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Os dez melhores gibis de Bira Dantas
Por Marcio Baraldi
26/04/2010

Quem listou seus dez gibis preferidos esta semana foi o cartunista Bira Dantas. Bira é um dos maiores, mais talentosos e produtivos quadrinhístas de sua geração. Com um traço forte, alegre e vigoroso, Bira começou a carreira na aborrecência, desenhando o gibi dos Trapalhões (fase da Editora Bloch) para o estúdio do saudoso mestre Ely Barbosa, com quem aprendeu os primeiros passos na profissão. Rapidamente tornou-se um desenhista pau pra toda obra, navegando com desenvoltura por charges politicas, quadrinhos e caricatura. Nesta última, por sinal, já se tornou um mestre! Sentimental, Bira fez questão de escolher os dez gibis que mais marcaram sua infância e adolescência, inclusive o primeirissimo gibi do Superman que ganhou do irmão. E não é que o caboclo tem um extremo bom gosto? Confiram a seguir:

Os Dez Melhores Gibis de Todos os Tempos

Por Bira Dantas

1 - “Superman” - Curt Swan
Nem preciso dizer que o Superman é um dos personagens mais importantes não só dos quadrinhos, mas da cultura contemporânea! Mas, confesso que tenho um carinho especial pelo personagem, sobretudo a fase primorosa de Curt Swan, o mais importante desenhista do Homem de Aço, pois foi o meu primeiríssimo gibi de Super-Herói na vida! Foi mais precisamente o n. 25 (Editora Ebal, 1974)! Ganhei esse gibi de presente do meu irmão mais velho, Clovis, quando fomos até o aeroporto do Galeão, no Rio. Eu tinha 11 anos. O gibi tinha três historias: a principal (de Curt Swan e Bob Oksner, com roteiro de Elliot Maggin) apresenta o incrível vilão-planta Ozymaxis, um monstro que quase derrota o filho de Kripton. Na segunda, do personagem Alvo Humano, conheci o desenho fantástico de Dick Giordano, grande influência para Neal Adams, Frank Miller e centenas de desenhistas que viriam depois. Por ultimo, a terceira HQ, ” Leo Futuro e o Homem que descobriu o Polo Oeste”, trazem desenhos de Carmine Infantino e Syd Greene, no melhor estilo dos anos 50. Hoje, todas essas HQs e essa fase do personagem são clássicas!

2 - “RIMA, Princesa das Selvas” - Nestor Redondo
Descolei o n. 1 (Editora Ebal, 1975) desta exuberante série da DC (que durou apenas sete edições nos EUA e quatro no Brasil) quando era moleque e os desenhos fantásticos do filipino Nestor Redondo mexeram comigo para sempre!!! Tanto que fiz uma caricatura publicada no site Komikero (veja aqui), Redondo dá um show de desenho em composição, anatomia, animais selvagens, vegetação e movimento, como na cena em que Abel desmaia e cai, vítima do veneno de uma cobra. Pra arrebatar de vez, a história seguinte, “Viajantes do Espaço”, trazia a arte maravilhosa de Alex Nino, outro filipino de traço revolucionário que me encantou de imediato. Por fim, a última HQ, “Chimpa, o detetive”, trazia o traço fantástico de Carmine Infantino, fechando a edição com chave de ouro. Foram três mestres imortais da HQ numa única edição. Esse gibi virou uma especie de “Manual de Desenho” para mim!

3 - “O Grande Livro do Terror” - Jayme Cortez e outros
Conheci Jayme Cortez em 1977, nos estúdios Maurício de Souza, e fiquei fascinado pelo desenho deste português radicado no Brasil, quando ganhei seu livro “A Técnica do Desenho”. Mas quando vi este gibizão nas bancas fiquei hipnotizado! Era uma coletânea histórica com o que de melhor se produziu nas décadas de 50 e 60 no Brasil e em Portugal. Quadrinhos, ilustrações e cartuns fabulosamente terríveis de Shimamoto, Flavio Colin, Sérgio Lima, Piper, Negreiros, Freddy Galan, E.T. Coelho e, claro, o mestre dos mestres, Jayme Cortez! Um verdadeiro clássico do Terror Nacional, publicado pela Editora Argos, em 1978!

4 - “Ferdinando e os Shmoos” - Al Capp
Eu já conhecia as aventuras de Li’l Abner (Ferdinando) no traço extremamente bem cuidado de Al Capp e seu estúdio (do qual o extraordinário Frank Frazetta fez parte), publicadas pela editora Saber nos anos 70. Mas esta edição com a primeira aventura de um dos mais fantásticos personagens dos Quadrinhos de todos os tempos, definitivamente me ganhou! Al Capp, nessa época passava fome e tinha um discurso anti-capitalista, que eu adorei. Depois, como ele mesmo conta em suas entrevistas, ganhou muito dinheiro e parou de criticar o sistema. Bem, pelo menos ele não foi hipócrita e assumiu tudo (risos)! Esta HQ e uma das maiores críticas ao capitalismo já feitas e uma verdadeira perola imortal dos quadrinhos mundiais!

5 - “Asterix" -  Uderzo e Goscinny
Me apaixonei pelos quadrinhos do Asterix assim que coloquei os olhos neles, nas páginas d’O Globinho, antigo suplemento infantil do jornal O Globo, que meu pai comprava aos domingos. O álbum “Asterix na Hispania ”foi o primeiro que comprei do personagem! O desenho de Uderzo era tudo o que eu queria: bem detalhado, arte final bem feita, cores bem dosadas. Foi amor à primeira vista! Além disso tinha o roteiro de Goscinny, bem construído, com personagens hilários como o filho de Conchampiñón y Champiñón, que prendia a respiração até que algo acontecesse. As cenas de Asterix toureando um grande espécime bovino são dignas de qualquer animação. Asterix era isso desde o principio: um imenso cinema de animação no papel!

6 - “Fradim” - Henfil
O primeiro Fradim que descolei foi o n. 16 (Editora Codecri, 1977)! Henfil certamente foi um dos mais geniais criadores de Quadrinhos do Brasil! Nesta edição seu humor cáustico ataca um dos maiores males que assolam o Brasil (e o mundo): a discriminação racial! Henfil usa os Fradins para escancarar e esculachar com o racismo de uma maneira que só ele sabia fazer. Seus cartuns sindicalistas no Orelhão, presentes nesta edição, arrancam risos até do mais sisudo leitor. Pra fechar a edição, a epopéia do cangaceiro Zeferino termina em tiroteio, num perfeito faroeste sertanejo. Tem também a seção “Cartas de um Subdesenvolvido”, nas beiradas das páginas do gibi, que nos permitem conhecer mais deste gênio brasileiro! Um gibi e autor que me marcaram muito e que considero obrigatórios para as novas gerações!

7 - “Spirit” n. 1 – Will Eisner
Sim, eu já conhecia o Spirit do inimitável Will Eisner, mas esta edição brasileira tem detalhes especiais: foi editada pelo Gualberto (fundador do Instituto Rian, da AQC, do Museu do Cartum, e da HQMix Livraria, em Sampa), a capa foi pintada pelo Spacca (um dos melhores quadrinhistas que este Brasil já viu), a apresentação foi escrita por Álvaro de Moya (um dos maiores pesquisadores de HQ do mundo) e além das histórias mais recentes, republicava HQs da década de 40. Tenho esse gibi autografado pelo próprio Eisner quando tive a honra de almoçar com ele no Bar Brahma, em Sampa, nos anos 80. Por tudo isso, este só podia ser um dos gibis mais importantes para mim!

8 - “Gibi Semanal - vários (Editora RGE,1975)
O número 34 foi o primeiro que descolei deste gibi importantíssimo para a minha formação. A capa é linda, uma montagem com o rosto de Cisco Kid e o negrinho Gibi, à sombra de um sombreiro. Eu era moleque e lembro que adorei o humor sarcástico e o traço sucinto de Versus (Jack Wohl), o traço sujo de Frank & Ernest (Bob Thaves) ou o blasé de Mãe (Mell Lazarus). Mas foi o traço escrachado do brasileiro Munhoz, em Chico Peste, o mais impagável! Este “Gibi Semanal” trazia também em suas páginas as tiras clássicas de Popeye (Bud Sagendorf), Nick Holmes (John Prentice), Cisco Kid (José Luís Salinas), com sua narrativa lindamente cinematográfica, e Spirit. Enfim,isto não foi um gibi e sim uma verdadeira escola para mim!

9 - “Íncaro” - Xalberto - Editora Massao Ohno, 1979
O cartunista Xalberto é mais um dos grandes ícones do Quadrinho Nacional! Quando ganhei este álbum de um amigo e vi aqueles desenhos cheios de retículas Sianísticas, hachuras, pontilhismos, citações visuais a álbuns de Rock psicodélicos, clássicos dos Quadrinhos e cultura Pop, além do roteiro altamente lisérgico, literalmente pirei!!! Mais do que uma HQ libertária com “histórias daquele que voou” ,Íncaro é um alerta aos que pretendem se aprisionar em “seitas ou religiões institucionalizadas”. “Voem sozinhos, meninos”, ele conclui na belíssima saga de Íncaro,verdadeiro clássico da HQ Nacional!

10 - “RxDxPx COMIX" - Marcatti e João Gordo
Marcatti, além de um grande amigo, é um dos mais competentes produtores de Quadrinhos que já vi! Metódico, detalhista, exigente, caprichoso, tecnicamente impecável. Ele e o rei do movimento de quadrinhos “udigrudi” brasileiro, do qual participou ativamente com as revistas da editora Pro-C (Lodo, Soslaio, Refugo, Mijo, Pântano Tralha, Fráuzio,etc). ”RxDxP Comics“ durou dois números e foi uma experiência de transformar a banda de hardcore Ratos de Porão (do qual João Gordo é vocalista)em personagens de quadrinhos tão punks quanto sua música. Com roteiros de João Gordo e Marcatti (que também fez a arte, diagramação e cuidou de fotolitos, impressão e distribuição), este gibi é a união concreta entre Rock e Quadrinhos. Tem pegada, tem grave, tem agudo, tem ginga e tem porrada, muita porrada!

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