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O mundo batráquio de Ran, de Salvador Messina
Por Ruy Jobim Neto
05/10/2005

Há um sapo no ar. Ran, a criatura batráquia criada em 1986 pelo cartunista e animador Salvador Messina, tem suas tiras publicadas em livros e revistas, já teve sua página própria na AOL/Brasil (Ran na Rede), marcou presença em jornais de renome como O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil e já virou até mesmo tese universitária. Falta virar série de animação. Ran, com todo o seu ponto-de-vista focado no planeta, surgiu na década de 1980.
 
Salvador Messina, o criador do ilustre batráquio, é autodidata, e desenha desde pequeno. Começou a cursar Arquitetura na USP, não terminando. Depois foi fazer Cinema, na Escola de Comunicações e Artes, na década de 1980, quando entrou em contato com o pessoal que produzia animação. O cartunista, à época, já possuía curtas-metragens de animação 2D nas costas: Zabumba (1984) e The Masp Movie (1986), em co-autoria com Sylvio Pinheiro - este filme é exibido até hoje, e fez parte das comemorações dos 50 anos do MASP, quando foi veiculado no site oficial do museu paulistano. Em televisão, Salvador trabalhou como animador nos programas Rá-Tim-Bum e Castelo Rá-Tim-Bum, ainda na década de 1980.
 
Em 1986, houve tiras publicadas do Ran no Jornal do Campus, ainda na USP, quando Salvador fez parte da página dois do periódico quinzenal da Universidade, ao lado de vários cartunistas, como Luigi Rocco, Myla, Ruy Jobim Neto e Newton Foot. A página de tiras era uma fonte de alívio para os leitores daquele jornal, sempre envoltos com outras questões acadêmicas.
 
As tiras chegaram aos olhos da redação do Caderno 2, suplemento cultural do jornal O Estado de S. Paulo, graças a uma busca pelo cartunista. Anúncios no próprio jornal perguntavam pelo autor do divertido sapo. À época, o jornalista e pesquisador Álvaro de Moya estava à frente da última página, de quadrinhos. Naquele período, o batráquio estava em sua primeira fase - a do boêmio, beberrão, morador constante de um copo sempre vazio de whisky em meio a qualquer balcão, amigo de garçons, sedutor de garotas. Ran rapidamente seduziu bem mais do que garotas ou copos de whisky: o personagem chegou rapidamente à notoriedade, à mente e aos corações do público.
 
Em 1996, Ran vira assunto de tese de mestrado. André Tomé Martins de Castro discute como o personagem foi "escolhido" pelo autor, ou vice-versa. Tendo sido fumante, anti-fumante, bêbado, anti-alcoólico, infantil ou erótico, Ran é destrinchado como o personagem carismático que trabalha perfeitamente em qualquer tema.
 
No currículo de bancas de revista do ilustre batráquio estiveram títulos como Aventura e Ficção, Níquel Náusea, Alegria, Quadreca e Skatemania. Atualmente, em sua fase ecológica, mais voltada para questões superiores, para a diversão e para a Educação, Ran, como personagem, participa de projetos os mais variados, aparecendo em mostras, exposições e com suas tiras publicadas em sites Brasil afora e mesmo em alguns países da América Latina.
 
Ran ainda nos deve uma série em desenho animado. Ao menos para seguir junto de sua divertida trajetória de tiras cômicas. O público assim aguarda.

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