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Lobato: Cartuns e Aquarelas
Por Bira Dantas
01/10/2007

Aquarela de Lobato, 1944

Eu tenho uma inveja danada de pessoas que conseguem se dedicar a vários projetos ao mesmo tempo e conseguem ter bons resultados no que fazem. Temos vários exemplos: Robert Crumb, que além de produzir tantos Quadrinhos, mantém a Banda Folk. Ou o nosso Marcatti, que além de sua grande e esmerada produção de HQs (vejam a sua Relíquia, publicada pela Conrad), toca e fabrica guitarras como poucos, dominando o slide guitar como só os fod*&$ conseguem e ainda arranha na gaita! Temos ainda Luiz Fernando Veríssimo no Sax, nas tiras e nos livros. E vou parar por aqui senão passarei linhas e linhas citando caras incríveis como o caricaturista Carlinhos (que tem uma banda de Chorinho), Mário Mastrotti (que toca percussão), Spacca no violão (Mastrotti, Spacca e eu - na gaita - fizemos uma bela trinca de Blues no sítio do Arthur, durante o VotuRiso, em Votuporanga) e tantos outros.

Nem só de escrever, Lobato vivia... Além de estar presente em vários e importantes momentos da nossa história, como de campanhas em prol do Ferro e do Petróleo, ele era um apaixonado por pintura. Pensou até em cursar Belas Artes. Mas o avô acabou forçando-o a estudar Direito, abrindo mão da arte, mas se dedicando depois à literatura. No site que traz sua biografia, ele afirma: "No fundo não sou literato, sou pintor. Nasci pintor, mas como nunca peguei nos pincéis a sério (...) arranjei este derivativo de literatura, e nada mais tenho feito senão pintar com palavras". Segundo o site chegou a participar de um concurso de cartazes no Rio de Janeiro. O incrível são as ilustrações que produziu para as revistas Fon-Fon e Vida Moderna e para o livro Urupês. Foi até um dos mais importantes críticos de arte de Sampa no começo do século passado. Pintou a vida inteira e realmente alcançou uma leveza nas pinceladas de aquarela invejável. Além, é claro de uma firmeza no bico de pena e nanquim de seus cartuns e ilustrações.

Roto e o esfarrapado (Fon-Fon, 11/09/1909) e república estudantil do Minarete

Lobato começou colaborando em jornais estudantis de Taubaté, onde nasceu. Mas enquanto cursava Direito na Faculdade do Largo São Francisco, em São Paulo, dedicou-se a escrever e desenhar. Um dos lugares que pintou em suas aquarelas foi a república estudantil do Minarete. Note que ele usa tons suaves e pinceladas rápidas, apesar de pesar a mão em alguns lugares. Buscava um estilo... Depois de formado, por volta de 1905, começou a colaborar com jornais como O Estadão, Gazeta de Notícias e Tribuna de Santos. Fez cartuns e caricaturas para a revista carioca Fon-Fon. E demonstrou um traço arrojado e extremamente profissional. Em 1914 escreveu e ilustrou Urupês, criando o Jeca Tatu. Vendeu a fazenda que herdou do avô, e se dedicou aos livros e jornais. Colaborou em revistas como Vida Moderna, O Queixoso, Parafuso, A Cigarra, O Pirralho. Com o dinheiro da fazenda, comprou a Revista do Brasil, onde publicou obras de artistas modernistas como Menotti del Picchia e Oswald de Andrade, com capas de Anita Malfatti. E foi com ela que criou polêmica durante a Semana de Arte Moderna ao escrever o artigo Paranóia ou mistificação?, onde criticou a exposição da pintora.

Um Cartum e ilustração do Saci (nanquim)

Foi nessa época que publicou sua primeira história infantil: A menina do narizinho arrebitado, ilustrada por Voltolino, um dos mais conceituados ilustradores então. E fez uma grande miscelânea, misturando literatura universal, mitologia grega, HQs e Cinema (Hércules, Peter Pan, Gato Félix, Chapeuzinho Vermelho, Alice). Em 1925, com cortes no fornecimento de energia e mudanças na política econômica, a empresa de Lobato se encheu de dívidas e acabou falindo. Virou adido comercial em Nova Iorque, mudando-se para os EUA, mas nunca parou de desenhar e pintar. Aí está uma bela mostra do que produziu.

Conto os faroleiros (aquarela) e Nova Iorque 1929 (nanquim aquarelado)

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