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Raio Negro
Por Antonio Luiz Ribeiro
29/05/2011

O surgimento do Raio Negro, em 1966 (*) foi uma espécie de marco na história dos super-heróis brasileiros. Enquanto que seus predecessores, como "Capitão 7" e "Capitão Estrela", eram calcados nos personagens americanos da Era de Ouro ("Superman", "Flash Gordon" etc.), Raio Negro foi o primeiro do gênero a se basear num super da Era de Prata. O modelo em questão era o Lanterna Verde, que fazia sucesso nos States, publicado pela “Showcase” e em revista própria.

Raio Negro foi criado por Gedeone Malagola, quadrinhista com cerca de 40 anos de idade na época, que já tinha alguma experiência no gênero (foi um dos roteiristas do "Capitão 7"). Tudo começou quando a GEP encomendou a Malagola a criação de um super-herói. O desenhista apresentou o "Homem Lua" mas, como esse não tinha superpoderes, foi rejeitado como personagem-título, ficando para complementar a revista, apenas.

Foi dito a Gedeone, então, que desse uma olhada no "Lanterna" e, às pressas, surgiu "Raio Negro". Talvez devido à pressa requerida, Gedeone não teve tempo de bolar algo original para a estréia do novo herói. A origem de Raio, lançada no no. 1, era toda baseada no Lanterna. Assim como o clone americano, Raio também era um piloto aéreo, o oficial da FAB Roberto Sales. Na época, a corrida espacial estava a todo vapor e o Brasil não podia ficar de fora. Assim, Sales foi o primeiro astronauta brasileiro lançado no espaço. Uma vez fora da atmosfera, Sales faz contato com um disco voador avariado. Seu ocupante, Lid, de Saturno, está incapacitado devido aos ferimentos e orienta o terrestre para que ligue uma espécie de piloto automático que levará o disco de volta ao planeta de anéis.

Agradecido por ter se arriscado para salvá-lo, Lid o presenteia com um estranho anel, uma arma na verdade, chamada Anel de Luz Negra, feita com a energia magnética de Saturno, capaz de tornar o terrestre num verdadeiro super-homem.

Malagola roteirizou e desenhou Raio Negro em 24 aventuras, sendo publicadas também em um único almanaque e na revista "Edições GEP" (estreladas pelos “X-Men”), nesta última em duas aventuras especiais. Além de "Raio Negro" e "Homem-Lua", a revista trazia, volta e meia, um terceiro personagem, o herói submarino "Hydroman", também de Gedeone.

Com o cancelamento da revista, Raio Negro ficou no limbo. Mas ele foi um herói de sucesso, um personagem que marcou a mente de muitos leitores da época. Em 1982 muitos fãs ainda lembravam do personagem. Foi quando a editora Grafipar, de Curitiba, que só trabalhava com quadrinho brasileiro, decidiu que já era hora de trazer o herói de preto de volta. Fizeram um teste e lançaram um coletânea de algumas histórias da década de 60, com uma nova capa pintada por Watson Portela. Infelizmente, a crise econômica (recessão) da época acabou falindo a Grafipar.

Anos mais tarde, uma nova tentativa foi feita, desta vez pela editora ICEA. Infelizmente, também fracassou. Em 1998, a revista “Metal Pesado”, especialista em quadrinho brasileiro, publicou em seu no. 6 uma aventura do Raio Negro.

Fonte:
(*) Gedeone informou, em 1981, que o n° 1 do “Raio Negro” chegou às bancas em 1965. Mas é bem possível que sua memória o tenha traído. Isso porque aquela data de publicação (1965), não bate por uma série de fatores, não só pelo hiato entre a primeira edição e a seguinte (1967), bem como pelo preço da capa do n° 1 em relação à época e à comparação com outras publicações da GEP, quando esta começou a “engrenar”. De acordo com Otacílio D’Assunção, por exemplo, que possui tanto o “Raio Negro” n° 1 como o “Lobisomem” n° 1 (1966) da editora paulista, ambos os n°s. parecem ter saído na mesma época, pois têm as mesmas características gráficas: no preço da capa, além de serem usadas as mesmas tipologias, por exemplo, o “3” do "CR$ 300" (um preço mais condizente com 1966 do que com 1965) está em corpo diferente dos dois “zeros”.

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