hilárias que funcionam isoladamente. Os disfarces desta atrapalhada dupla de detetives ou suas transformações em animais (se é que se pode chamá-los assim) mostram o quão fantasiosas podem ser as HQs!

3 - Asterix”- Goscinny e Uderzo
Humor e jogos de palavras aliados a um desenho detalhista que proporcionam que viajemos pelo mundo antigo para acompanharmos as aventuras destes gauleses irredutíveis. É por isso que tenho todos os números da série e ainda compro o que for lançado. Mesmo que os roteiros (agora a cargo apenas de Uderzo) não sejam mais os mesmos, a essência da série continua intacta. O formato álbum valoriza ainda mais estas histórias que mostram como uma minoria pode tirar sarro de um poderoso tirano e ainda nos ensinar geografia. Goscinny e Uderzo dedicaram sua vida a estes personagens com histórias de aventura e humor bem elaboradas tanto no roteiro quanto na arte!

4 - Quadrinho Nacional dos Anos 80 e 90 - Vários autores
Reúno aqui as revistas“Circo, Chiclete com Banana,“Piratas do Tietê,“Geraldão, Mega,“Porrada! e outras que aproveitaram o momento final em que se podia encontrar e comprar quadrinho nacional alternativo nas bancas de jornais. Humor gráfico de excelente qualidade e variedade, tanto nos estilos de desenho quanto na criatividade dos personagens. Tinha Bob Cuspe, Rê Bordosa e outros do Angeli, Piratas do Tietê e outros do Laerte, Geraldão e outros do Glauco e todos os três juntos com Los 3 Amigos. Tínha ainda Luíz Gê, Marcatti, o próprio Toninho Mendes e vários outros que colaboraram com essas revistas e me mostraram que os artistas brasileiros são muito bons, abrindo as portas para eu conhecer Shimamoto, Zalla, Colonnese, Mozart Couto e outros mestres.

5 - Sandman”- Neil Gaiman
Putz, gosto demais desta série!!! Tanto que tenho duas coleções por editoras diferentes. Neil Gaiman recriou este velho personagem de Jack Kirby e Joe Simon inserindo-o em uma mitologia própria e complexa, o que torna a leitura da obra sempre fascinante e sempre uma redescoberta. Ele acertou em fechar a, digamos assim, saga do personagem, o que tornou a obra uma história com começo, meio e fim. Cada capítulo e uma peça no quebra-cabeças final dessa saga. Gaiman concebeu um roteiro tão bem elaborado que propiciou várias histórias dentro da história, não é demais isso?!? Para ilustrar a série, Gaiman contou com vários artistas convidados, em alguns arcos o desenho não chega aos pés do texto, em outros em compensação, são sensacionais! Mas mesmo essa inconstância de qualidade na arte não deixa a “peteca”cair, e esse é outro ponto para se admirar nesta obra, juntamente com as maravilhosas capas do Dave Mckean. Enfim, leitura de primeira!

6 - Watchmen - Alan Moore e Dave Gibbons
Mais um exemplo de roteiro muitíssimo bem elaborado, cortesia de Alan Moore. Uma história para refletirmos, pois é bem atual, é a realidade de nossa sociedade que está ali retratada! É uma crítica feroz às falsidades dos governantes e à moral dúbia de nossa sociedade e uma reflexão de para onde estamos indo. AH!Sim, mas é também uma história de investigação de um crime, uma história de retorno ao passado para combater injustiças, uma história de amor, uma história de defesa de princípios, além de um “bônus”: a história Contos do Cargueiro Negro”, que não está ali à toa! É por isso que gosto muito desta obra! A arte do Dave Gibbons, além de proporcionar que visualizemos e sintamos as emoções do texto, também contribui e muito para a dramatização da história. Enfim, é por tudo isso que gosto muito de Watchmen! Uma obra para reflexão e para lermos mais de uma dezena de vezes.

7 -”Spirit”- Will Eisner
Personagem criado pelo admirável mestre Will Eisner (na verdade considero toda a sua obra como das mais importantes e de que eu mais gosto). Spirit é um cara normal, sem poderes extra-humanos e sem grana para se bancar (do que ele vive mesmo?), mas dotado de grande inteligência, esperteza e treinamento físico de policial. Com essas “armas” ele desvenda mistérios e soluciona crimes com naturalidade. É por isso que gosto do personagem em si e de como as histórias são contadas. Sem contar o universo de vilãs, mulheres extremamente sensuais e fatais, que ele combate, ou melhor, com as quais se atraca (risos)! Esse clima noir propiciou a Will Eisner demonstrar toda a sua técnica. Ele utiliza todas as possibilidade que o papel e o lápis permitem: angulações ousadas, perspectivas, claro-escuro, agilização do tempo de leitura para enfatizar a ação, panorâmicas, páginas sem calhas ou quadros, balões bem localizados e muito mais!!! Admiro também como ele integra o nome do personagem, os títulos das histórias e sua assinatura ao cenário de abertura das histórias. Enfim, obra-prima!

8 - Moonshadow - J. M. de Matteis e John Muth
Esta obra me marcou devido à sua temática onírica e aos desenhos fantásticos de Jon J. Muth. Afinal, mistura fantasia com mágicas lembranças de nossa época de infância para contar uma aventura fantástica pela nossa essência interior (poético, não?). E tudo emoldurado por uma quadrinização de estilo livre, em que temos páginas com os quadros separados de maneira tradicional e páginas sem separação das cenas por quadros, todas belamente desenhadas, ou melhor, pintadas em aquarela e com diferentes posições de ponto de vista.

9 - Groo - Sérgio Aragones e Mark Evanier
Está aí um brutamontes que se tornou adorável! Completamente imbecil, consegue nos cativar e nos fazer viajar por sua lógica (??!) maluca. Sérgio Aragonés criou o personagem e seu visual, e como isso já é uma tarefa titânica, conta com o apoio nos textos do Mark Evanier. Os dois nos contam histórias de uma época dos tempos bárbaros, indo do Oriente Médio até a Europa com riqueza de detalhes nos desenhos (sempre com piadinhas visuais espalhadas) e piadas verbais a todo instante. Enfim, humor de primeira linha!

10 - Elektra Assassina - Frank Miller e Bill Sienkiewicz
Como fã do Demolidor (alias, também poderia constar nesta lista a mini-série “Homem sem Medo”), sempre admirei a personagem Elektra. Nesta mini-série de Frank Miller com a sensacional arte de Bill Sienkiewicz quase todas as possibilidades de explorar o misticismo em torno da personagem estão lá. Com cenas de violência massiva e cenas de puro lirismo, o artista utiliza técnicas de desenho realistas, com uso de aquarela e colagem, uma mistura que deu certo e funcionou muito bem nesta história. Além disso, o texto sarcástico detona a moral política e imperialista americana para contar uma aventura de vida e morte em torno da Elektra, a inigualável heroína assassina!

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