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Os dez melhores gibis de Jota Silvestre
Por Marcio Baraldi
03/05/2010

O convocado desta semana para definir seus candidatos a melhores gibis de todos os tempos é o jornalista especializado em HQs Jota Silvestre. Homônimo do famoso apresentador de TV, Jota revelou-se nos últimos anos um dos mais atuantes e sensatos críticos de quadrinhos e cultura Pop do mercado brasileiro. Seja escrevendo para a revista Mundo dos Super-Heróis, em que é um dos ancoras, seja capitaneando seu site "Papo de Quadrinho", onde fica a vontade para cobrir todos os principais lançamentos de Quadrinhos, filmes e afins.

Pois com tanta bagagem cultural, era de se esperar que Jota tivesse bom gosto na escolha de seus dez gibis de cabeceira. Portanto, sinta-se em casa ao dar suas respostas, Jota, pois aqui no Bigorna, em se tratando de Quadrinhos, O CÉU É O LIMITEEEEEEEEEEEEE!!!!


Os Dez Melhores Gibis de Todos os Tempos

Por Jota Silvestre

1 - Watchmen - Alan Moore e Dave Gibbons
Depois de mais de 20 anos do lançamento da obra de Alan Moore e Dave Gibbons, ainda é difícil encontrar uma HQ em que texto e arte dialogam de maneira tão eficiente. Moore inspirou-se nos velhos heróis da Charlton para criar uma trama intrincada, inteligente e repleta de questionamentos filosóficos que continuam sendo debatidos até hoje. A grande questão levantada por esta HQ – como seria o mundo se os heróis existissem de verdade – foi revolucionária. Pena que desencadeou uma geração inteira de imitações que nem de longe alcançaram o brilho da trama original.

2 - Cavaleiro das Trevas - Frank Miller
Na mesma linha de Watchmen, esta obra de Frank Miller revolucionou os quadrinhos em meados dos anos 80 ao colocar Batman num nível de realismo visto somente nos primórdios do herói. Miller deu uma profundidade até então nunca vista num personagem quase cinqüentenário. Por meio de vários recursos – entre eles o uso da TV – Cavaleiro das Trevas foi inovadora também na linguagem narrativa. E, também como Watchmen, deu origem a uma onda de realismo nos quadrinhos que teve momentos memoráveis e grandes fiascos nas décadas seguintes.

3 - Sandman - Neil Gaiman
O inglês Neil Gaiman foi convidado pela DC a trabalhar sobre um herói da Era de Ouro com total liberdade criativa. Com exceção do nome, Gaiman desenvolveu não só um novo personagem como também todo um universo – fantástico, onírico, poético. Ao longo dos anos em que foi publicada, Sandman produziu algumas das melhores histórias em quadrinhos de todos os tempos. As referências à literatura e à própria cultura pop são alguns dos pontos altos desta série. Imperdível.

4 - Superman – O que aconteceu com o Homem do Amanhã?  - Alan Moore e Curt Swan
Foi o canto do cisne do maior super-herói de todos os tempos. A DC estava prestes a revolucionar sua linha de super-heróis com o lançamento da megassaga Crise nas Infinitas Terras; antes disso, publicou aquela que seria a última história de alguns personagens no antigo estado das coisas. Alan Moore foi respeitoso e escreveu um final digno para o Superman, em que ele se despede de seus amigos – e dos leitores – antes de encarar a morte – ou não! A arte inconfundível de Curt Swan, que por décadas foi o desenhista oficial do personagem, contribuiu ainda mais para que O que aconteceu com o Homem do Amanhã garantisse seu lugar entre os melhores gibis de todos os tempos.

5 - Maus - Art Spiegelman
Quando se fala do “namoro” entre quadrinhos e literatura, na maioria das vezes é Will Eisner o primeiro a ser lembrado. E com razão. Na minha opinião, porém, foi Maus, de Art Spiegelman, a obra que melhor traduziu este diálogo entre os dois gêneros. A obra é autobiográfica e emocionante. O autor relata os apuros de seus antecedentes com o nazismo por meio de um traço simples e personalíssimo. A opção por retratar as diferentes nacionalidades envolvidas – alemães, poloneses, judeus – por meio da personificação de animais dá a Maus um falso tom de fábula infantil para uma história real e dramática.

6 - Akira - Katsuhiro Otomo
Ao lado de Lobo Solitário, é a obra que popularizou o mangá deste lado do mundo. Katsuhiro Otomo criou uma história futurista e alucinante do início ao fim. A geração perdida de adolescentes da Neo-Tokio do século 21 guarda enorme semelhança com aquela da época em que a HQ foi produzida, em meados dos anos 80, transformando-se num retrato de seu tempo. Somado a isto, a ficção científica, o clima apocalíptico e a narrativa única dos mangás fazem de Akira uma HQ forte, provocativa e que leva à reflexão sem perder sua principal finalidade, o entretenimento.

7 - A Queda de Murdock - Frank Miller
Frank Miller já vinha fazendo um trabalho surpreendente com o Demolidor, tendo salvado o título do personagem do cancelamento. Neste arco de histórias ele foi além, muito além, ao descrever a queda, catarse e superação deste herói urbano. Na trama, o Rei do Crime descobre a verdadeira identidade do Demolidor, o advogado Matthew Murdock, e inicia um ataque traiçoeiro para destruí-lo de todas as formas possíveis. A narrativa cinematográfica de Miller é emocionante, realista, triunfal, e prende o leitor do começo ao fim de forma inteligente e nada apelativa.

8 - Elektra Assassina - Frank Miller e Bill Sienkiewicz
Mais uma de Frank Miller. Neste caso, porém, o mérito é muito mais do artista Bill Sienkiewicz e sua técnica incomum de misturar os mais diversos estilos, do guache à colagem. A trama acaba se rendendo à arte e é narrada de forma barroca, rocambolesca. O leitor mergulha no estado de espírito dos personagens; primeiro, da assassina Elektra, largada num manicômio até descobrir quem é e o que a levou para lá. Depois, o agente Garrett, que passa de caçador a caça até se tornar uma peça chave na história. Uma obra-prima!

9 - Os Vingadores - Stan Lee e Jack Kirby
Grupos de super-heróis já existiam aos montes, tanto na Marvel quanto na DC. Mas ao lançar os Vingadores, no início dos anos 60, Stan Lee e Jack Kirby resumiram toda a essência do recém-nascido Universo Marvel. Juntos, Homem de Ferro, Thor, Vespa, Homem-Formiga e Hulk – e, mais tarde, Capitão América, Gavião Arqueiro, Mercúrio, Feiticeira Escarlate e outros tantos superseres – mostraram o quanto é bacana, e difícil, trabalhar em equipe. Ainda hoje, ao folhear este primeiro encontro dos Vingadores, é impossível não vir à mente a adaptação que esta história ganhou na TV nos anos seguintes e que marcaram a infância de muita gente.

10 - Supremos - Mark Millar e Brian Hytch
Esta HQ faz parte da linha Ultimate da Marvel, que revisita a origem de vários super-heróis da editora para apresentá-los às gerações mais jovens. Produzida nos anos 2000, a HQ deixa de lado a fantasia dos anos 60 – quando estes heróis surgiram – e, dentro do possível, os coloca num contexto mais realista e atual. Supremos é a versão Ultimate dos Vingadores, escrita por Mark Millar, com desenhos de Brian Hytch. Para um adolescente dos dias de hoje, é uma história coerente de super-heróis – bem contada, cheia de dramas e dúvidas semelhantes às das pessoas comuns. É quase certo de que seja esta versão – e não a original – que vai inspirar o filme dos Vingadores prometido para daqui a dois anos.

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