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Disney renova a si própria: a animação 2D volta com tudo
Por Ruy Jobim Neto
17/05/2009

Up, de Pete Docter e John Lassiter (este, considerado o mais novo mago do cinema americano, um novo Disney) levou a abertura do Festival de Cannes para cima. Literalmente. O filme foi aclamado pela crítica na Riviera e na Croisette. E é uma produção 3D, daquelas de as pessoas assistirem com o famoso óculos. Não é efetivamente a animação 3D que veio para ficar somente. Nem mesmo os artistas da Dreamworks, que deram ao mundo a graça de um Shrek conseguirão deter a criatividade inesgotável de uma Pixar. Nesse meio tempo, a própria Disney se reinventou. O que ficam são as grandes histórias, não importa a dimensão do filme.

Cena de Rapunzel Unbraided, de Glen Keane

Quem não se lembra de uns três ou quatro anos atrás, quando foi dito que a animação tradicional 2D teria tido o seu fim com um belíssimo curta-metragem (da própria Disney!!!!) em que uma menininha enfrentava o rigoroso inverno russo ao som de Alexander Borodin. O filme, dirigido por Roger Allers (diretor de O Rei Leão) se chama The Little Match Girl (algo como “A Garotinha dos Fósforos”). Muito bem, aí veio aquela profusão de filmes 3D, de Shreks, Madagascar, Ursos Pandas, Carros, Monstros. Vieram os Oscars de Melhor Filme Animado (o que abre para as duas frentes, 2D e 3D) A própria Disney vislumbrou que, se utilizar uma técnica velhíssima de marketing, ela repõe na prateleira um produto que na verdade nunca faltou, a animação 2D (você tira da prateleira, o público sente a falta ou você faz o público sentir essa falta). Nesse meio tempo, e com alguma demora, o grandioso Glen Keane (de A Bela e a Fera, A Pequena Sereia e Alladin) está dirigindo sua versão em 3D de Rapunzel (em Rapunzel Unbraided, aqui num vídeo com artes conceituais do próprio Glen Keane). O filme promete chegar em 2010.

A bem da verdade, a Disney jamais parou com sua produção 2D, menos ainda para a TV, mercado que ela domina pela capacidade de criar e pela qualidade já associada à assinatura do velho Walt. No cinema então, é bobagem falar. Mas bem que a Dreamworks de Spielberg quase deu uma arranhada na fábrica de sonhos de Burbank. Aí vem, sob a batuta dos experientes John Musker e Ron Clements, a mesma dupla de diretores de Alladin e A Pequena Sereia, uma novidade que leva o título de The Princess and the Frog. É o mais novo filme em 2D do estúdio, para retomar o mercado, depois de um breve sumiço. Como é? The Princess and the Frog? Não era The Frog Princess ou algo que o valha? Sim, era. Mas esse novo conceito da Disney sobre o filme, ainda para 2009, pelo que afirmam, para o segundo semestre deste ano, tem sua pedra de toque (haha, daí vem o termo “Touchstone”) na questão étnica. E dá-lhe pendenga. A heroína é a primeira afro-descendente a protagonizar um filme Disney. Muito bem. Qual foi a pendenga? O filme já nasceu com uma controvérsia e com a era Obama. É mais ou menos o seguinte.

Cena de The Princess and the Frog, de John Musker e Ron Clements

Setores que defendem os direitos civis, muito corretamente, dispararam contra a idéia do filme, que se passa em Nova Orleans e tinha sua heroína sendo uma maidservant, uma empregada de brancos. Muito bem, isso redesenhado, o próximo passo foi mudar o nome da personagem. Ela, que tinha o nome Maddy (possivelmente de Madeleine) foi rebatizada para Tiana e agora trabalha numa lanchonete, querendo um dia ter a sua própria. É curioso, pois, que os setores tenham conseguido essa vitória, mas não significa completamente uma derrota da Disney. Mais uma sorte, talvez. Que o personagem venha com controvérsia, isso faz bem ao filme. Tem gente curiosa, nos Estados Unidos, para ver a nova heroína nos cinemas, ela que irá se juntar a Branca de Neve, Jasmine, Mulan, Ariel e outras mocinhas disneyanas.

Por outro lado, tem jeito de ser uma fábula muito bem plantada. Uma baita jogada de marketing, fazendo parecer que é anti-marketing. Tal qual a jogada que muito bem beneficia a franquia de Dan Brown filmada por Ron Howard e estrelada por Tom Hanks. Business is Business. Vale tudo, pelo visto. No fim das contas, a platéia paga os ingressos, compra camiseta, álbuns, DVD, bonecas da Mattel. Tudo muito bem planejado, até os milhões de dólares que entrarão religiosamente nos cofres dessas indústrias. E isso ainda retomando a animação 2D, como se fosse um novo fôlego. Sei. Ah, e aguardem porque vem aí outro A Pequena Sereia ...número III. Talvez direto para vídeo. Quem sabe. Como diria o amiguinho do camundongo Jerry para o gato Tom naquele curta lindo e premiado com o Oscar da Academia, de Hanna-Barbera para a MGM, aquele em que eles são mosqueteiros do rei: "Guerra é guerra, gatinho!".

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