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A Menor Livraria do Mundo no Jeremias, o Bar
Por Bira Dantas
14/05/2007

Na Rua Avanhandava, em Sampa

Hoje vou levar os leitores da minha Coluna a uma viagem virtual por São Paulo. Zarpando pela Avenida 9 de Julho, subindo pela Rua Augusta (não a 120 por hora, claro) pouco antes da Praça Roosevelt, à esquerda sai um lindo boulevard, com calçamento colorido, arborizada com muito bom gosto (lembra muito algumas charmosas ruas européias), onde se localiza Jeremias, o Bar. Construído por Walter Mancini (dono das ótimas Pizzarias e da tradicional cantina Famiglia Mancini, na mesma rua), foi batizado com este nome em homenagem ao personagem do Ziraldo, Jeremias o Bom.

O local foi decorado com quadros de mais de cem cartunistas brasileiros e o balcão do american bar tem placas douradas que reproduzem as assinaturas de vários ilustradores. A minha está lá, minha filha Thaís que achou. Quem visitar o bar pode se divertir procurando! Quando convidaram Ziraldo para decorar o bar temático (que tem um chopp ótimo), ele sugeriu que vários ilustradores fossem convidados a desenharem o seu personagem. Aliás, os cartuns jeremiásticos de Ziraldo acabaram de ser relançados em formato livro pela Melhoramentos.

O começo
Para conseguir essas obras, o cartunista Gualberto Costa e sua mulher, Daniela Baptista (ambos do Oscar do Quadrinho Nacional, o HQ Mix), pediram doações. "A gente combinou que cada pessoa que doasse teria o original incluído no acervo do Museu das Artes Gráficas e uma cópia ficaria no bar". A outra parte dos trabalhos veio através de um banquete, convidaram 40 ilustradores, com a missão de produzir material exclusivo para o bar, enquanto comiam e bebiam. Eu fui convidado, mas acabei não conseguindo sair de Campinas. Perdi um evento digno do filme italiano A Comilança (rs)! Se não bastasse tudo isso, Gual e Dani resolveram criar algo inédito. Uma livraria dentro do bar, ou um bar com livraria. “Sempre se viu o contrário, livrarias com bar”, disse ele. Assim, criaram um acervo de livros e revistas, de cartuns, charges e Quadrinhos, enviados por profissionais de norte a sul do país.

Gibi no cardápio?
Este acervo está disponibilizado num cardápio especial, com as capas de todas edições (meu BiraZine está lá) que estão disponíveis e as esgotadas. Ao cliente, os garçons oferecem dois cardápios, o de comes e bebes e o de Quadrinhos. E há os que já tentaram comprar este último, de tão bonito que é. Coisas de Gualberto, amigo que conheço desde meus 17, 18 anos, quando eu ainda engatinhava no traço.

Gual, cartunista talentoso (um dos manequins desenhados no bar é seu), já teve uma escola de arte (Rian, junto com o JAL); foi membro da Associação de Quadrinhistas e Caricaturistas SP (aquela do boneco do Teotônio na Campanha das Diretas Já), foi editor de Quadrinhos com Franco de Rosa na Press Editoral, de Paulo Paiva; foi um dos criadores do prêmio HQ Mix; capitaneou Salões de Humor Brasil afora (Salão da Aids e de Piracicaba); cuidou da impressão do Pasquim 21 e montou o Museu das Artes Gráficas do Brasil (MAG), um antigo sonho que foi desmontado pela secretária de (des)cultura cláudia costin do governo alckmin (atenção, revisão, todas em minúsculas mesmo).

Noitadas de autógrafo
Além desse acervo que só pode ser encontrado lá, Dani e Gual têm promovido noites de autógrafos de revistas e livros todas as semanas. Jô Fevereiro, Vilachã e eu estivemos lá lançando a série Literatura Brasileira em Quadrinhos (Escala Educacional): Miss Edith, O Cortiço e Memórias de um sargento de milícias (respectivamente). Foi assim que criei o cartum dessa edição, onde pode-se ver Gual ao lado de Walter Mancini (com o cardápio de gibis), Vila, Jô e eu (com a gaita) e dentro do bar, a Dani.

Por lá passaram grandes nomes do Quadrinho nacional como Ziraldo (óbvio), Ciça, Orlando, Fernando Gonsales, Luiz Gê (do Balão, uma das primeiras revistas underground daqui), Laerte, Angeli, Chico e Paulo Caruso, Alcy, Xalberto, Bira Câmara, Gil Tokio, Fausto, JAL, GuazzelliAllan Sieber, Toninho Mendes, Adão Iturrusgarai, Edra, Fabiano Barroso, Piero Bagnariol (da revista mineira Graffitti 76%) e tantos outros. Bom, só posso aplaudir a iniciativa criativa da dupla Gual e Dani e torcer para um dia, quem sabe, eles resolverem montar uma filial da Menor Livraria do Mundo aqui em Campinas. Enquanto isso não acontece, continuaremos indo à Rua Avanhandava 37, em Sampa, a fim de ouvir um bom Jazz no piano, tomar um ótimo chopp, encontrar os amigos e poder apreciar o que o Brasil tem de melhor no campo dos quadrinhos e caricaturas.

Para pedir meu gibi Memórias de um sargento de milícias (e mais a série ilustrada pelo Vila e Jô), é só ir ao Jeremias ou pedir pelo site da Escala Educacional.

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