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Anima Mundi 2007: foi bonita a festa, pá!
Por Ruy Jobim Neto
17/07/2007

"Animadores e Animadíssimos!". Mais uma vez o brado de Marcos Magalhães se fez ouvir na Sala 1, o Grande Auditório da premiação do Anima Mundi 2007, no Memorial da América Latina (SP). César Coelho, Aida Queiroz, Marcos e Lea Zagury - os quatro diretores-comandantes desta festa brasileira (e internacional) da animação – estavam exultantes com os resultados de público, de Imprensa e de execução de mais uma edição do festival, sendo que esta é a 15ª delas. Tive duas oportunidades muito rápidas de conversar com Lea Zagury, uma simpatia só, puro carinho. O mesmo carinho de equipe que ela demonstra está plenamente atestado nos cinco dias muito bem sucedidos na capital paulista. E o Anima Mundi chega, com seus 1400 títulos deste ano a capitais como Belém. Os quatro estão de parabéns, bem como toda a organização, o pessoal de assessoria à Imprensa, e o novo layout, que tudo facilitou: a bilheteria ficou deslocada estrategicamente do corpo do festival, o que não acarretou o tumulto de filas como no ano passado. Ponto a mais.

Don't Download this Song, Shaun the Sheep: Still Life e Khan Kluay

 
Os vencedores desta edição foram:
Melhor Curta:
1º. Lugar: Lapsus, (Argentina), o divertido filme muito gráfico sobre uma freirinha às voltas com o chiaroescuro.
2º. Lugar: Don't Download this Song (EUA), onde Bill Plympton apronta mais uma, desta vez um divertido clip, que é uma bordoada contra os internautas que pirateiam músicas, a indústria fonográfica e por fim o consumismo descontrolado.
3º. Lugar: Lavatory Love Story (Rússia), mais uma fábula de Konstantin Bronzit, o mesmo criador da vinheta do Anima Mundi 2007. Uma mulher solitária procura aquele que deixar flores para ela, na porta do local onde ela trabalha.
 
Melhor Longa:
1º. Lugar: Khan Kluay (Tailândia), o lindo filme sobre o elefantinho em busca de seu lugar no mundo. Não irá estrear no Brasil. Mas bem que merecia.
2º. Lugar: Fimfárum 2 (República Tcheca)
3º. Lugar: Prince Vladimir (Rússia)
 
Melhor Primeira Obra:
1º. Lugar: Até o Sol Raiar (do Pernambuco/Brasil), de Fernando Jorge e Leanndro Amorim. Divertida e muito competente versão da Literatura de Cordel para o 3D.
2º. Lugar: Le Marchand de Sable (da França)
3º. Lugar: Meu Final Feliz (Alemanha)
 
Melhor Curta Infantil:
1º. Lugar: Shaun the Sheep: Still Life (Natureza Morta). Mais uma maluquice da britânica Aardman, onde a ovelha Shaun apronta todas na pintura de um quadro a óleo.
2º. Lugar: A Menina e a Raposa (Rússia)
3º. Lugar: Jaime Lo, Pequena e Tímida (Canadá)
 
Anima Mundi Web:
Júri profissional: The Shadow (Serbia)
Júri Popular: Paquetá (Brasil)
 
Animação em Curso (júri popular):
1º. Lugar: Le Marchand de Sable (França)
2º. Lugar: The Dancing Thief (EUA)
3o. Lugar: Calango (Brasil)
 
Melhor Animação Brasileira:
1o. Lugar: Até o Sol Raiar
2º. Lugar: A Noite do Vampiro (de Alê Camargo)
3º. Lugar: Limbo (de Rômolo Eduardo Hipólito)
 
Júri Profissional:
Melhor Design: L'Evasion (Bélgica)
Melhor Trilha Sonora: Recto Verso (Bélgica/França)
Melhor Animação: Meu Amor (Moya Lyubov), o maravilhoso filme de Alexander Petrov, o mesmo animador de O Velho e o Mar, vencedor do Oscar.
Prêmio Especial dos quatro diretores do festival para Vida Maria, de Márcio Ramos (do Ceará)
Prêmio Especial para Calango, de Alê Camargo. O cineasta ganhou, como prêmio, uma mesa de luz do Núcleo de Animação de Campinas.
 
Prêmio Anima 15 foi para Fábio Yamaji, com sua homenagem ao festival feita com páginas dos catálogos dobradas em origami.
 
Prêmio Oi Celular:
Júri profissional: Se Liga no Mundo, para Janaína Bonacelli
Júri Popular: Day Dreaming (das Filipinas)
 
Portfólio:
1º. Lugar: Fedex Stick (EUA), o divertido comercial pré-histórico onde um homem das cavernas é demitido por não usar Fedex e sim um pterodáctilo no envio de um certo objeto.
2º. Lugar: Ce Que Je Suis (da França)
3º. Lugar: Preta, de Bruno Mazzilli.

Gerald McBoing Boing, Lavatory Love Story e Shhh...

 
No cômputo geral, o Anima Mundi 2007 saiu ganhando. Mais e melhores patrocinadores e parceiros, entre eles a GOL (Linhas Aéreas Inteligentes), além de contar sempre com o Muan (Movement Universal Analyzer), o software da Linux para as oficinas de pixilation e de animação em papel. O público e mesmo os animadores de São Paulo sonham com mais dias (desta vez foram apenas cinco) para que se possa curtir melhor o festival, essa grande miscelânea que atingiu os quinze anos. No sábado, tive a chance de assistir ao belíssimo Khan Kluay, da Tailândia. O elefantinho protagonista é uma simpatia, e o carisma dele é repartido por todo o elenco de personagens desta fábula de honra e glória. No domingo, foi a vez dos curtas da U.P.A. (sobre a qual me debrucei na coluna anterior), onde pude assistir a clássicos como Gerald McBoing Boing e Rooty Toot Toot. Entre os animadores (muitos deles egressos da Disney nos anos 1940) estão Pete Burness (criador de Mr. Magoo), Stephen Busustow, Gene Deitch e George Dunning.
 
Outra surpresa do final de semana foi, sem dúvida, o divertido 7Tonnes2, onde um elefante em 3D, nos mínimos detalhes, sobe numa cama elástica para absurdos saltos mortais. O francês Zoudov vai mais longe e se utiliza de músicas do compositor britânico John Barry para o filme Goldfinger (de James Bond) e faz uma salada mista em 3D com uma personagem feminina russa que imita a atriz Daniela Bianchi (de Moscou contra 007) e a ambientação de Com 007 Você Só Vive Duas Vezes. Outro filme curto, porém divertido é Shhh..., feito no Reino Unido por Fumio Obata, onde um menininho faz sumir pessoas de uma biblioteca, como por encanto. O público também riu muito com as maluquices de um dinossauro em Making Of, onde se faz uma crítica ácida à indústria cinematográfica americana e ao star system.
 
Mas foi novamente ele, o homenageado desta edição, o animador Alê Abreu, quem mostrou o mesmo fôlego de seus personagens galácticos. Atendendo a todos com o mesmo carinho, tirando fotos com crianças e com todos aqueles que solicitavam atenção ou autógrafos, o cineasta paulista fez a festa com seu Garoto Cósmico, produzido por Lia Nunes para o Estúdio Elétrico. Alê estava com os olhos brilhando minutos antes da segunda exibição no Anima Mundi paulista. Antes, o filme havia estreado nacionalmente em Florianópolis, depois esteve no CineSesc da Augusta, e nas últimas duas semanas fez cinco projeções na versão carioca do Anima Mundi. Sucesso de público. Na emocionante exibição deste domingo, o cineasta levou novamente toda a equipe para o palco, incluindo as crianças que dublaram os personagens Cósmico (Aleph Naldi), Luna (Bianca Rayen) e Maninho (Mateus Duarte). Estavam lá o compositor Gustavo Kurlat – e eu acompanhado, na platéia, pela orgulhosa aluna dele, na E.L.T., a atriz Carolina Mesquita, que ficou conhecendo toda a trilha do filme antes mesmo de ser lançado o CD (que por sinal já se encontra à venda nas lojas e pela Internet). A platéia, que entupiu a gigantesca Sala 1 do Memorial, com mais de 800 lugares, encheu de orgulho à produtora executiva Lia Nunes, com quem eu conversava rapidamente no saguão do evento, minutos antes da projeção.
 
Kurlat, bem como Alê e outros dois colegas – Sabina Anzuateguy (de Desmundo) e Daniel Chaia (do making of exibido no sábado, no Papo Animado com o cineasta) – foram os escritores do roteiro do longa. Como o próprio Alê faz questão de frisar que Garoto Cósmico arredonda parte de sua filmografia (o próximo longa, Canto Latino, vem fechar um círculo estético e traduzir o pensamento do cineasta a respeito de como o universo envolve crianças das mais variadas procedências, desta vez no âmbito de toda a América Latina). A produção de Cósmico, que levou quase oito anos, gerou uma equipe coesa, e isso é facilmente perceptível. Tive a chance de vê-los em ação no Anima Mundi (Jozz, Daniel Pudles, Cristina Amaral, Priscilla Kellen, Drika Ooki, Lia Nunes), todos orgulhosos do grande filhote que colocaram na tela grande. A platéia infantil retribuiu à altura e bateu palmas acompanhando as canções de Kurlat (nas vozes de Belchior, Vanessa da Mata, Arnaldo Antunes e o próprio Raul Cortez), e os pais receberam tapas com luva de pelica: o filme critica abertamente a educação programada das crianças, e é um libelo em prol da alegria de viver, das cores, das brincadeiras, tudo isso representado pelo circo. Fotos do Anima Mundi 2007 nos links a seguir (outras fotos na Quadro a Quadro anterior).

04 - A fila para assistir à premiação
05 - Oficina de animação
06 - Papo Animado com Alê Abreu
07 - Aida Queiroz fala no encerramento

(fotos: Ruy Jobim Neto)

 Veja também:

Anima Mundi 2007: como foi o último dia do evento (SP)

Anima Mundi 2007: sábado animado! (SP)

Anima Mundi 2007: como foi o terceiro dia do evento (SP)


Anima Mundi 2007: como foi o segundo dia do evento (SP)

Anima Mundi 2007: Garoto Cósmico chega às telas em boa hora! (SP)

Abertura do 15º Anima Mundi demonstra vigor (SP)

 Do mesmo colunista:
Anima Mundi 2007: U.P.A. e Alê Abreu

Ratatouille: a aventura saborosa da Disney/Pixar

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