NewsLetter:
 
Pesquisa:

Ely Barbosa se foi
Por Bira Dantas
19/01/2007

Esta noite eu tive um sonho. Sonhei que o Ely Barbosa, Eduardo Vetillo e o Worney vinham me fazer uma visita em Campinas e eu mostrava minhas produções novas pra ele, umas revistas onde usei minha filha de personagem. Ele chorava lembrando de quando começou a produzir as revistas com os seus personagens. Acordei hoje cedo e comentei com minha mulher que queria visitar o Ely. Há uns 2 anos nós retomamos contato pelo orkut e por e-mail, mas como ele havia sido vítima de mal de Parkinson, tinha dificuldade em se comunicar. Entrei no orkut hoje e deixei recado falando do sonho.

Marko Ajdarić, este tão bem informado colega Neorâmico, quase me fez cair da cadeira ao me dar essa notícia ainda há pouco, repassada por Arthur Garcia. Depois veio a confirmação do Paulo Borges: “É com muito pesar que informo essa notícia. Ely Barbosa partiu hoje. Creio que muita gente conheceu ou pelo menos ouviu falar dele os de suas criações. Ele criou a Turma da Fofura e tantos outros personagens que foram publicados pela Editora Abril, fez animações e comerciais de TV. Foi quem me deu a oportunidade de entrar no mercado editorial fazendo quadrinhos. O velório e enterro foram na sexta-feira. Pra quem conhece a história dos quadrinhos no Brasil é uma grande perda”. (Paulo Borges, Ilustrador)

Puxa, que triste. Eu trabalhei no estúdio do Ely de 1979 a 1982, quando ingressei na imprensa sindical. Ely produziu muitas animações e livros ilustrados pro Sílvio Santos, desenvolveu uma grande família de personagens de HQs como Cacá e Sua Turma, Patrícia e os Amendoins! ELY BARBOSA. Este nome me acompanhou quase a vida inteira. Dos 17, quando fui estagiar em seu estúdio (de um anúncio em jornal descoberto por minha mãe, dona Lourdinha: "Precisa-se de Desenhista de História em Quadrinhos com ou sem experiência"!) até meus quase 43 de hoje!

O Ely me disse que minha vontade de mostrar meus trabalhos era tanta, que ele não se surpreenderia de, ao se deitar com sua esposa Thereza, me ver sair debaixo da cama com algumas páginas pedindo que ele as olhasse! Por todas as dicas, a paciência e a liderança que a poucos é presenteada, eu agradeço ao Ely e dedico a ele o prêmio Angelo Agostini, de Melhor Cartunista brasileiro, recebido há alguns fevereiros atrás! Profissional extremamente competente, ele fez parte da história da HQ Brasileira, com louvor! Até por isso já foi premiado com o prêmio Angelo Agostini, o Oscar do Quadrinho Nacional. Foi em seu estúdio que estagiei em 1979.

Foi lá que conheci outro grande desenhista, o Eduardo Vetillo (fez Hanna-Barbera pra RGE, Trapalhões pra Bloch e Chet pra Vecchi), de quem passei a ser assistente. Foi no estúdio do Ely que publiquei minhas primeiras páginas em Quadrinhos. No Gibi dos Trapalhões. Por lá passaram Otávio Mesquita (contato publicitário do estúdio, muito antes de ele sonhar em ser apresentador de TV), Matilde Mastrangi, Éder Jofre e o dublador do Fred Flintstone nos desenhos. Além de artistas como Mingo, Genival, Pontes, Cidão, Cleyton Caffeu, João Batista Queiroz, Sérgio Lima, Bonini, Watson Portela, José Lanzelotti, Vila, Sérgio, Orlando Costa e tantos outros.

Eu, que não acredito numa vida tão curta, espero que esteja bem, o nosso Ely!

(Caricatura por Bira Dantas)

 Do mesmo Colunista:

Morreu Carles Fontserè, o último pintor anti-imperialista

Casa do Lago: Risadas ecoam pela Unicamp

Literatura Brasileira em Quadrinhos

A Arte e seu engajamento político

Campinas retratada em treze cartuns bem-humorados

Quadrinhos musicais franceses: Nocturne, de enlouquecer qualquer um!

Fizzers, a Exposição de Caricaturas na Escócia

Bira em Londres - o Museu do Cartum

O Sétimo Encontro Internacional de Quadrinhistas e Cartunistas na Coréia

Quem Somos | Publicidade | Fale Conosco
Copyright © 2005-2017 - Bigorna.net - Todos os direitos reservados
CMS por Projetos Web