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Entrevista: Igor Shin, Akira Sanoki e Alexandre Manoel
Por Humberto Yashima
29/05/2009

Igor Shin, Akira Sanoki e Alexandre Manoel são os editores da ótima revista Subversos, que publica HQs com o tema "Cotidiano Urbano". A revista é impressa com recursos do Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais VAI da Prefeitura de São Paulo, sendo distribuída gratuitamente em alguns pontos da capital paulista e também pelo correio. Saiba mais sobre esses jovens quadrinhistas nesta entrevista concedida por e-mail.

Quando e como começou o seu gosto por Histórias em Quadrinhos?

ALEXANDRE: Como a grande maioria dos autores do meio: desde pequeno. Aprendi a ler com a turma da Mônica e os personagens da Disney mas, depois da Saga dos Clones do Homem-Aranha, eu parei com isso. Só voltei para os Quadrinhos quando um amigo me forçou a ler alguns trabalhos da Vertigo, principalmente Preacher e Hellblazer. Mas o que me levou a produzir mesmo foi a descoberta do potencial da linguagem: sempre gostei de pintar e escrever, mas quando só escrevia sentia falta de pintar e não me estimulava pintar sem a presença de algum texto. Acho que isso me tornou um amante natural das Histórias em Quadrinhos.
 
AKIRA: Vivi algo parecido com o Alexandre, aprendi a ler com Quadrinhos da Mônica, da Disney e fiquei viciado em Menino Maluquinho, até hoje eu os tenho guardado e releio. Meu pai sempre gostou de Quadrinhos e isso facilitou muito em termos de se comprar HQs lá em casa. Naturalmente fui lendo X-Men, Batman, Homem-Aranha e depois Spawn, só que tudo isso me cansou, ai parei de ler Quadrinhos... fui retomar quando descobri Estranhos no Paraíso de Terry Moore, adorei as histórias sobre a vida, um traço simples e bonito, então comecei a procurar mais Quadrinhos com histórias diferentes de super-heróis, onde encontrei o selo Vertigo, Will Eisner e o mangá.

SHIN: No meu caso comecei a gostar de Quadrinhos desenhando bonecos soltando "Kamehameha!", desde criança assistia os animês japoneses e esse gosto pelos personagens foi se transferindo para os mangás. Quando fazia aula de japonês eu ganhava da escola japonesa aqueles mangás alá páginas amarelas, ainda tenho muitas dessas revistas na estante do meu quarto.

Quais são os autores e/ou obras - de Quadrinhos, Literatura ou Cinema - que mais influenciam os seus trabalhos?

ALEXANDRE: Will Eisner! Pra mim, o Pelé dos Quadrinhos. Não tem ninguém que se compare com ele, com tudo que fez para a linguagem. Seus temas urbanos eram fascinantes, ele conseguia fazer um acontecimento casual se tornar uma ótima história, principalmente quando contava a trajetória dos bairros. Mas também aprecio bastante a produção de Mutarelli, Angeli, Marcatti, Frédéric Boilet, Suehiro Maruo, Júlio Shimamoto e muitos outros. Na literatura, eu prefiro os autores fantásticos: Allan Poe, H.P. Lovecraft, Robert Louis Stevenson, André Vianco etc. Na música, death metal e punk/hc. Quanto ao Cinema, acho que sou o único fã de Quadrinhos que não aprecia essa arte. Não sei... mas penso que toda a narrativa do Cinema - ao contrário do que muita gente diz - veio primeiro nos Quadrinhos, e hoje em dia grande parte do Cinema é baseado somente em atores famosos e efeitos especiais; e está tudo muito mastigado, não tem aquela participação como na Literatura e nos Quadrinhos. Mas aprecio boas histórias (em qualquer linguagem) e os filmes de zumbis.

AKIRA: Em cada época eu tenho alguém que me influencia mais. Antes eu queria fazer HQs mais poéticas, ai Fernando Pessoa era minha base, quando estava tentando uma linguagem mais experimental eu estudava muitos artistas plásticos como Robert Rauschenberg e David Hockney, hoje em dia o que me motiva são histórias de ação com muito mistério, suspense e uma dose de sobrenatural, aí me empolgo com filmes tipo Matrix, Clube da Luta, Sexto Sentido e nos Quadrinhos adoro os roteiros de Mike Carey (como Lúcifer), Neil Gaiman, Warren Elis, Azzarelo e desenhistas como Joshua Middleton, Tim Sale, Eduardo Risso e Roger Cruz. Não posso deixar de falar de minha admiração pelos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, suas histórias foram cruciais para eu querer fazer as minhas  também. Eles me deram estimulo de fazer HQ no Brasil, vendo a qualidade de seus desenhos e um roteiro bem perto de nós, percebi que era realmente possivel fazer algo de qualidade aqui em nosso país. Outro brasileiro super importante para mim é o Artur Fujita, ele foi meu professor, me passou meus primeiros trabalhos com HQ e até hoje me ajuda muito, tenho muito o que agradecer pelo que me ensinou. Agora, uma influência que eu tenho desde criança é o mangá e o animê Akira. Eu era criança quando vi o desenho e li o mangá e, principalmente a leitura, me abriu a cabeça para uma nova dimensão do que podia ser criado, inventado e contado.

SHIN: Quanto ao desenho, quando criança eu copiava bastante o traço do Takeshi Obata, Masami Obari e Nobuhiro Watsuki, tem muitos outros autores mas são esses que eu lembrei. Atualmente estou lendo bastante romances, isso influencia bastante no quesito pensamento né? Li Grito no silêncio de Kenzaburou Oe e alguns contos de Haruki Murakami.

Qual a sua formação acadêmica e profissão atual?

ALEXANDRE: Me formei em Artes Plásticas pela UNESP e atualmente a Subversos é minha única ocupação (além de ser babá do meu sobrinho, mas isso não conta).

AKIRA: Também sou formado em Artes Plásticas na UNESP, onde tive a sorte de conhecer o Alexandre e o Shin, além disso também fiz cursos técnicos de desenho, História em Quadrinhos, ilustração e animação. Atualmente dou aula de desenho, HQ, mangá e  ilustração na Escola Arte São Paulo, sou o ilustrador do projeto Caixa Cênicas do Centro Cultural da Caixa Econômica e também faço trabalhos de colorização, animação e desenho como freelancer.

SHIN: Minha formação acadêmica é idêntica à do Akira e do Alexandre. No momento estou em um intercâmbio fora do pais, mas antes eu trabalhava como freelancer de ilustrações e etc.

Quais são as maiores dificuldades para editar uma revista como a Subversos?

ALEXANDRE: São muitos, mas a divulgação é o maior problema. Claro que há sites e zines especializados, mas o público desses locais é o mesmo (e nem todos os sites e blogs, teoricamente voltados para HQ, divulgam seus releases). Penso que os Quadrinhos se tornaram uma linguagem muito fechada em si mesmo, por isso é difícil fazer uma revista de HQ conseguir outros públicos e fazer com que esses "outros públicos" descubran que HQ é muito mais do que Super-Homem e Goku; que há bons artistas e escritores no meio, bons temas e boas produções. Distribuição também é uma tarefa árdua. Principalmente pros independentes que têm que fazer isso sem contar com o apoio de ninguém. Como nossa distribuição é gratuita, não sofremos tanto com isso, mas não deixa de ser difícil também: há locais que não nos deixam distribuir a revista (que é de graça) porque desconfiam que ela contém propagandas (o que não é verdade); em outros, dizem que o local é voltado para público infantil e nos proíbem de deixar a revista por lá (embora em alguns desses locais tenham trabalhos de autores adultos como Mutarelli e Manara); em alguns espaços culturais do estado eles não distribuem porque a revista tem apoio da prefeitura; e por aí vai a falta de apoio... Felizmente contamos com a central de bibliotecas da prefeitura que se encarrega de distribuir a revista nas bibliotecas; o carro do Akira, que distribui em muitos pontos em São Paulo; e os amigos que se encarregam de distribuir em suas respectivas cidades. Gráfica é um problema chato porque se você não ficar no pé delas, não fazem um trabalho razoável. E qualquer coisa que acontece no mundo é motivo de aumentar os preços.

AKIRA: Concordo com tudo que o Alexandre diz.

SHIN: É, concordo com o que o Alexandre disse.

Há muita burocracia para conseguir apoio do Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais – VAI da Prefeitura de São Paulo? Explique como funciona o processo.

ALEXANDRE: O VAI é um programa que financia atividades culturais de jovens moradores da cidade de São Paulo. Qualquer pessoa física, entre 18 e 29 anos e moradora da cidade há pelo menos 2 anos, pode inscrever algum projeto cultural (mas que tenha forte carga social também). De preferência, a pessoa já tem que estar desenvolvendo, ou já ter desenvolvido o projeto que propôs. E ser uma atividade em grupo ou dupla, no mínimo - o VAI não financia projetos cuja execução cabe a somente uma pessoa. As inscrições geralmente acontecem entre janeiro e fevereiro. Não é tão burocrático quanto pensei que seria, claro que há a prestação de contas e reuniões periódicas, mas é tranquilo. Os funcionários do VAI oferecem curso de como escrever bem um projeto; oferece uma espécie de treinamento para a prestação de contas e estão sempre disponíveis para dúvidas e resolução de eventuais problemas.

AKIRA: O Alexandre disse tudo.

SHIN: Sim, assusta um pouco o fato de estarmos mexendo com dinheiro público, mas até que isso é muito facilitado com a atenção do pessoal do VAI.

Como vocês selecionam o material que será publicado na Subversos?
 
ALEXANDRE: Primeiro vem a temática. Recebemos muito material bom mas que não se encaixa no tema "Cotidiano Urbano" e ficam de fora. Depois, tem que ter uma boa narrativa, pode ser algo experimental, não precisa ter um traço excelente, na verdade, nem precisa ter desenho, mas precisa ser algo bem estruturado. Ai, entram os critérios de seleção: Se o autor publica seus trabalhos em outras revistas (ou mesmo em outras edições da Subversos) damos preferência para quem ainda não publicou; se tem duas ou mais HQs com o mesmo tema escolhemos a que tiver menos páginas, pra caber mais gente. Procuramos selecionar HQs com estilos diferentes, para dar uma variada melhor nas edições; autores de outras cidades/estados, mulheres e pessoas mais jovens - que nunca publicaram nada em suas vidas, têm nossa preferência. Quando dizemos que muita coisa boa fica de fora, é porque fica mesmo e não para fazer média com as pessoas não selecionadas. Tudo em prol de uma variedade maior para a revista.

AKIRA: Tudo que o Alexandre disse é um consenso entre nós três. O que eu gosto de ressaltar é a importância de um bom roteiro e uma boa narrativa, muito mais importante que um desenho super bem feito. Evitamos também as "HQs Descritivas", histórias que só utilizam recordatórios substituindo a narrativa visual ou então dizendo quase que exatamente o que os desenhos nos quadrinhos mostram, não possuem dialógos (ou muito pouco) e em geral não acontece nada muito importante, só fala sobre o ponto de vista do autor sobre a vida, que na maioria dos casos é triste. Não é que sou simplesmente contra, é que isso é muito chato de ler e não atrai um público novo. Infelizmente uma grande parte do material que recebemos é assim.

SHIN: Concordo com a opinião de ambos.

Por que foi escolhido o tema "Cotidiano Urbano" para todas as edições da revista?

ALEXANDRE: Originalmente a revista era um fanzine, editado na época de faculdade, voltado para HQs poéticas e experimentações. Como imaginamos que a prefeitura nunca financiaria uma revista assim, tomamos algumas medidas como: abrir a revista para jovens talentos interessados em publicar seu material e distribuição gratuita nas bibliotecas da cidade (que já era um sonho da época do fanzine). Para a edição não ficar um samba do crioulo doido, pensamos num tema que unisse todas as HQ que seriam publicadas e "Cotidiano Urbano" surgiu naturalmente. É um tema praticamente inesgotável, tinha ligação com nossos trabalhos na época e daria a possibilidade de colocar a cidade de São Paulo em seus mais diversos ângulos e perspectivas nas histórias – o que pensamos ser mais um bom motivo para sermos selecionados no programa.

AKIRA: É isso aí!

SHIN: Apesar de ser muito propício de aparecer somente histórias depressivas, o tema "cotidiano urbano" é um incentivo a pensar sobre as histórias, fatos e pessoas de um centro urbano tão desumanizado, é um desafio para pensar em boas histórias que mexem diretamente com nosso dia-a-dia.

Você acha que existe um grande público no Brasil que aprecia as HQs produzidas no país? Se existe, o que falta para que as grandes editoras invistam em revistas mensais do gênero?

ALEXANDRE: Público existe, senão, não haveriam tantos trabalhos e de tão diferentes temas editados no país (de forma independente ou não). Mas penso que poderia ser bem maior se o público que não é acostumado a ler Quadrinhos soubesse que ele não se resume a super-heróis e mangás. Esse público distanciado tem uma visão pré-concebida desses estilos e, quando procura por uma boa história (e todo mundo quer ler, acompanhar, se identificar e se emocionar com uma boa história), vai procurar na Literatura e no Cinema porque grande parte do que se publica de Quadrinhos no Brasil é justamente super-herói e mangá. Claro que se publicam HQs nacionais com boas histórias, de diversos gêneros (inclusive super-herói) e de diversos estilos (inclusive mangá) e com qualidade suficiente para atrair o público distanciado – e as pessoas que acompanham a cena sabem disso. Mas não com a mesma frequência, volume e divulgação com que se publicam material importado de super-heróis/mangá, nem com a mesma frequência, volume e divulgação dos livros e filmes. Distribuindo a Subversos em diversos locais, me deparei diversas vezes com pessoas que diziam não saber ler Quadrinhos, não tinham o hábito de fazer isso e por isso quase nunca entendiam as histórias – independentemente do gênero que lessem. Mas penso que é questão de educar as pessoas, se um garoto de 12 anos consegue jogar um vídeo-game complexo, por que não conseguiria ler Quadrinhos? Mas você vê muitas pessoas interessadas nesse tipo de  educação? O pessoal só pensa em vender, vender e vender. Poucos se preocupam em baixar preços, distribuir em território nacional, tornar acessível aos que não têm contato com a linguagem, promover o aprendizado da linguagem, etc. O problema é que essas coisas exigem investimento, tempo, dedicação e uma série de outros quesitos que o empresariado brasileiro em geral (e não só os editores) não tem, salvo raras exceções. A maioria visa lucro rápido, ninguém está interessado em cultura, arte e qualidade, muito menos em fomentar a produção nacional e mudar o comportamento das pessoas.
 
AKIRA: Realmente um dos fatores mais importante são os empresários que não querem investir na cultura nacional, não apenas o Quadrinho, mas vemos o mesmo acontecendo na animação, teatro, literatura e até na música. Os Quadrinhos que são publicados mensalmente são obras que já fizeram sucesso no exterior e é retorno financeiro certo, vejamos o caso de Naruto, Death Note, Bleach (todos que eu também gosto), além dos tradicionais comics. Se procurarmos algum desenho animado brasileiro passando na TV não acharemos, acontecerá o mesmo caso dos Quadrinhos, apenas grandes sucessos consolidados, mas existem animações  brasileiras de qualidade, porém, que são vendidas para o exterior como Princesas do Mar, de Fabio Yabu, e Peixonauta, da TV Pinguim (onde o Shin já trabalhou). Nos livros temos outros sucessos extrangeiros como Harry Potter e Crepúsculo. Até na música isso ocorre, quando ligamos o rádio só escutamos bandas internacionais, ou bandas brasileiras que imitam os gringos. Temos que agradecer por existirem editoras como a Devir, a Via Lettera, a Conrad e a Marca de Fantasia, que publicam e investem há tempos em obras nacionais. Agora outro fator é o preço dos Quadrinhos. Os mangás têm uma média de preço de 10 reais, e as comics 7,50 reais e ainda temos as publicações especiais que são mais caras, quem gosta de Quadrinhos não se contenta em acompanhar apenas um titulo, agora, quantas pessoas no Brasil podem ficar gastando mais de 50 reais por mês apenas em Quadrinhos? Uma familia de baixa renda dificilmente vai gastar 10 reais num mangá para o filho ao invés de gastar com comida. Uma das razões das novelas brasileiras serem tão bem sucedidas é o fato de serem gratuitas, ninguém paga pra assistir, basta ter uma televisão, ai elas se mantêm com os comerciais e patrocinadores. Essa é a razão da Subversos ser gratuita, queremos atrair um público maior, mais diversificado e novo, isso seria dificil exigindo que essas pessoas paguem por algo que não estão habituados, mas sendo de graça elas pegam sem compromisso e muitos acabam gostando.

SHIN: Concordo com ambos.

Você tem outros projetos pessoais na área de HQ, além da Subversos?
 
ALEXANDRE: Em andamento, além da revista, ministro uma oficina gratuita de Quadrinhos – que eu pretendo levar para diversos locais da cidade – e sou colunista no site Impulso HQ, onde mantenho uma seção de resenhas dedicada exclusivamente às HQs nacionais. Planos para o futuro eu tenho aos quilos. Vou trabalhar para que meu nome seja muito (bem) comentado no cenário de HQ um dia!

AKIRA: A Subversos, por enquanto, satisfaz bastante a minha necessidade pessoal e autoral na produção de Quadrinhos, ainda mais que trabalho com HQs e sinto vontade de fazer algo só meu. Na Subversos tenho explorado estilos de desenhos, narrativas e temas,  agora com o tempo penso em fazer histórias mais longas, aí são outros projetos. Tem a oficina de Quadrinhos que estou dando junto com o Alexandre também.

SHIN: No momento não, estou ainda dividido em que área de trabalho vou investir. Mas sempre que der gostaria de estar produzindo algum Quadrinho!

Obrigado pela entrevista, e continuem com o ótimo trabalho.
 
ALEXANDRE:  Eu que agradeço ao Bigorna.net e a você Humberto Yashima pelo apoio que tem dado, a nós e a muitos outros autores em início de carreira. Obrigado. Aproveito para  dizer que a Subversos está aberta à colaboração de toda e qualquer pessoa interessada em publicar seu  trabalho.

AKIRA: Obrigado a vocês do Bigorna e você Humberto pela oportunidade de estarmos falando mais sobre os nossos trabalhos. Desejo também muito mais sucesso para o site e para cada profissional que trabalha nele. Um grande abraço.
 
SHIN: Muito agradecido pela atenção vossa ao nosso projeto, tudo de bom para vocês do Bigorna.net!

O Bigorna.net agradece a Igor Shin, Akira Sanoki e  Alexandre Manoel pela entrevista, finalizada em 23.05.2009

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