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Entrevista: Sill
Por Anita Costa Prado
22/01/2010

Sill é um artista múltiplo no Quadrinho nacional. Desenvolve personagens, elabora roteiros altamente criativos e na síntese do cartum, alia a simplicidade do traço com a clareza da idéia, passando uma mensagem crítica ou simplesmente humorística. Vencedor do 26º Prêmio Angelo Agostini (saiba mais aqui), como melhor cartunista, ele concedeu via e-mail, a entrevista a seguir:

Vamos começar resumindo o Sill com suas próprias palavras:

Bom, nasci em  8 de julho 1971, em Caruaru, Pernambuco. Sou casado e tenho dois filhos. Além de Quadrinhos, gosto de filmes, literatura e rock and roll. Tirando o fato de ser cartunista, acho que sou um cara normal (hehehehehe).

Você iniciou com fanzines e chegou a ter trabalho exposto na Espanha em 1999. Considera a fase atual como sua maturidade profissional?

Acho que a fase atual é especial, pois de repente, uma sincronia de coisas boas aconteceram na minha vida de cartunista; o incentivo do Funcultura, a publicação do livro Cordel Comix (realização de um antigo sonho) e agora a conquista do Prêmio Angelo Agostini de melhor cartunista! Alguém aí, me belisca (hehehehe)!!

Seus cartuns frequentemente mostram crítica social, política e preocupação com a devastação da natureza. São seus temas preferidos?

São! A estupidez humana é uma infinita fonte de inspiração para meus cartuns!!

Qual sua opinião sobre o cenário pernambucano de Quadrinhos, no trabalho pessoal e de outros artistas?

Apesar de não manter muito contato com os conterrâneos, acho que Pernambuco é um celeiro de grandes talentos dos Quadrinhos.

O nordeste tem cartunistas conhecidos regionalmente mas com pouco destaque no âmbito nacional. A conquista no Prêmio Angelo Agostini é um indício de que isto está mudando?

Acho que sim... ainda bem que essa mudança começou comigo (hehehehe). Mas, falando sério, essa conquista não é só minha, é de todos os cartunistas do nordeste, em especial de Pernambuco.

Seu álbum Cordel Comix, lançado em 2009, teve suporte do governo de Pernambuco. Como surgiu este apoio?

Em 2003, eu participei do projeto CD Andaluza - "A Pedra e a Flor", repeti a dose em 2006, no 2° CD "Pedra da Fusão", em ambos, colaborando com edições exclusivas do Cordel Comix, que viraram encartes dos discos... A Andaluza é um projeto do bacharel em filosofia, músico e consultor cultural Arthur Big Head, que conta com a parceria de sua companheira Alice Santos (produtora do livro Cordel Comix). Como os projetos da Andaluza foram realizados com o apoio de incentivos culturais, surgiu a idéia do projeto do livro. Depois de um árduo trabalho de elaboração, o projeto foi inscrito no Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) e entre tantos outros foi selecionado, por fim, aprovado.

Animais são personagens constantes em seu trabalho, como As Vacabundas, os Urubus vegetarianos e o Burro pensante. Todos inteligentes e reflexivos. É um a crítica sutil ao ser humano?

Com certeza!! No meu trabalho os animais questionam o tempo todo a racionalidade humana, cada vez mais atolada no caos!

Você desenha manualmente, em preto e branco. Tem intenção de utilizar cores e outros recursos técnicos?

Apesar de gostar de trabalhar com preto e branco, não descarto a possibilidade de colorir e usar novos recursos na criação dos meus cartuns.

Você costuma participar de salões de humor e eventos de Quadrinhos?

Eita! Nunca participei de nenhum salão de humor, mas é uma meta para 2010, participar de alguns salões; infelizmente, por uma questão  geográfica não dá para ir aos eventos, quase sempre realizados em outros estados, mas tenho acompanhado muita coisa pela Internet.

Além da literatura de cordel, quais são suas influências?

Basicamente Quadrinhos! Em especial o Angeli, a primeira Chiclete com Banana ninguém nunca esquece! Também o Laerte, o Marcatti, o Glauco, o Robert Crumb... que foram minhas primeiras influências de Quadrinhos alternativos  e acabam nos acompanhando pela vida. A música, em especial a punk, também me influencia bastante, principalmente na parte do "FAÇA VOCÊ MESMO!"

Mesmo utilizando termos regionais nos diálogos de alguns personagens, você conquistou leitores em todos os pontos do país. Imaginava que o seu trabalho teria tanta abrangência?

Eita!! Nunca imaginei que isso pudesse acontecer, mas é muito  bom saber que o trabalho tá agradando! Arretado!! Bom, para finalizar, quero agradecer a você Anita e ao Bigorna.net pelo espaço! Valeu!!

O Bigorna.net agradece a Sill pela entrevista, finalizada em 21 de janeiro de 2010

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