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Johnny Hart, desenhista de B.C., parou de desenhar (18/02/1931-07/04/2007)
Por Bira Dantas
11/04/2007

Cartum de Hart criado para um
anúncio de refrigerante

O cartunista Johhny Hart faleceu aos 76 anos (como divulgado aqui), na véspera da Páscoa, enquanto trabalhava em seu estúdio, em Nova Iorque. Ele gerou controvérsias com suas bem sacadas licenças-poéticas ao misturar em seus cartuns todo tipo de coisa como: evolução, telefone, baseball, filosofia, hockey, boliche, crises psicológicas, terapeutas, relações conflituosas, fio dental, telefones, dinossauros, homens das cavernas, alces e mensagens religiosas. As suas tiras eram conhecidas no Brasil como A.C. (Antes de Cristo). Hart também colaborou com Brant Parker na tira medieval O Mago de Id.

O começo da carreira
O pai de John Lewis Hart, também cartunista, o ensinou a ler as tiras com olhar técnico. Assim, cresceu examinando estilos e criando o seu próprio. Ele serviu à Força Aérea Americana e publicou cartuns e tiras nos jornais militares Pacific Stars e Stripes. Conheceu sua mulher na Georgia e se casaram em 1952. Depois que abandonou a carreira militar, publicou seu primeiro cartum como freelancer, em 1953, no Saturday Evening Post. Em 1958, trabalhou no departamento de arte da General Electric, enquanto começou a vender cartuns e tiras para jornais e revistas.

As Tiras
B.C. (Before Christ) começou a ser publicado em 1958; foi distribuída pela Creators Syndicate para mais de 1.300 jornais no mundo e lido por mais de 100 milhões de pessoas. O jornal Times publicou B.C. de 1968 a 2001, quando considerou as tiras polêmicas demais. Há quem diga que B.C. foi a tira mais censurada do mundo! Desde 1980, quando se converteu ao cristianismo (ele era presbiteriano), Hart passou a inserir mensagens religiosas em seus cartuns e tiras, principalmente no Natal e Páscoa. Alguns membros da comunidade judaica e muçulmana reclamaram com a sua distribuidora, alegando que suas tiras eram ofensivas ou inapropriadas. Vejam só, logo na terra do Tio Sam, centro da liberdade de opinião (sic).

Tira de Johnny Hart com tema natalino

A tira da discórdia
Pressionados, muitos jornais se recusaram a publicar as tiras B.C. depois da Páscoa de 2001. Ele desenhou um candelabro hebraico de sete velas, para cada vela apagada, escreveu uma frase que teria sido dita por Cristo. Quando a sétima palavra é escrita, o candelabro queimado vira a cruz no monte onde Jesus foi crucificado e o sangue escorre até uma caverna típica da tira, onde se vê um altar de pedra com o pão (corpo) e o vinho (sangue). Causou furor! Hart parecia não se importar com isso e disse “eu espero que este cartum gere mais interesse na discussão religiosa”. A Liga de Defesa dos Judeus fez até uma campanha na Internet para que leitores do mundo inteiro pedissem o fim da publicação das tiras. Mas, muitos leitores cristãos aprovaram e apoiaram seu humor religiosamente engajado.

A mais polêmica tira do cartunista

É bomba!
Em uma entrevista bombástica ao Washington Post (1999), ele disse que "Judeus e Muçulmanos que não aceitarem Jesus, arderão no inferno”, "Homossexualismo é coisa de Satã" e "O fim do mundo deverá ser em 2010”. B.C. não foi a única tira a fazer isso, Peanuts (Charlie Brown), The Family Circus e Dennis the Menace (Denis, o Pimentinha) também tocaram em assuntos bíblicos, feriados cristãos e seus significados.

Legado
Foram editadas centenas de coletâneas no mundo inteiro. Dono de um traço ágil e expressivo, com humor inteligente e texto curto, certamente vai deixar saudade entre os que se interessam pela tradição da Tira em Quadrinhos. Ele influenciou muita gente boa até aqui em terras tupiniquins, como Henfil (Graúna) e Luiz Fernando Veríssimo (As Cobras). Veja aqui algumas capas de revistas de Hart e aqui você pode entrar em contato com a família do cartunista e enviar suas condolências.

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