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O Centro de Quadrinhos de Bruxelas
Por Bira Dantas
25/08/2008


A Bélgica é realmente fantástica. Não bastasse ter produzido alguns dos maiores quadrinhistas do mundo como Hergé (criador do célebre Tintin, que eles pronunciam Tantan) e Franquin, a Banda Desenhada (como eles chamam as Histórias em Quadrinhos) belga produziu uma infinidade de autores de primeira linha. Os nomes mais conhecidos do grande público são os de Johan De Moor (filho de Bob De Moor e autor da insólita e popular série La Vache) e Marvano (um dos criadores da trilogia A Guerra Eterna, publicada em Portugal). E eles têm um museu que dá inveja a muitos por aí.

Assim, tomamos o trem em Brugges e fomos até Bruxelas. Cidade grande, moderna. Sede da União Européia. Seus prédios futuristas fazem o contraponto a alamedas arborizadas. Fomos de metrô até a Estação Jardim Botânico. O que nos intrigou foi a falta de catracas. Não achei lugar onde enfiar os bilhetes. Quando chegamos na escada rolante, um senhor tentava passar o bilhete numa caixa amarela, mas não funcionava, nenhum funcionário estava lá. Pegamos a escada rolante e já saímos na plataforma de embarque. Entramos no metrô e ninguém veio conferir nossas passagens. No vagão, uma senhora percebeu nossa preocupação em conferir as estações e nos tranqüilizou num claro francês, mostrando as estações que faltavam e pediu à sua vizinha que nos avisasse quando estivesse mais próximo. Agradecemos a simpatia e a surpresa foi saber que ela era brasileira. Papos rápidos trocados em português.

 

Descemos na estação Jardim Botânico. Linda! Fomos a pé até o Center Belge de Bande Dessiné, na rue dês Sables, 20. Eles o chamam, carinhosamente de “CêBêBêDê”. Não está longe das torres góticas e barrocas da Grand-Place. O CBBD fica num prédio restaurado, que foi construído em 1903 para abrigar o departmento de Arte Nouveau da Magasins Waucquez, projetado por Victor Horta. O prédio é uma atração por si só, como é todo o cuidado com a arquitetura na Europa. Tem 4.000 metros quadrados e recebe 260.000 visitantes por ano. Tem uma bela lojinha de Quadrinhos e souvenirs chamada Slumberland (em homenagem a Little Nemo). Dentro do Museu, mais surpresas: um modelo do foguete quadriculado de vermelho e branco, com que Tintin e seu cãozinho Milu voaram para a Lua está lá, em tamanho real, assim como o próprio Tintin e o Capitão (vestidos de astronautas), para tirarmos fotos ao lado.

 

Na bilheteria eu me apresentei como cartunista brasileiro e disse que gostaria de doar algumas revistas para a Biblioteca do Centro. A mocinha pediu que eu esperasse e desceu as escadarias correndo. Ao voltar, disse que o diretor do Museu havia saído para um café, mas que nossa entrada à exposição do acervo seria franca. E que exposição! Originais de HQs belgas desde a década de 30 mostram um belo panorama de como os Quadrinhos evoluíram por lá! Os mezaninos se complementavam mostrando o surgimento do movimento Underground na Bélgica, caricaturas feitas em escultura e cartuns bidimensionais maravilhosos, com os detalhes todos recortados e montados em caixas iluminadas. Estes mezaninos se interligavam por escadas que acabavam em grandes monólitos (como o do filme 2001, Uma Odisséia no Espaço, de Kubrick) com todas as capas de revistas como Spirou.

 

Ali, ao pé da escada me esperava um cara sorridente: Willem de Graeve era o diretor do Centro. Agradeci o presente das entradas e ele respondeu que aquela era a minha casa e que eles não poderiam cobrar ingresso de um cartunista. E de chofre, emendou: -Estou ansioso para ver as suas revistas e pode falar em Português, que entendo perfeitamente. Ele havia morado em Portugal. Ganhou um Bira Zine e Pro Dia Nascer Feliz, gibi que criei para o Adriano Diogo, ex-secretário do Meio-Ambiente da Marta (aquele que triplicou o Parque do Carmo e criou a fonte musical do Ibirapuera e A Mostra de Cinema da Zona Leste). Willem que fez questão de ser chamado de Guilherme, disse ter uma grande curiosidade sobre os Quadrinhos Brasileiros. Prometi que resolveria isto, enviando mais livros como Memórias de um Sargento de Milícias (Escala Educacional), Fome de Ver Estrelas e Tiras de Letras (Ed. Virgo) e Prismarte Terror. Fiz isto assim que chegamos em Amsterdam. Também prometi entrar em contato com editoras brasileiras como Via Lettera, Devir, Escala e Conrad, para que enviassem suas edições para lá (assim como para Lambiek, em Amsterdam e o Cartoon Museum, em Londres).

 

Finalmente visitamos a biblioteca com mais de 30.000 livros, que qualquer um pode tranquilamente ler sentado em almofadas no chão. Tintin, Asterix, Thorgal, Lucky Luke, Smurfs, Charlie Brown, Andy Capp (Zé do Boné), Suske e Wiske e até, pasmem, Superman, Batman e Lanterna Verde. Eles têm um belo acervo de Quadrinhos de várias línguas, mas na seção Português, só encontrei algumas poucas edições Lisboetas. De volta ao metrô, o mistério do bilhete continuava. Nada de catracas. Conversando com Claudia no vagão, uma senhora portuguesa, muito simpática, explicou: -Há um furadoire de bilhetex na intrada da ixtação. Era lá, poix, que diviam tê-lox furado, ora! Aí a desgraça já estava feita. Só nos restava torcer para que os fiscais não nos pegassem com a mão na massa e no bilhete sem furos. Ao chegar, aliviados e com 4 bilhetes sem uso, acabei deixando-os no suporte da lixeira, depois de tentar dá-los, sem sucesso, a um sem-teto que dormia no chão. Sentamos para comer um sanduíche e tomar uma cerveja, antes de embarcar para Amsterdam. Aliás, até os holandeses dizem que as melhores cervejas da Europa são de lá. A famosa Duvel, a Tripel Karmeliet, Paradise. São cervejas com 100% malte, encorpadas, fortes, geladas. Lembram a nossa Bohemia Abadia! Em Sampa tem até uma loja para degustar cervejas belgas: a Beer House em Moema. Mais fotos aqui.

 

Bira Dantas adora viajar, conhecer novas culturas, novas HQs e novas cervejas. Mas quando bebe, não dirige. Com a nova Lei Seca, o melhor é andar a pé. Até porque uma redução de 30% nos acidentes é motivo mais que fundamental para acatar a Lei.

(ilustração: Bira Dantas; fotos: Cláudia Carezzato)

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