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Resenha: Artlectos e Pós-Humanos # 5
Por Matheus Moura
15/05/2011

Tudo pode melhorar, até mesmo aquilo que antes se achava estar no ápice. A nova edição de Artlectos e Pós-Humanos # 5, de Edgar Franco, prova isso. A publicação, editada pela Marca de Fantasia, de Henrique Magalhães, mostra um trabalho maduro, consistente e denso. Porém, assim como as águas profundas do oceano, o caminho é árduo e difícil de alcançar. Para tanto é necessário preparo e isso demanda tempo. Uma dica para quem se aventurar ao mundo de Artlectos e Pós-Humanos é para que não pule etapas, vá do início. Dessa forma tudo fará mais sentido. Ao menos foi essa a impressão que tive ao ler esse quinto número.

O cenário pós-humano, que antes parecia distante, a cada edição se torna mais claro, mostrando como a proposta de um quadrinho poético, filosófico e fantástico, casa bem com o conceito futurista. Mais que isso, há nele o reforço das críticas contemporâneas ao homem dentro do contexto transhumano, como na primeira história BioSinCa. Nela, temas como preconceito, amadurecimento pessoal e evolução espiritual, são levados à experimentações extremas por uma raça tecnocrata sedenta por conhecimento.

As outras três histórias que fecham esse volume são: .:Finalmeme:., que aborda o dia a dia da aurora pós-humana, exaltando os avanços tecnológicos atingidos pelas novas possibilidades maquínicas; O meme da misantropia, a qual tem como abordagem a solidão e de como problemas que parecem  inatingíveis podem ser facilmente superados; e, por fim; Psicohipertecnoarte, a última história (publicada originalmente na Camiño di Rato # 4) trata das novas possibilidades de terapia e como os indivíduos podem exteriorizar, cada qual a sua maneira seja de que forma for, esteriótipos de suas próprias personalidades. Mais que isso, Psicohipertecnoarte toca na questão de como a arte, as vezes relegada a um segundo plano dentro do conhecimento humano, pode enfim ser parte da grande mudança por vir do homem.

Interessante notar que, de todas as outras Artlectos e Pós-Humanos, essa é que possui menos histórias (apenas quatro). Isso se deve por elas serem muito maiores do que geralmente se via. Enquanto as HQs anteriores possuíam uma média de três páginas, nesta quinta edição a mais curta possui quatro páginas. Outro ponto de destaque é o uso de quadro – falando assim parece paradoxal um quadrinho ter como destaque o uso de quadros, mas isso se deve ao fato de Franco romper essa questão formal das HQs trabalhando com histórias que não utilizam quadros, mas simulações.

A nova edição de Artlectos e Pós-Humanos, assim como as anteriores, é uma revista em que o leitor irá encontrar questões de comportamento humano mescladas a ficção científica de primeira ordem. Como ressaltado no começo desta resenha, Artlectos será  melhor sorvida para iniciados, porém, isso não impede do leitor esporádico ou casual absorver bem os conceitos passados. Para adquirir este, e os números anteriores, visite o site da editora aqui.

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