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Kika e Airon: nem toda donzela tem um pai que é um fera
Por Ruy Jobim Neto
04/11/2005

Airon

O caso da filha Kika, a personagem, e do paizão Airon, o autor, é exatamente o contrário - a donzela tem um pai que é um fera. Kika apareceu em páginas da revista Querida, da Editora Globo, em princípios dos anos 1990, teve passagens por livros-coletâneas de tiras da Editora Virgo e hoje tem o seu próprio blog, para sorte dos leitores.
 
O grande traço de Airon Barreto de Lacerda, irmão de uma família de cartunistas e roteiristas de quadrinhos, é o fino da bossa. Kika já vem num cair de pincel que tem sua grife desde o nascedouro. Kika e os demais personagens que compõem o seu mundo são embalados por um design arrojado, limpo e preciso, solto e leve. Muitos anos de janela no seio da animação brasileira fizeram da mão desenhadora de Airon uma extensão de suas idéias. Como o piano é para o pianista.
 

Kika

Kika é adolescente. A partir daí, constrói-se toda uma ambientação. Seja nas tiras em preto-e-branco (ou colorizadas ocasionalmente), seja nas páginas do blog, a personagem discute - como convém às adolescentes discutir - o universo ao redor. Das coisas mínimas, de um anel, por exemplo, às coisas máximas do relacionamento com pais ou pretendentes, Kika encanta. E o carinho do paizão é tamanho pela filhota que você não irá encontrar garota alguma mais bonita que a protagonista, ao ler os quadrinhos. 
 
Airon começou sua carreira como animador nos estúdios do falecido Ruy Perotti. Chegou a diretor de planejamento e desenhista de storyboards para os Estúdios Mauricio de Sousa, colaborando com curtas e longas da Turma da Mônica. Em abril deste ano, começou a participar como cartunista e ilustrador para a versão online da revista Istoé. Nesta página, o artista trabalha ao lado da escritora Esmeralda Hannah, com quem já havia trabalhado nas páginas do extinto jornal O Pasquim 21.
 
Vários personagens muito divertidos surgiram desta parceria: Faxineide, a diarista gostosa; o bebum Zuzo Bem, ex-publicitário, atual gambá de plantão; Extefânia (com "x" mesmo), considerada uma ex-mulher; Kata Rey, a socialite. Isso sem falar num bem brasileiro, Juca Job, o empresário multi-diplomado de tudo.
 
Paulista da capital, Airon ganhou nome na indústria. Seu traço é conhecido não só pela Imprensa, como pelo público, que já viu material dele seja em ilustrações, animação ou quadrinhos cômicos. Teve passagens pela revista Info Exame, Vip, Querida (com a personagem que encabeça a matéria), o site Charges Online, Releituras (onde ilustrou texto de Rubem Alves), entre tantos outros.
 
Além da Mauricio de Sousa Produções, onde desenvolveu planejamento, direção de animação, roteiro e storyboards para várias aventuras de Mônica, Cebolinha e Cia., Airon trabalhou na Sketch Filmes, na Cinema Animadores, entre outros estúdios de desenho animado em São Paulo. Participa ativamente de salões e festivais de humor mundo afora (e Brasil afora, também).
 
Voltando à donzela, o paizão de traço leve e preciso deve estar preparando, na surdina, alguma animação com a filhota Kika. Ela merece, bem como o público. Os fãs da adolescente vão agradecer.
 
 
Visite o site de Airon. 

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