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Homenagem a Bartolomeu Vaz
Por Bira Dantas
17/12/2008

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No artigo passado falei das perdas de Eugênio Colonnese (08/08), Gedeone Malagola (15/09) e Claudio Seto (15/11). De lá pra cá, recebi mais uma notícia triste: Bartô, o grande conhecedor e colecionador de HQ nacional, quadrinhista da revista O Cruzeiro, se foi. Eu recebi a notícia direto de sua filha, Bartira. Puxa, eu acompanhava os super informativos fotologs dele (clique aqui e aqui para acessar), com uma coleção de dar inveja em qualquer um.

E-mail enviado por Bartira Vaz: "Gostaria de informar aos srs. que foram amigos de meu pai Bartolomeu Vaz, que infelizmente ele veio a falecer na noite do último dia 29 de novembro em consequência de um enfarte fulminante. Ele ia fazer 70 anos em 1º de dezembro. A família toda foi pega de surpresa, foi um choque para todos, mal tivemos cabeça para avisar parentes e amigos pelo telefone e deixamos a net para depois por isso não pude avisar antes. Meu pai foi enterrado no cemitério Dom Bosco no dia 1º de dezembro, foi muito triste porque ia ser o dia do aniversário dele. No dia 6 rezamos a missa de 7º dia na Igreja Nossa Senhora dos Remédios. Eu ajudava o meu pai na net, ele gostava muito de ficar no computador, mas principalmente gostava de Quadrinhos brasileiros. Isso sempre foi a vida dele, e mais ainda depois de se aposentar! Obrigada a todos que lhe deram muita alegria nesses últimos dias!".

Ele escrevia longas e bem fundamentadas dissertações sobre o Quadrinho nacional, dosadas com seriedade e bom humor, além de criar a impagável Associação dos Desenhistas Brasileiros Sem Serviço:
Bartolomeu Vaz - Texto 1
Bartolomeu Vaz - Texto 2
Bartolomeu Vaz - Texto 3
Bartolomeu Vaz - Texto 4
Bartolomeu Vaz - Texto 5
Bartolomeu Vaz - Texto 6
Bartolomeu Vaz - Texto 7
Bartolomeu Vaz - Texto 8

Assim como escreveu artigos que fizeram pular de alegria os membros da CQB e os fãs do quadrinheiro Emir Ribeiro: Bartolomeu Vaz - Artigo 1 e Bartolomeu Vaz - Artigo 2

Criou também os pitacos do Bartô, onde falava de tudo, sempre baseado no tema HQ: Pitacos 1 e Pitacos 2.

Jota Silvestre escreveu um belo artigo no blog Papo de Quadrinho.
Um dos maiores colecionadores e defensor incansável (às vezes radical!) do quadrinho brasileiro, Aparecido Bartolomeu Vaz Pedrosa faleceu no último dia 29, dois dias antes de completar 70 anos, vítima de um enfarte fulminante. Inteligente, culto e educado, Bartolomeu trabalhou por um curto período como argumentista e desenhista no início dos anos 70. Pela revista Cruzeiro Infantil, publicou seu personagem Cavaleiro Escarlate em 1974. Na mesma época, chegou a desenvolver uma HQ do Capitão Aza, famoso personagem de programas infantis, que nunca foi publicada.”

JAYME CORTEZ (1926/1987)

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O grande mestre dos Quadrinhos de Terror, ilustrador fantástico e capista cinematográfico de mão cheia. Este português autor de livros como A Técnica do Desenho, Manual prático do Ilustrador e Ilustração, revolucionou o mercado de HQ no Brasil quando ao chegar em Terras Tupiniquins, descobriu que a maioria dos desenhistas copiava os Comics americanos. Colocou todo mundo a desenhar modelos vivos ou baseados em fotos. Talentos floresceram como Flavio Colin, Getúlio Delphin, Shimamoto, Nico Rosso, Izomar e tantos outros. Fez sucesso danado desenhando revistas da editora La Selva. Lançou o personagem Zodíako. Eu o conheci em 1977, quando visitei o estúdio do Mauricio de Sousa com um envelope cheio de desenhos de super-heróis. O Maurício gostou, mas disse que o Cortez poderia falar melhor de músculos e lutas. Me apresentou seu diretor de arte, que depois de bater um papo de meia hora e me falar de Hal Foster, Alex Raymond, Burne Hogarth e Neal Adams, me presenteou com A Técnica do Desenho e O Zodíako. Quando morreu em 1987, foi uma comoção na AQC (Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas SP). Depois de doarmos sangue no hospital, saímos todos pra tomar umas biritas (eu, Gual, Jal, Floreal, Paulo Baptista, Marcatti, Worney, Guida, Spacca, Rocco e mais um monte de gente que não lembro) no bar em honra ao nosso grande amigo. Saiba mais sobre Jayme Cortez aqui.

ELY BARBOSA (1939/2007)

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Trabalhei no seu estúdio como freelancer de 1980 a 1982, desenhando Os Trapalhões. Muito criativo e com grande espírito de liderança, aglutinou dezenas de profissionais em seu estúdio e produziu para editoras como Bloch e RGE, além de animações para comerciais (D.D.Drin) e para as TV Tupi e SBT (Sílvio Santos). Retomei contato pela Internet uns 20 anos depois de sair de seu estúdio para virar chargista político. Eu lhe dediquei meu segundo troféu Angelo Agostini. Ele morreu em 2007. Saiba mais sobre Ely Barbosa aqui.

HENFIL (1944/1988)

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Foi um dos chargistas e quadrinhistas mais originais, criativos e combativos que este país já teve. Dono de humor extremamente irônico, foi diretor de cinema (Tanga, deu no New York Times), escritor (Diário de um Cucaracha, Cartas pra mãe, Henfil na China antes da Coca-cola) e apresentador de TV (TV Homem). Cativou a todos por seu traço rápido e expressivo, além do humor irônico e corrosivo. Suas caricaturas pareciam desenhos caligráficos, assinaturas geniais e pessoais. Ele arrancou lágrimas de milhares de pessoas em 1988, ao perder a luta contra a AIDS, doença contraída ao receber transfusão de sangue. Era hemofílico (como Betinho e João Mário, seus irmãos também mortos pelo sangue contagiado). O ministério da saúde da ditadura brasileira alegava ser muito caro examinar o sangue que era doado aos hospitais. Saiba mais sobre Henfil aqui.

Este deve ser meu último artigo de 2008. Por isso, desejo ótimas festas a todos. Em janeiro estarei de volta!

Memória do Quadrinho Nacional: faça a sua parte. Leia, informe-se, divulgue!

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